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Lista: ibap (Fique atento: dicas no rodape!)
Mensagem enviada por: [EMAIL PROTECTED] (Eugenio Jose Cesario Rosa)
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        Ilustrado Dr. Francisco,

        Impossivel alguem com sua envergadura intelectual e experiencia comunitaria
nao entender do tema proposto. Entretanto, sua leitura estah resumida a um
dos objetivos das instituicoes universitarias, que por lei, sao tres:
ensino, pesquisa e extensao comunitaria. Ateh meados desta decada, ser
professor de universidade publica conferia certo prestigio e boa remuneracao
em relacao aas universidades privadas. Com excecoes, eh claro.  Daih que as
universidades publicas agregaram em seus quadros docentes certa elite do
Judiciario, do MP e da Advocacia, publica e particular. O resultado eh a
melhoria na transmissao de conhecimentos.

        Mas, caro professor, sabe-o bem que o aprendizado vai alem de receber
conhecimentos. Mais do que isso, conforme assinalado por Mortimer J Adler*,
eh preciso adquirir novos conhecimentos e mesmo reciclar os recebidos, para
que evoluamos. Este seria o papel das universidades, seria a "paid�ia", no
lugar da mera "humanitas".  Instrumentos para tanto, justamente a pesquisa e
as atividades de extensao, que permitiriam contato direito com as
necessidades da comunidade. Entretanto, estas sao atividades muito mais
dispendiosas do que a mera transmissao de conhecimentos adquiridos e sem
mais me alongar, o resultado aih estah a olhos vistos.

        Ocorre que as universidades publicas dispoem, ou melhor, sempre
dispuseram, de enorme massa de recursos, para alcancar tais objetivos. Nao o
fizeram, com honrosas excecoes. Por falta de tradicao, de quadros
preparados, por preguica, enfim, nao fizeram. Os departamentos ou faculdades
de ciencias sociais e humanas, notadamente, deixaram um deficit historico
para o pais, apesar de que cursos como o de Direito, tenham apresentado
excelentes resultados, na relacao aluno-mercado, ainda que restrito aa mera
transmissao de  conhecimentos recebidos, sem nenhuma contribuicao para a
ciencia e, portanto, apaticos na proposicao de reformas.

        Daih porque o Sr., eu e tantos outros que estudamos em instituicoes
publicas tenhamos obtido exito, inclusive alguma evolucao economica. Mas, em
nivel institucional a relacao que mencionei eh por demais deficitaria.

        Cordiais saudacoes!

        Eugenio J C Rosa

* - Autor d"A Proposta Paid�ia" - Estudo pedag�gico que, no limiar da grande
recessao americana do comeco do seculo, demonstrou as profundas causas
daquele drama na deficiencia do modelo educacional norte-americano, propondo
solucoes e, sendo aprovado no Congresso Nacional, tornou-se base para toda a
reforma educacional daquele pais, com os beneficios hoje conhecidos.
"Paid�ia" � expressao grega, que em sentido livre quer dizer "... a
aprendizagem geral que deve ser patrimonio de todos os seres humanos."


  compreensao aa respeito eh
-----Mensagem original-----
De: FRANCISCO DAS NEVES BAPTISTA <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>; [EMAIL PROTECTED]
<[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quinta-feira, 25 de Mar�o de 1999 17:45
Assunto: Re: [IBAP] 1) Boas vindas! 2) Ensino gratuito


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>Lista: ibap (Fique atento: dicas no rodape!)
>Mensagem enviada por: "FRANCISCO DAS NEVES BAPTISTA"
<[EMAIL PROTECTED]>
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>
>
>Caros Colegas:
>Ouso meter minha colher no debate acerca da Universidade publica,
>confessando, de logo, minha profunda ignorancia acerca da materia.
>Nos meus cerca de 20 anos de ensino superior, somente por dois anos
>lecionei, como contratado, na Universidade do Estado do Rio de
>Janeiro; no mais, estive sempre em instituicoes particulares. A
>despeito disso, tenho uma curiosa experiencia pessoal a respeito. E o
>seguinte: sou filho de um pequeno comerciante, que, por acidentes
>varios de percurso, ao fim da vida trabalhava de guarda-livros, para
>manter sua familia, em nivel de baixa classe media,  num apartamento
modesto,
> em arrabalde do Rio de Janeiro. Nao viveu para me ver na Universidade:
>custeei com meu trabalho o curso noturno de direito, em faculdade
particular.
>Ora, bem: sou, hoje, procurador municipal e advogado autonomo, com
>rendimentos expressivamente superiores aos que chegou meu saudoso pai
>a ganhar. Dois dos meus filhos jah se formaram e dois outros est|o
>cursando o terceiro grau, TODOS EM UNIVERSIDADES PUBLICAS.
> E nao porque me faltassem meios de pagar-lhes escolas particulares,
>ou porque me recusasse a paga-las: foram para a Universidade publica POR
>ESCOLHA PROPRIA, pela conviccao de que lah receberiam ensino de melhor
> qualidade do obtido em instituicoes privadas. Recorde-se que essa
conviccao
>deles foi, ha pouco, confirmada nos "provoes" do Ministerio da Educacao: o
>desempenho dos alunos de Universidades publicas tem sido,
>constantemente, superior ao dos oriundos das particulares.
>Creio que ha, realmente, algo de muito errado nisso tudo: natural
>seria que eu, filho de familia de poucas posses, tivesse estudado em
>escola do Estado e meus filhos, de familia melhor aquinhoada,
>cursassem escolas pagas. Mas, evidentemente, o erro nao estah na
>"ineficiencia" da Universidade estatal -- se lah estivesse, por certo
>os meus filhos teriam preferido valer-se do orcamento paterno,
>ligeiramente menos apertado que o avoengo, para buscarem as
>universidades particulares.
>Talvez eu esteja enganado -- e reitero a confissao de minha
>ignorancia na materia --, mas nao me soa bem essa critica aa
>Universidade publica em termos de "ineficacia no sentido economico".
>A producao de profissionais qualificados -- por exemplo, nos
>concursos publicos para carreiras juridicas,  aqui do Rio, invariavelmente
os
>candidatos melhor classificados procedem da referida UERJ, secundados pelos
> da UFRJ e da UFF, estes ultimos, nao raro, disputando com candidatos
>procedentes da UFMG e de outras instituicoes publicas dos Estados
>circunvizinhos; abaixo deles, em regra, eh que aparecem diplomados
>pela PUC/RJ, Faculdade Candido Mendes, Universidade Gama Filho, etc.
>-- nao me parece, com todas as venias, de escassa importancia
>economica, a nao falar-se do valor de tal producao para a cultura do
>Pais.
>Duvido muito que qualquer forma de "auto-financiamento" ou
>tributacao, direta ou indireta, do estudo contribua para correcao do
>que ha de distorcido nessa situacao. Em todo caso, repito -- pela
>terceira vez --, estou apenas "palpitando".
>Saudacoes.
>Francisco das Neves Baptista
>> Date:          Thu, 25 Mar 1999 11:23:16 -0300
>> To:            [EMAIL PROTECTED]
>> From:          [EMAIL PROTECTED] (Eugenio Jose Cesario Rosa)
>> Subject:       [IBAP] 1) Boas vindas! 2) Ensino gratuito
>> Reply-to:      [EMAIL PROTECTED]
>
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>> Lista: ibap (Fique atento: dicas no rodape!)
>> Mensagem enviada por: [EMAIL PROTECTED] (Eugenio Jose Cesario Rosa)
>> ----------------------------------------------
>>
>>
>>
>> Inicialmente, quero agradecer a oportunidade de participar de tao
>> prodigiosa lista, como convidado. Peco, portanto, venias aos colegas para
>> uma breve apresentaco. Nao vi regras do nosso "olner" a respeito, mas
>> tentarei escrever sem acentos ou cedilha, para facilitar o transito
>> eletronico.
>> Estando ha 8 anos na magistratura federal como Juiz do Trabalho, fui
>> parecerista juridico (assessor) da CISET-MEC, desde os tempos do Gov.
Joao
>> Figueiredo, posteriormente tendo aceito o desafio de ser professor e
>> advogado da Universidade Federal do Acre, naquele interregno tendo feito
>> varios trabalhos de auditoria para o MEC, atendendo a convocacSigmaes do
Sr.
>> Ministro, o ultimo deles, em 1991.
>> Esclareco que sou graduado e pos-graduado pela UnB, especializando-me em
>> Auditoria no Servico Publico, em 1990 tendo sido convidado expressamente
>> para assumir a procuradoria daquela Universidade e recusado o convite; e
>> que fui habilitado em concurso publico para a carreira de Analista de
>> Controle e Financas do TC/DF, na qual tomei posse mas n|o entrei em
exercicio.
>>
>> Portanto, douto colega Dr. Luiz R Nunes Padilla, de Universidade Publica
>> tenho "algum" conhecimento e, para o debate proposto, assinalaria que o
>> problema das IFE's esta em sua ineficacia - em sentido economico. Noutras
>> palavras, efetivamente eh irracional a estrutura criada em face dos
>> servicos prestados.
>> Por outro lado, a producao intelectual eh minima e quase sempre com
>> resultados que n|o se prestam as necessidades emergentes da comunidade.
>> Professores, como Kanitz, fazem mestrados e doutorados "abroad", por
conta
>> do Erario Publico, e depois de muitas idas e vindas, quando voltam em
>> definitivo, vao entregar seus conhecimentos em favor de melhorias
>> individuais. Se ficam somente na Universidade, isto eh, se efetivamente
>> assumem a tal DE - Dedicacao Exclusiva, o desestimulo, a falta de
motivacao
>> pessoal, atingem como doenca as musculosas asas intelectuas que
adquiriram
>> e atrofiam-nas.
>> Ainda destaco, como problema que coroa tudo isto, o enorme senso
>> corporativista das pessoas que fazem estas instituicSigmaes. A linha de
acao de
>> entidades como Andes, Andif, etc, com honorosas excecoes, invariavelmente
>> n|o apontam o caminho das necessarias reformas, preocupando-se mais em
>> manter o status quo e ateh em melhora-lo.
>> Concluo: O modelo de universidade publica que temos jah estah por demais
>> inadequado, principalmente porque estamos no Brasil. O problema do
>> atendimento a alunos carentes e alunos abastados nao serah resolvido por
>> ela, nem por paternalismos exacerbados. Eu mesmo fui aluno extremadamente
>> carente. Ocorre lembrar a filosofia popular de Luiz Gonzaga: "... esmola
>> para o homem sao, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadao." Um
programa
>> decente de bolsas de estudo e trabalho seria o ideal.
>> Poderia dizer mais, mas acho que jah eh suficiente contribuicao para o
>> debate proposto.
>>
>> Eugenio J C Rosa
>>
>> -
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>> Dicas:
>> 1. Duvidas e instrucoes diversas, procure por Listas em:
>> http://www.pegasus.com.br
>> 2. Treinamento a distancia: Redes TCP/IP: Teoria e Pratica
>> http://www.ganymede.com.br
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