Contar nossa história dessa forma fracassa a praticamente 20 anos.  Não 5,
não 10, não 15, mas 20 anos.

Aparece alguém com uma idéia inovadora, buscando primeiro disseminar, pra
depois mostrar o que é.

O cara cresce, fica famoso, e começa a dar certo.  O que acontece?  Um
poder auto-destrutivo de pequeneza, pois não foi do umbigo egocêntrico que
coisa saiu.

Se fosse tão em busca de liberdade assim, todos defenderiam qualquer adoça
de Linux e BSDs, deixariam o usário tomar gosto e daí sim partiriam pra
explicar o que levou àquilo.

Sim, é mimimi.

Abs,
Helio Loureiro
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http://gplus.to/helioloureiro


Em 11 de fevereiro de 2014 16:47, André Nunes Batista <
[email protected]> escreveu:

> On Mon, 2014-02-10 at 18:04 +0100, Helio Loureiro wrote:
> > É mimimi sim.  Conheço o Anahuac pessoalmente e por isso sei que é
> mimimi.
> >
> > Anahuac acha que as coisas funcionam magicamente, com a magia da
> > "comunidade".  Isso acontecia quando o Linux era mais um campo de buscas
> e
> > exploração do conhecimento de universitário, que foi quando surgiu.
> >
> > Mas isso mudou.  E está sendo massificado.  Então é impossível ficar
> nesse
> > sentimento ufanista de que é comunidade pra cá, comunidade pra lá.  Já
> > existem empresas envolvidas, então o melhor negócio é participar.  A
> grande
> > vantagem do software livre é que não se fica refém de uma empresa ou
> > tecnologia: todo mundo pode baixar os fontes pra testar, modificar e
> > aprender.
> >
> > E quanto ao Ubuntu, é um caminho sem volta.  Pode-se escolher o caminho
> de
> > ensinar os usuários sobre GNU, GPL, etc.  Mas pra isso já tem Debian,
> > Fedora, e RedHat.  O Ubuntu escolheu pela massificação.  Não importa o
> que
> > seja, use.  Canonical não investe no kernel, mas investe em ambiente
> > visual.  O resultado?  Mundialmente a taxa de uso do Linux (que é medida
> > pelos computadores vendidos com Linux de fábrica) tem aumentado.  A meta
> é
> > chegar em 5%.
> >
> > Quem ganha?  Acho que todos.  Mas não dá forma que o Anahuac quer.
>
> Eu até compreendo o tipo de estratégia de disseminação que você defende.
> Algo mais fluido e multifacetado, "compartimentalizado" diríamos se
> falássemos de software, usando cada ferramenta onde parece mais
> apropriada e acreditando na sinergia total do movimento e sabendo que
> sempre haverá uma pluralidade de usos e interações possíveis com
> máquinas.
>
> Por outro lado, não consigo acreditar que "tanto faz" ou "o jogo já está
> dado". O uso de software livre tem se massificado sim, é verdade, mas o
> que queremos é que simplesmente seja usado? Em algum nível certamente. A
> simples disseminação do uso implica em maior interesse de
> desenvolvedores e usuários. Mas se desenvolvedores e usuários pouco ou
> nada sabem sobre liberdade, o que teremos de fato conseguido? Uma
> posição de mercado? Uma tabelinha bonita com uma curva ascendente?
> Prestígio social por estar aqui desde muito antes?
>
> O problema talvez esteja no "Software Livre, Sociedade Livre", que
> muitos descartam ou trocam pelo "Software aberto é mais eficiente"
> s/eficiente/adjetivo_que_quiser/. Talvez por surfarem na onda alguns se
> esqueçam de que há de fato uma grande questão social sendo decidida em
> nossos tempos.
>
> Não que empresas e governos não participem, não que descartemos
> financiamento, mas certamente não devemos ser tão apressados em
> descartar a importância da questão ética que se impõe.
>
> PS: não conheço o anhuac e não sei se está de mimimi, pode bem ser. Mas
> não é mimimi tentar contar nossa história.
>
> --
> André N. Batista
> GNUPG/PGP KEY: 6722CF80
>
>

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