João,

Eu não estou dizendo que vc está errado em reclamar da qualidade das traduções, pelo contrário. Eu estou dizendo, do que observei no convívio com profissionais de editoras, como eles vêem os interessados pelos livros técnicos, posição com a qual não concordo, mas é o que eles pensam, não posso fazer nada com relação a isso... Se sua amiga tem problemas com alunos de letras, o problema é dela. O fato da profissão de tradutor não ser regulamentada permite que qualquer mané que passe 6 meses nos EUA volte pro Brasil achando que sabe inglês suficiente pra ser tradutor. O Jordan Hubbard tem segundo grau e sabe o que sabe e é quem é. Obviamente, ele é a exceção, não a regra. Não é preciso ter diploma pra ser profissional capacitado, mas algum filtro a gente têm que colocar pra qualificar os profissionais. Se as faculdades de letras estão formando maus profissionais, que se mude a faculdade, pois o trabalho com texto, idioma, ensino de línguas, etc, não vai desaparecer amanhã, então os cursos tem a sua função... O problema nas editoras técnicas brasileiras é que são poucas as que tem revisor técnico com conhecimento do assunto sendo traduzidos e, verdade seja dita, o nível do português utilizado pela grande maioria dos profissionais de informática, está bem abaixo do correto, e mesmo do "arroz com feijão"... Não está satisfeito com uma tradução? Escreva pra editora e reclame, cobre, oriente. Em último caso, faça como eu: quando quiser se informar sobre informática, não compre mais título em português, leia logo no original (se vc pode criticar a tradução, pode ler no original -:)

Georges

On 14 de jun de 2005, at 19:45, Joao Rocha Braga Filho wrote:

On 6/9/05, Georges Kormikiaris <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
João, concordo com vc. E me desculpe de antemão qualquer coisa, não
quero ofender nem nada, mas é bom avisar porque email tem dessas coisas
(não passa intonação, jeito, etc, coisas que só na fala ficam
explícitas), MAS, acompanhe o meu raciocínio:

1. Vc escreve "Eles tem este nível de "desqualidade" a MUITOS anos".
Nessa frase tem 2 erros de português, um deles crasso e não é
"desqualidade" porque isso ficou claro.

A palavra "desqualidade" foi um neologismo, e por isto está entre aspas.
Coloquei o "muitos" em destaque.


2. Um editor, revisor, whatever, de uma dessas editoras citadas toma
isso como indicativo de que o comprador de livros de informática não
tem conhecimento suficiente da língua culta.

A minha queixa já indica uma insatisfação.


3. Concluem, equivocadamente na minha opinião, mas concluem, que o
leitor de livros técnicos é um leitor de segunda classe ao qual não se
deve dar tanta atenção...

E se eles não entenderem a insatisfação, eles é que estão com problemas.


E assim vai.

Pois bem, a minha colocação inicial não era pra discutir a qualidade
das traduções correntes dos livros técnicos no Brasil. Mas, pra
discutir como as partes se comportam nesse mercado e as consequências
disso.  E enquanto:

1. O mundo técnico achar que a língua culta é um preciosismo.

Eu sou à favor de escrever e falar corretamente. Mesmo que só use o
básico, o "feijão com arroz". Textos muito rebuscados podem ser até
piores para a compreensão.

2. O mundo editorial considerar o leitor técnico de segundo nível.

Aparentemente muitos consideram, e temos que protestar, em sites,
em jornais, nas editoras, e assim vão sentir que existem críticas e
insatisfação com o trabalho deles.

3. Tradutor não for profissão regulamentada.

A regulamentação pode até piorar as coisas. Pode ser que só permitam
aos formados em letras serem tradutores, e como uma tradutora especializada
que eu conheço diz, são os mais incompetentes para fazerem traduções.
Eles costumam conhecer somente a língua, mas não o assunto, e isto
leva a erros muito graves. Pode ser que os erros como os abaixo se
tornem cada vez mais comuns:

- Tubo (vi em um livro de Unix)
- Chama de procedimento remoto (Windows XP)
- Refixar o processador (Editora Campus)
- Longo quando devia ser tamanho (Editora Campus)
- Luz emitindo diodo
- Aviso do MSDOS (Windows 3.0)
- Balisa de erro (Manual da calculadora Texas TI-66)
- Tradução das siglas de parâmetros de transístores.

E tudo com um português perfeito. :^)


        João Rocha.



A consequência continuará a ser a de termos sempre essas traduções
fuleiras.
Como eu tô mais ou menos no cruzamento desse mundos (editorial e
técnico) por me interessar por ambos, cheguei a pensar na possibilidade
de editar uma linha técnica, mas com tanto pdf piratão nos P2Ps da
vida, tenho que fazer e refazer minhas contas (de preferência no
Gnumeric -:)

[]'s
Georges

On 09 de jun de 2005, at 11:03, Joao Rocha Braga Filho wrote:

    A Ciencia Moderna e a Campus sao conhecidas de longa data, desde
a decada de 80, por produzir traducoes de PESSIMA qualidade. Teve um
livro da editora Campus que eu li que tinha a seguinte expressao:
"refixar o processador". Nao e' a "pirataria" que fez eles baixarem a
qualidade. Eles tem este nivel de "desqualidade" a MUITOS anos.


        Joao Rocha.


On 6/8/05, Georges Kormikiaris <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Ricardo,

Eu estava esperando pra ver se alguém comentaria justamente isso
porque
se vc parar pra pensar, como é que é possível criticar a edição
brasileira do livro Absolute BSD se as pessoas pirateiam na cara dura?
Que motivação a editora teria para melhorar o seu produto?
Outra coisa que me deixa realmente intrigado (e agradeceria se alguém
conseguisse me explicar): como é possível que numa comunidade de
usuários de ferramentas de informática de alto nível, o cálculo mais
básico de aritmética não consiga ser feito? Baixar um pdf de 300, 400 páginas, comprar papel sulfite pra imprimir e gastar cartucho de tinta
ou toner de impressora a laser pra imprimir isso tudo e depois mais
uns
5 reais pra encadernar leva o custo final prum preço equivalente ao do
livro, então realmente eu não entendo. Entendo menos ainda se alguém
consegue ler 300 páginas na tela do micro...
Isso sem contar que uma pilha de papel sulfite impresso numa jato de
tinta nem se compara à qualidade gráfica de um livro...
E pra encerrar esse lamentável episódio: que motivação, eu como editor
de livros, terei na hora de soltar um convite aos participantes da
lista por textos para futuros lançamentos se os próprios são os
primeiros a fazer troca-troca de pdf?

[]'s
Georges

On 08 de jun de 2005, at 12:33, Ricardo Nabinger Sanchez wrote:

opa,

On 6/8/05, Antonio Carlos da Rocha Jr <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Caio Zentil wrote:

Olá.
tenho dois livros em pdf
absolute bsd
the freebsd complete album
depois mando o link!
Poderia mandar para mim tb?

pessoal, quanto a isso eu penso o seguinte:

* se a idéia é realmente usar o livro, e não apenas manter na
estante,
acho que o certo é comprar o livro mesmo.  as editoras (AWP e
O'Reilly, por exemplo) costumam ajudar um monte os projetos de
software livre, e os próprios autores, que precisam comer 3x por dia
pra continuar escrevendo/atualizando.

* se a idéia é ver qualé que é a do livro (olhar índice), mas não
pode
ou não quer investir o valor, então não compre o livro, e se
concentre
no material como o Handbook, que além de ser excelente (e, até onde
eu
sei, só o FreeBSD tem algo tão completo), a pessoa pode baixar o pdf
e
imprimir, mas sem prejudicar a editora e o autor.

os preços praticados pelas editoras são justos se levar em
consideração os custos envolvidos (a qualidade dos materiais, pelo
menos dos livros que comprei da AWP e O'Reilly, é altíssima), e as
editoras, como disse, ajudam os autores e projetos de software livre,
com doações de dinheiro e livros.

pra finalizar, penso que distribuir os pdfs dos livros não ajuda e
até
mesmo atrapalha os processos de documentação, pois se der prejuízo,
as
editoras não vão mais publicar os livros, e sem o auxílio financeiro,
provavelmente os autores vão investir seu tempo em outras coisas.

isso é a *minha* opinião, não tenho a intenção de ofender alguém com
isso.

--
Ricardo Nabinger Sanchez
GNU/Linux #140696 [http://counter.li.org]
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