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Lista: ibap (Fique atento: dicas no rodape!)
Mensagem enviada por: "Humberto Adami Santos Junior" <[EMAIL PROTECTED]>
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Prezados Colegas
A carta anexa me fez pensar a seguinte hip�tese:
Se tivesse que processar o Banco Mundial, qual o ju�zo seria o competente?
Humberto Adami
[EMAIL PROTECTED]
-----Mensagem original-----
De: Paul Dale <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>; [EMAIL PROTECTED]
<[EMAIL PROTECTED]>; [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>; [EMAIL PROTECTED]
<[EMAIL PROTECTED]>
Data: Domingo, 25 de Julho de 1999 01:31
Assunto: [DIVELAW] carta aberta sobre o Banco Mundial - para
circular/informar/pensar
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>Lista: divelaw (Fique atento: dicas no rodape!)
>Mensagem enviada por: [EMAIL PROTECTED] (Paul Dale)
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>
>
>Solicita-se ampla divulgacao ao documento a seguir...
>
>__________________________________________________________________________
>
>PE�O DEMISS�O.
>N�O QUERO SER C�MPLICE
>
>Carta Aberta de Pieffe Galand, Secret�rio-Geral da OXFAM - B�lgica,
>apresentando sua demiss�o do Grupo de Trabalho dos Organismos N�o
>Governamentais do Banco Mundial e de seu Conselho de Iniciativas
>*************************************************
>
>Aos Copresidentes do Banco Mundial
>Srs. Maezide N'Diede e James Adams
>
>Prezados Senhores,
>
>Na v�spera do q�inquag�simo anivers�rio de nascimento da Organiza��o das
>Na��es Unidas e das institui��es nascidas do Acordo de Bretton Woods,
desejo
>apresentar minha demiss�o do Grupo de Trabalho dos Organismos n�o
>governamentais do Banco Mundial e de seu Conselho de lniciativas. Tomo esta
>decis�o por honestidade intelectual e coer�ncia em face de muitos amigos
com
>os quais trabalho no Terceiro Mundo.
>
>Depois de ter tido, nos �ltimos tr�s anos, oportunidade de observar a
>conduta do Banco Mundial, associo-me a alguns colegas das ONGs que
acreditam
>ser a dissid�ncia a �nica estrada que conduz � justi�a social e � coer�ncia
>entre os povos. Supus que colaborando estreitamente com o Grupo de Trabalho
>das ONGs do Banco Mundial contribuir�amos para desenvolver uma
>co-responsabilidade para com o destino dos povos menos favorecidos da
Terra.
>Isto n�o aconteceu. A pobreza aumenta, a fome mata - certamente mais do que
>as guerras - e cresce todos os dias o n�mero daqueles que n�o conseguem
>atendimento m�dico, de jovens analfabetos e sem fam�lia, alcan�ando cifras
>sem precedentes. Todavia, os rem�dios propostos pelo Banco Mundial para o
>desenvolvimento s�o rem�dios envenenados que agravam os problemas.
>
>Na minha alma e consci�ncia sinto o dever de dizer BASTA . Os Senhores se
>apropriaram dos discursos das ONGs sobre desenvolvimento, sobre ecologia,
>sobre a pobreza e sobre a participa��o popular. Ao mesmo tempo, prop�em uma
>pol�tica de ajustes estruturais que agravam o "dumping" social nos pa�ses
>do Sul, deixando-os completamente s�s e indefesos sob o dom�nio do mercado
>mundial.
>
>As empresas multinacionais chegam ao Sul porque os Senhores e seus colegas
>do FMI criaram as condi��es necess�rias para produzir com o "menor custo
>social". A interven��o conjunta do Banco Mundial e do FMI representa uma
>press�o cont�nua sobre as economias para que sejam mais competitivas e
>produzam sempre mais.
>
>"Os rem�dios propostos pelo Banco Mundial s�o rem�dios envenenados que
>agravam os problemas."
>
>Este objetivo � alcan�ado somente com a incessante coa��o que exercitam
>sobre os governos para que economizem e reduzam os benef�cios sociais
>considerados muito onerosos. Do ponto de vista dos Senhores, os �nicos
>governos bons s�o os que aceitam prostituir suas economias no interesse das
>multinacionais e dos ONIPOTENTES GRUPOS FINANCEIROS INTERNACIONAIS. O Banco
>Mundial � uma institui��o respons�vel pelo desenvolvimento no mundo todo e
�
>tamb�m uma instituir�o cada vez mais arrogante. Tem o poder, nunca visto
>antes na hist�ria, de intervir nos assuntos internacionais e nos assuntos
>internos das na��es. Fixa as condi��es do desenvolvimento, mas n�o se
>considera respons�vel pelas suas conseq��ncias. O Banco Mundial aprendeu a
>elaborar excelentes an�lises e � capaz de falar de temas transcendentes
como
>participa��es populares - e em particular a da mulher - a luta dos povos
>contra a pobreza e a necessidade de proteger o ambiente.
>
>Mas vai al�m, defende os direitos humanos e os da minoria e faz press�o
>sobre os governos para que os respeitem. � at� capaz de tomar mais atraente
>seus ideais, assinalando o quanto � importante para o desenvolvimento que
>esta ou aquela na��o o fa�a.
>
>Diante de tudo o que foi dito, surge uma pergunta: por que s�o apresentadas
>t�o belas argumenta��es, seguidas de atua��es t�o escandalosas? Porque, na
>pr�tica, o Banco Mundial condiciona o seu apoio � aplica��o de pol�ticas de
>ajustamentos estruturais socialmente criminosas. O Banco Mundial � muito
bem
>informado sobre a pobreza, sobre o empobrecimento e sobre marginaliza��o
>de enormes setores da popula��o de nosso planeta. Portanto,
>trata-se de puro cinismo, de mentiras pol�ticas.
>
>Pessoalmente, creio que existe uma profunda m� f�, porque, afora os belos
>discursos, o Banco Mundial n�o � nada mais do que um instrumento a servi�o
>de um modelo ortodoxo de crescimento baseado na competi��o e n�o na
>coopera��o.
>
>� dever do Banco Mundial assegurar a todos - pequenos e grandes - a
>participa��o no mercado mundial. Muito raramente, mas com certeza n�o
agora,
>crescimento econ�mico � sin�nimo de desenvolvimento.
>
>Neste fim de s�culo, o crescimento e a competi��o s�o apenas meios para o
>enriquecimento sempre mais r�pido de uma minoria, sem que isto produza
>efeito para o desenvolvimento, a coopera��o ou a redistribui��o das
>riquezas. As desigualdades s�o cada vez mais profundas e a fome mata todos
>os dias milhares de pessoas sem que este estado de coisas provoque rebeli�o
>ou indigna��o. Enquanto o Banco Mundial mantiver sua insensibilidade
>pol�tica
>de ajustamentos estruturais, temos o dever de nos mobilizar e de mobilizar
o
>maior n�mero poss�vel de v�timas de tais ajustes para lutar contra este
tipo
>de interven��o.
>
>Depois de ter participado por tr�s anos e meio de um di�logo com o Banco
>Mundial na qualidade de membro de seu Grupo de Trabalho, apresento minha
>demiss�o porque creio que n�o existe nenhuma possibilidade de humanizar o
>Banco Mundial.
>
>A �frica morre e o Banco Mundial se enriquece. A �sia e a Europa Oriental
>v�em suas riquezas saqueadas e o Banco Mundial apoia as iniciativas do FMI
e
>do GATT que autorizam este saque de riquezas materiais e intelectuais. A
>Am�rica Latina, como outros continentes, v� com horror suas crian�as sendo
>usadas como for�a de trabalho e, o que � ainda mais horr�vel, como doadoras
>for�adas de �rg�os para o pr�spero mercado de transplantes da Am�rica do
>Norte. Nas suas argumenta��es, o Banco Mundial fala dos inevit�veis
>sacrif�cios que a estabiliza��o estrutural exige para que as na��es
>participem do mercado mundial globalizado, como se se tratasse de
atravessar
>o duro deserto para chegar � Terra Prometida do desenvolvimento. N�o quero
>ser c�mplice desta inexor�vel fatalidade pregada pelo Banco.
>
>Prefiro contribuir para sustentar as organiza��es dos camponeses sem terra,
>das crian�as de rua, das mulheres que nas cidades asi�ticas n�o querem
>vender seus corpos, dos trabalhadores e dos sindicatos que lutam contra o
>saque de seus recursos naturais e contra a desestrutura��o de sua
capacidade
>produtiva.
>
>Sei, por longa experi�ncia, que existem muitos amigos nas ONGs que pensam
>que um di�logo com o Banco Mundial seja �til para mudar pouco a pouco sua
>conduta institucional, orientando-a na dire��o do melhor julgamento dos
>pedidos de colabora��o e de desenvolvimento. Respeito essa posi��o e
>respeito a atitude daqueles que, no interior do Banco Mundial, esperam que
>um di�logo com as ONGs leve a mudan�as nas an�lises; mas, baseado na minha
>experi�ncia no Grupo de Trabalho, prefiro abandon�-lo antes de terminar meu
>mandato, porque n�o quero continuar a ser c�mplice.
>
>" A �frica morre e o Banco Mundial enriquece."
>
>Meus votos de fim de ano para o Banco Mundial s�o simples: cinq�enta anos
>bastam. Os Senhores est�o entre os principais inimigos dos pobres e dos
>direitos que eles defendem no �mbito das Na��es Unidas.
>
>Os Senhores s�o a m�quina mais extraordin�ria e sofisticada de rela��es
>p�blicas que existe no mundo para impor a todos uma angustiante sensa��o de
>fatalidade que leva ao conformismo e a aceitar que o desenvolvimento seja
>reservado a poucos e que para todos os outros, que n�o s�o considerados
>bastante competitivos nem domestic�veis, nada mais resta al�m da inevit�vel
>pobreza. O lan�amento de uma economia de desenvolvimento que promova a
>justi�a social mediante acessos do maior n�mero de pessoas a um sal�rio
>justo nos obriga a procurar com urg�ncia outra institui��o. Uma institui��o
>que substitua o Banco Mundial deve consentir que os seres humanos
participem
>e se beneficiem de a��es que lhes restituam a dignidade, garantindo-lhes
>alimenta��o e direito � diversidade, no quadro de um desenvolvimento co-
>dividido.
>
>Deixando o Grupo de Trabalho, sa�do os colegas que ainda respeito e exprimo
>o meu apre�o aos numerosos empregados dessa institui��o.
>
>S� com uma reestrutura��o e um novo empenho para modificar as Na��es Unidas
>e os organismos nascidos do Acordo de Bretton Woods criaremos condi��es
para
>empreender a guerra contra a fome e a favor da solidariedade, num
>desenvolvimento co-dividido entre todos os seres humanos.
>
>
>Atenciosamente
>
>
>Pieffe Galand
>Secret�rio-Geral da OXFAM - B�lgica
>
>__________________________________________________________________
> Paul Dale
> ACIMA
> Associacao de Profissionais em Ciencia Ambiental
> PROCAM - USP
> Programa de Mestrado em Ciencia Ambiental - USP
>
> Rua Antonieta Revoredo, 431 - CEP: 04725-010 - SP/SP
> Tel.: (55.11) 9222 7672
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