J� NO S�CULO XX � Saintyves destaca a mesma contradi��o (?) entre Deus e o milagre (na caricatura que os racionalistas fazem do milagre): "Se Deus pudesse derrogar (?) ao bel-prazer (?) (�) as leis f�sicas (�) seriam ao mesmo tempo necess�rias e contingentes: necess�rias, mas de modo provis�rio; e contingentes, mas de maneira intermitente".

"Isso por outra parte n�o poderia ser assim, sem provocar os protestos dos s�bios que teriam pleno direito de dizer que tal teoria abala o princ�pio de indu��o: �as mesmas causas produzem os mesmos efeitos� (no milagre, por defini��o, interv�m outra Causa!). O que se poderia fundar sobre tal necessidade contingente? Seria em toda a sua beleza o regime do arb�trio (?) erigido em ideal, Deus equiparando-se a qualquer sult�o oriental"16 (como sempre erram o alvo; destroem o espiritismo, o satanismo�, mas o milagre divino fica inc�lume).

* S�ailles, pretendendo bancar o grande conhecedor da alma humana, atreve-se a pontificar: "O milagre concebe-se hoje como um processo pueril, infantil, indigno de uma alta intelig�ncia (o alvo!), para a qual n�o seria de modo algum conveniente perturbar (?) o reino das leis que Ele mesmo h� estabelecido. Quando se reflete que os mundos lan�ados aos milh�es na imensid�o silenciosa obedecem � soberania das leis, n�o se compreendem estes pequenos rasg�es (?) feitos arbitrariamente (o alvo!) na trama dos fen�menos, estes min�sculos golpes de Estado (?) num ponto do espa�o ou do tempo. S. jogos dignos no m�ximo de um g�nio dos contos de fadas"17 (ou esp�ritos de mortos, exus etc; e nisto conceder�amos toda a raz�o aos racionalistas, se os milagres fossem como imaginam eles e os supersticiosos � quando n�o interesseiros � seguidores de milhares de novas seitas).

E S�ailles pensa que ningu�m poder� contest�-lo: "Por seus princ�pios como por suas conclus�es a ci�ncia elimina o milagre" (!?)18.

* O inegavelmente grande m�dico e de grande influ�ncia na metodologia cient�fica, Claude Bernard, como se a a��o de Deus fosse uma peculiaridade da fisiologia, atreveu-se a "dogmatizar" com refer�ncia ao milagre, do qual nada ou muito pouco entendia: "A admisS. de um fato sem causa (!?), o que equivale a dizer indetermin�vel nas suas condi��es de exist�ncia, � nada mais nada menos que a nega��o da ci�ncia"19.

E essas bobagens t�m eco universal. Na terceira d�cada do s�culo XX, repetia o conferencista E. Scalone gabando-se do tolo modernismo: "Se disseres a algu�m que para fazer um buraquinho para um grupo de formiguinhas que foram dispersas pela chama, ou um ninho para um par de pombos que foge do tiro duma escopeta, h� que destruir toda uma metr�pole, estarias pedindo coisa de manic�mio. Pois muito, muito mais se pede � Divindade, quando se pede um milagre! Porque uma cidade incendiada por Nero, ou derrubada por um terremoto, ou devastada pela peste, renascer�. Mas n�o se cicatrizar� jamais a ordem da cria��o (que trag�dia!, por uma revitaliza��o, que seja, neste pequenino planeta!), ap�s ferida por dois mil�metros que seja (� poss�vel acreditar em tal tolice?), como basta uma fa�sca para aniquilar certos colossos da engenharia mec�nica"20.

*** � claro, qualquer intelectualzinho, como um tal Furrer, julga-se capacitado para afirmar tranq�ilamente, sem medo nenhum de ser refutado, porque sabe com certeza que representa o parecer dominante, de todos os racionalistas e modernistas: "Tudo o que na natureza pertence � est�tica ou � mec�nica est� tamb�m sujeito �s leis da est�tica e da mec�nica; o que na natureza � coisa qu�mica submete-se �s leis da qu�mica; e quanto tem rela��o com a luz e a eletricidade deve mesmo submeter-se �s leis comuns destas for�as. As leis divinas seguem invariavelmente o caminho delas"21.

� "O caminho delas": De quais? Das leis da natureza? Ou das "leis divinas"? Se da natureza, o pr�prio Furrer se contradiz: estaria aceitando fatos, divinos, que n�o seguem suas pr�prias leis divinas, sen�o as da natureza! Tratando-se do caminho das leis divinas, o pr�prio Furrer est� concluindo que h� fatos que n�o pertencem � natureza, que se devem ao poder ou leis divinas. Isso � o milagre, que queria negar com todas os seus axiomas anteriores. O milagre � outra for�a, outra lei, outra realidade�

A TOLICE � CONTAGIOSA � A mentalidade racionalista chegou a imperar tranq�ilamente a partir do fim do s�culo XIX at� hoje, como se fosse indiscutivelmente, pacificamente, cient�fica. Assim, permita-me o leitor citar mais um disparatado testemunho por ser bem significativo dessa pac�fica aceita��o geral do preconceito.

O "Dicion�rio Larousse" nos diverte com estas "garantias": "Que um s� milagre seja poss�vel, e n�s dever�amos jogar ao fogo nossos livros, fechar nossos observat�rios e nossos laborat�rios, construir ao acaso nossas m�quinas, nossos navios, nossos caminhos de ferro, e confiar � sabedoria divina a condu��o das coisas deste mundo (a exce��o suprime a regra?). O estudo das ci�ncias n�o tem outro atrativo sen�o o de apreender as rela��es das coisas, o de descobrir-lhes as leis constantes, o de verific�-las pela experi�ncia e o de coorden�-las num sistema de mais a mais geral. Que um s� fen�meno pare�a fugir � lei (� outra Lei, outra For�a!!), e o s�bio se turva e se v� obrigado a confessar que sua teoria � falsa (n�o!) e incompleta (isso sim, em termos: � levemente condicionada; n�o determinismo absoluto, sen�o determinismo relativo, isto �, com alguma poss�vel e rar�ssima interven��o de Outra For�a) e, por conseguinte, dedica-se a reergu�-la ou a alarg�-la at� que ela possa abarcar todos os casos poss�veis (poss�veis, exato). Mas se ele pudesse supor por um instante que esse fen�meno � devido � interven��o fortuita (?) de uma causa que escapa � sua compreenS. (h� que ser ateu, ou �-toa, para ser racionalista?), jogaria imediatamente pela janela sua retorta ou seu compasso (� ser muito "� toa"�) Depois, ao seu desespero sucederia o terror (?); que seguran�a (?) lhe ofereceria agora habitar num globo que o brinquedo (?) de uma m�o desconhecida poderia a todo minuto (?), a todo segundo (?), lan�ar fora da sua �rbita (falamos de milagre ou de palha�adas atribu�das a exus, dem�nios�?) e precipit�-lo no abismo?" (imposs�vel errar mais o alvo!).

� E ap�s essa bufa sarta de desprop�sitos, oriundos do mais rid�culo preconceito, pois n�o pode ser t�o ignorante nem t�o imbecil o mais famoso dicion�rio do "globo em que habitamos", ainda tem f�lego para nos divertir com uma gorjeta ir�nica umas linhas mais adiante:

*** "Que bela inven��o essa dos milagres! Como ela real�a a dignidade do homem e o poder de Deus!"22.

�"Que bela inven��o" ou pontaria de m�ope a dos racionalistas! Os tradicionalistas apresentam uma coisa, e os racionalistas "cient�ficos" disparam ridiculamente em dire��o completamente contr�ria, em nome da sua "ci�ncia". E uma sarta de palha�os atr�s batendo palmas.

DI�LOGO COM OS TE�LOGOS � Hoje a imensa maioria dos te�logos cat�licos repete os mesmos mal-intencionados disparates dos racionalistas "cient�ficos" e dos modernistas protestantes antigos. Sem a m�nima reflex�o.

Tentemos dialogar com um dos "grandes" l�deres modernistas de hoje, o pe. Louis Evely. Escreve com ares de mestre:

*** "O estado adulto do homem � o de dominar a natureza, descobrindo suas leis".

� E por que o milagre, como fato acontecido no mundo, haveria de ser exclu�do desse estudo e dessa descoberta? Ao menos para ver se se encaixa nessas leis ou se claramente as supera?

*** "O milagre nos reconduz � idade infantil ao parecer submissa a vontades misteriosas�"

� A vontade dos pais? O milagre como fato? Ou de novo erram o alvo.

*** �"e caprichosas".

� As dos pais equilibrados? As de Deus?! O alvo! (�)

*** "O milagre parece uma sobreviv�ncia da explica��o pr�-cient�fica, que quer persistir em ilhotas, sem cessar reduzidas no nosso mundo atual".

� O alvo! N�o � admiss�vel que os modernistas possam ser sinceros ao identificar os milagres e Deus com todos os fen�menos da natureza e as potestades, exus, orix�s, esp�ritos dos mortos, fadas etc. Quando se possa duvidar da sinceridade e intelig�ncia, adjudiquemos tudo � "irreflex�o teol�gica".

*** "� necess�rio conservar a Deus pelo milagre uma esp�cie de pequena soberania temporal, um �Estado do Vaticano� entre as grandes pot�ncias das ci�ncias?"

� Se os tom�ssemos a s�rio, se n�o soub�ssemos que � tudo preconceito doentio, se n�o fosse "irreflex�o", seria mais certo perguntar: � necess�rio conceder ao subjetivismo e preconceito dos modernistas de hoje uma pequena sombra de intelig�ncia e de metodologia como pequenas ilhotas no vasto mar das grandes pot�ncias intelectuais e de metodologia objetiva dos verdadeiros cientistas?

*** "Ou se Lhe restituir� Sua dignidade e Seu verdadeiro car�ter de Causa Primeira livrando-O da ordem das causas segundas?"23.

� Como se pode ser t�o cego? Algum tradicionalista "livra" (?!) do milagre a Causa Primeira? Se aquele fen�meno houvesse sido causado por uma causa segunda j� n�o seria milagre!

*** "O milagre � inconceb�vel para a ci�ncia".

� Que apriorismo! A ci�ncia n�o pode excluir nenhum milagre antes de estud�-lo. � ci�ncia cabe simplesmente descobrir a realidade.

*** "A Ci�ncia sabe bem que n�o conhece (todas) as leis da natureza, ela as descobre sem cessar".

� Exato. N�o conhece todas as leis. N�o conhece todas as poss�veis realidades. Descobre sem cessar outras leis e outras realidades. Por que esquecem isso, modernistas? Por que se fecham a descobrir outra poss�vel realidade com suas leis�: "fatos em nosso mundo por for�a n�o do nosso mundo"?

*** "Ent�o, como poderia ela reconhecer qualquer coisa que, em definitivo, as supera (as leis)?"

� Precisamente: cabe � ci�ncia estudar o fato que acontece no nosso mundo e verificar se esse efeito exige uma Causa que "em definitivo supera as leis" da natureza. Pelo ambiente � observar o ambiente tamb�m pertence � ci�ncia de observa��o � poder� deduzir qual � essa Causa que "em definitivo supera" a natureza.

***" A �nica atitude cient�fica perante um fato extraordin�rio � procurar-lhe a explica��o".

� Isso, exatamente isso, modernistas: perante um fato, h� que procurar a explica��o real, natural ou superior � natureza.

*** ("A �nica atitude cient�fica perante um fato extraordin�rio") "� fazer que se torne ordin�rio".

� Oh!, modernistas, que absurda contradi��o: Isso n�o � procurar a explica��o real, isso � distor��o mental da realidade.

*** "E todos os progressos cient�ficos decorrem disso" (�)

� Oh, n�o!, os progressos cient�ficos decorrem da descoberta da realidade. Da distor��o mental da realidade s� pode decorrer o retrocesso anticient�fico, como o racionalismo e o modernismo.

*** "�Quando o Infinito tomba no mar, Ele se faz peixe�, diz um prov�rbio japon�s".

� S� que o Infinito n�o pode tombar no mar porque n�o cabe nele. O que poderia fazer � assumir a natureza do peixe e n�o por isso deixaria de ser Deus, ao contr�rio divinizaria o peixe. Que n�o precisem conceitos os poetas, � poesia. Que n�o saibam isso os pante�stas, bem, � mais um absurdo do pante�smo. Mas n�o sabem isso os te�logos modernistas?!

*** Se Deus interviesse na hist�ria, seria como o homem, e se interviesse no mundo f�sico seria natureza" (�)

� Se um te�logo modernista lapida uma pedra se converte em pedra? Ser� que o preconceito cego chega a identificar o c�rebro dos modernistas com as pedras?

� Mas agindo Deus na natureza fica o fato, o efeito, observ�vel pela ci�ncia. Como qualquer outro fato da natureza. E assim pelo estudo a ci�ncia poder� deduzir a Causa: esta verdade evidente � que cegados pelo racionalismo os coitados modernistas n�o enxergam!

*** "O milagre confirmou a f� dos nossos ancestrais"�

� Oba!, os modernistas disseram uma verdade neste tema!

*** � "mas dificulta a nossa" (�)

� A esse extremo chegou a doen�a contagiosa do racionalismo e do modernismo! At� que reflitam� ou em alguns casos fa�am um tratamento para "deslavagem" cerebral e possam examinar os fatos como eles S..

*** "O cristianismo h� estado ligado � exist�ncia do maravilhoso".

� Certo! Clar�ssimos milagres.

*** "Isto �, para quase todos n�s ("o cristianismo h� estado ligado") a um estado de civiliza��o ultrapassada"24.

� E porque assim pensam os racionalistas e "quase todos" os te�logos hoje ("cegos guias de cegos"� Mt 15,14) a civiliza��o "guiada" por eles tem uma f� an�mica, que ficou sem provas, subjetiva. Ou ent�o os que "se libertaram" daquela "civiliza��o ultrapassada" perderam a f�, ou ficaram como baratas tontas, rodopiando atr�s de esot�rico, pentecostais, carism�ticos e outras inumer�veis seitas em busca de milagres � falsos, cont�nuos � sobre os quais pretendem flutuar.

*** "� por respeito ao verdadeiro sobrenatural que os crist�os de hoje desconfiam do maravilhoso".

� Que "crist�os de hoje" desconfiam do maravilhoso? N�o os crist�os que como os da "civiliza��o ultrapassada" est�o firmes na f� (1Cor 15,58; 16.13; 1Pd 5,9) inclusive at� o mart�rio se necess�rio, e que sabem dar raz�o da sua f� (1Pd 3,15). S� os crist�os que v�o atr�s dos modernistas, esses freq�entes crist�os de hoje sempre vacilantes ante qualquer ventinho (o pr�prio Louis Evely acabou abandonando seu sacerd�cio), cegos guiados por cegos, atr�s de falsos profetas (Mt 24,11.24; Mc 13,22) e amigos de toda classe de esoterismos e f�bulas? (2Tm 4,4).

� O de�smo, pregando um deus que n�o interv�m no mundo, � que "respeita o verdadeiro sobrenatural"? Isso � teologia?

*** "Incomoda-nos�"

� Dependendo do grau de obstina��o, quem nega a realidade que lhe incomoda pode estar precisando de tratamento psiqui�trico.

[continua]

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   Fernando De Matos:
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 Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal�
            
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