In 2011 the magazine Ecos do Oriente published my article on the caste problem
among Catholics in Goa.
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Goeses cristãos ambíguosmenosprezam Jesus Cristo
(Serpentes venenosas procuram esposasgoesas)
O anúncio, inserido na secção dematrimónios na página dos classificados do
Navhind Times, era bem claro:«Católico romano brâmane, solteiro, de 35 anos de
idade, atraente, bemestabelecido, procura noiva nas mesmas condições». Católico
brâmane? Não era a primeira vez que, em pleno século XXI,um jornal diário de
Goa publicava propostas de casamentos nesses termos emdesafio à Constituição
indiana que expressamente condena a prática de discriminaçãopor castas. Também
a Conferência dos Bispos Católicos da Índia tem vindo a condenar,em diversas
ocasiões, a publicação de anúncios desse teor. O padre AlexGodinho, depois de o
ler, pensou que tinha chegado a hora de, numa das próximasprédicas dominicais,
dar um esclarecimento aos fiéis. “No terceiro domingo acontar de hoje - pensou
ele - até calhava bem, porque, a leitura do Evangelho versavasobre a presença
de Jesus Cristo e Maria, sua Mãe, num casamento em Caná daGalileia, onde
transformou a água em vinho.”
O templo estava repleto como sempre.Após a leitura do Evangelho, o padre Alex
exprimiu alto e bem claro: «- Esperoque todos tenham ouvido bem o episódio das
bodas de Caná, porque Cristo, Deusfeito Homem, ao marcar a sua presença, quis
demonstrar a santificação domatrimónio. O homem deixa o pai e a mãe para se
unir à sua mulher, e os doistornam-se uma só carne. O que Deus uniu, o homem
não o deve separar. Nesteassunto Jesus foi muito claro e preciso, embora os
homens possam violar as leisdivinas segundo os seus vícios e interesses
pessoais. Cabe a Deus julgar-nos. Hádois juízos: O juízo particular é logo
depois da morte. O juízo universal serádepois da ressurreição dos mortos no fim
do mundo. Por falar em matrimónios e comoos meus irmãos já sabem, aparecem nos
jornais, de vez em quando, propostas decasamentos em que são mencionadas castas
e é sobre isso que eu quero falar hoje;não querendo prolongar mais sobre a
indissolubilidade do casamento. Jesusproclamou, insistentemente, que todos são
filhos do mesmo Deus, e portanto,somos todos iguais. Para Deus, que gerou o
Universo do nada, não há castas, nemraças nem classes sociais! Mais ainda
porque fomos baptizados como cristãosassumindo o compromisso de O seguir. Nos
anúncios intitulam-se de brâmanes,chardós, etc. Falar de castas é falar doutra
religião e não da nossa. Perguntoeu, essas pessoas são cristãs ou hindus?
Cristo advertiu-nos: “-Ninguém pode servir a dois senhores. Porque,ou odiará a
um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro”.
Admitoperfeitamente que um hindu ortodoxo siga o que bem lhe aprouver apesar
deviolar a Constituição. Devemos respeitar as outras religiões e não
vamoscomentar as suas leis. Eles são “eles”, e, nós somos “nós”. “Nós” somos
cristãosbaptizados. Ou seguimos a Jesus ou, então, aos outros deuses. Jesus
Cristo não escolheuou dividiu os seus discípulos segundo as castas, grupos ou
classes sociais, quando,é certo, havia-os no Seu tempo: Os saduceus, os
doutores da lei (escribas), osfariseus, os zelotas, os herodianos, os essénios,
e samaritanos, estes últimosconsiderados como raça impura pelos judeus, o
equivalente aos ditos adivasis edalits na Índia. Imagino o que teria acontecido
se Jesus Cristo tivesse nascidoaqui em Goa nos nossos dias. Ele que
eracarpinteiro e filho adotivo do carpinteiro José! Ele que não era
doutor!Mais: Ele que escolheu para a constituição dos doze Apóstolos, entre
outros,pescadores analfabetos e um cobrador de impostos letrado. Certos goeses,
fariseusmodernos de Goa, tê-l’O-iam certamente votado ao desprezo.
Rigorosamente estessupostos cristãos nobres de meia-tigela estão a desprezá-l’O
nos nossos dias. OCristianismo chegou à Índia há dois mil anos pela mão do
Apóstolo S. Tomé, oDuvidoso, e ainda não foi entendido por essas cabeças duras
como pedras!Naturalmente, aqui na Índia ou na Europa, uma pessoa culta não é
obrigada adesposar outra iletrada, da mesma forma uma mulher médica e dita
civilizada nãopode ser forçada a casar com um pescador rude, porque esse
casamento,certamente, terminaria numa dolorosa separação. Evidentemente já é
condenávelse um médico dito brâmane não quiser casar com uma médica de uma dita
castabaixa só por causa da casta e não pela diferença de temperamento, carácter
oupersonalidade. É vergonhoso falar em cristãos desta ou daquela casta porque
osocidentais riem-se dessa classificação, desse “apartheid à indiana”. Uma vez
umturista alemão disse-me que alguns goeses cristãos ainda não tinham saído
daidade média, que se julgam civilizados mas não passam de boçais e que é
genteconvencida e bárbara. Uma vergonha para nós goeses cristãos!»
Alguns fiéis agitaram-se e sentiram-seincomodados. A maioria demonstrou sinal
de agrado e apoio, balançando cabeças eexibindo sorrisos. O padre Alex Godinho
tinha posto o dedo na ferida. Naturalde Mormugão, fora um aluno brilhante no
seminário de Nasihk (Maharashtra) e depoiscursara Teologia na Pontifícia
Universidade Gregoriana (PUG) em Roma.
Depois de ter tecido mais algumas consideraçõescontinuou: «-Se os analisarmos
em termos sociopolíticos e materiais, sãopessoas atrasadas e tem dificuldade em
adaptar-se aos tempos modernos. Alibertação de Goa ocorreu há 50 anos e estes
senhores julgam-se ainda na eracolonial, vivem num mundo de ilusões. Se os
analisarmos em termos teológicos,eles são o joio no meio do trigo e como Cristo
disse, o joio que foi semeadopelo demónio será lançado na fornalha de fogo.
Eles estão contra Cristo e contraa Constituição da nossa Índia que teima em ser
uma grande democracia aqui naÁsia onde ainda há ditaduras. Caros irmãos, existe
o ouro e existe o ouropel; o primeiro é ouro autêntico comos quilates que a lei
exige e o segundo é ouro falso, o fingido. Há o cristão autênticoe o cristão
pagão; o primeiro é aquele que aceitou a Palavra de Jesus Cristo eA põe em
prática e o segundo é o que quer seguir dois senhores ao mesmo tempo.
Cristovincou bem: - “Quem tem ouvidos, oiça. Quem puder entender, entenda.”
Irmãos,estas pessoas perdem o seu tempo ao, de forma hipócrita, orarem
“Senhor,Senhor!”, porque muitos são chamados e poucos são escolhidos.»
Até os poucos fiéis que normalmenteparecem dormitar durante o sermão desta vez
estavam bem acordados e com asorelhas bem abertas. O padre Alex era famoso
pelos seus sermões ao utilizar asPalavras de Cristo – repetindo-as sempre – e
que constam dos quatros Evangelhose por recontar as aparições de Guadalupe
(México), Lurdes e La Salette(França), Fátima, (Portugal), Knock (Irlanda),
Banneux e Beauraing (Belgica),Akita (Japão), Vailankanni (Tamil Nadu – Índia),
Kibeho (Ruanda – África), as recentesda Medjugorje (Bósnia – Herzegovina), etc.
Não permitia que as frasesproferidas por Cristo há dois mil anos ficassem
esquecidas. Não empregavafrases muito usadas e adjectivos repetidos até a
exaustão como era habitual ouvirda boca de outros pregadores. Evitava repisar,
tanto quanto possível, termosusados e abusados como “devemos praticar o bem”,
“revelação do mistério”, “odom de sermos justos”, etc., porque, pensava ele, os
mesmos já não entravam naquelascabeças duras.
«Castas, classes sociais, – prosseguiu opadre Alex – são criações humanas e tem
a ver com antigas tradições. Cristodisse: - “ Esvaziaste a palavra de Deus com
a vossa tradição” e mais adiantelembrou a profecia de Isaías que dissera aos
fariseus e doutores da Leihipócritas que não adiantavam nada ao prestarem culto
a Deus porque ensinavampreceitos humanos”. Mateus, 15,6-9. Esses grandes
“batkares” (latifundiários)quando citam a sua casta estão a auto-elogiar-se e a
elogiarem-se uns aosoutros. Ouçam o que Cristo disse: - Quem se eleva será
humilhado e quem sehumilha será elevado e quanto a vós, conheço-vos muito bem:
o amor de Deus não estádentro de vós. Como é que podereis acreditar, se viveis
a elogiar-vos uns aosoutros e não buscais a glória que vem do Deus único?” À
propósito, querocontar-vos o que vi há dois anos atrás na Tanzânia.
Encontrava-me na aldeia deLigullo juntamente com o padre Jordan que me
apresentou o chefe tradicionaldessa localidade, um régulo, dono de uns bois e
cabritos. Vestia um casacobranco desbotado, calções remendados, sandálias
desgastadas e na cabeça umchapéu de feltro sujo. Atrás de si, em atitude de
respeito e servilismo, doiselementos do povo estavam em troncos nus e
descalços. Ele, o régulo da aldeia aolado dos dois “pés descalços”, julgava-se
um grande senhor por ser dono de gadoe por estar vestido; ele estava no topo da
sua sociedade rural. Mas se fosse repentinamentetransportado de Ligullo para
Nova Iorque ou Londres seria visto como um mendigoe colocado na cauda da
sociedade urbana mais desenvolvida. O mesmo se passa comos nossos “batkares”.
Aqui em Goa ainda se julgam grandes senhores mas quandocomparados com os
porteiros impecavelmente fardados dos hotéis de 5 estrelasnova-iorquinos ou
londrinos não passam de “uns coitadinhos”. Quando estive aestudar em Roma,
reparei que as empregadas de limpeza italianas, depois da horado trabalho,
vestiam-se muito melhor do que as mulheres dos “batkares” goeses. Assituações
são relativas. Aqui julgam-se grandes, mas lá fora são
consideradosinsignificantes. Não se esqueçam de queJesus Cristo, a Segunda
Pessoa da Santíssima Trindade, lavou os pés dos discípulos.Aquele que é Mestre
e Senhor Imortal lavou e enxugou os pés dos Apóstolos!Deu-nos uma lição: Já não
se justifica nenhum tipo de superioridade porquesomos todos irmãos! Lembrem-se
sempre:Nós não somos eternos e depois da morte prestaremos contas a Deus.»
Entre os fiéis presentes encontravam-sealguns turistas de origem goesa vindos
da América e da Europa e estes sabiam doque o padre estava a falar. Outros
vindos de Mumbay podiam testemunhar que esseproblema praticamente já não se
punha nessa megalópole.
«- E agora termino. No Evangelho deMateus, 23, 27-33, podeis descobrir estas
palavras duras de Jesus Cristodirigidas aos grandes de então: “- Sois como
sepulcros caiados: por forabonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de
mortos e podridão. Serpentes, raça de cobras venenosas! Como éque poderíeis
escapar à condenação do inferno?” Caros irmãos! Deus além de Misericordioso é
severo. Porisso mesmo, e para terminar, pergunto eu, não estará Deus a ler
esses anúnciosda seguinte forma: Serpente, raça decobra venenosa, solteiro, de
35 anos de idade, atraente, bem estabelecido,procura cobra nas mesmas
condições?»
Pela primeira vez na história daquelaigreja de Salcete uma gargalhada mal
contida varreu o auditório de um extremoao outro. Mais uma vez ficou provado a
fogosidade do brilhante padre AlexGodinho e o povo adorava sermões concisos e
cirúrgicos. De resto elelimitava-se a repetir o que Jesus Cristo dissera há
2000 anos atrás e nãoacrescentava nada à Bíblia Sagrada.
Pedro Mascarenhas, 17 (Domingo de Ramos)de Abril de 2011
On Tuesday, August 15, 2023 at 10:54:27 PM GMT+1, Frederick Noronha
<[email protected]> wrote:
If I understand it right, "race" and caste statistics are not maintained
(except for SC/ST, meaning "Scheduled Caste" and "Scheduled Tribe"
populations). There has been a sharp debate over whether caste-based statistics
should be kept or not, with some Opposition parties in favour of it. Religion
statistics are however maintained. Overall, the Census statistics have been
made available in bulky if relatively inexpensively priced publications. The
earlier Censuses seem to have been more interesting, with even a study of
Mapusa town being undertaken in the 1970s or thereabouts. The last Census was
undertaken in 2011, and 2021 was not done,
Here is the Goa page on the Indian Census site:
https://www.censusindia.co.in/states/goaFN
On Wed, 16 Aug 2023 at 02:19, Eugene Correia <[email protected]> wrote:
Are the census for the recent years regarding the composition of people on
their race/identity/in-migration available in any archives or any particular
dept of the government?
Also like to know if these are accessible via internet, if there's a portal for
such items.
Thanking in advance,
Eugene Correia
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