POR QUE DIZER NÃO AOS TRANSGÊNICOS

Olimpio Araujo Junior

Geógrafo-ambientalista; Diretor de Comunicação da Rede de Comunicação 
Ambiental EcoTerra Brasil  [EMAIL PROTECTED]
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Podemos citar dezenas de excelentes motivos para se dizer “NÃO” aos 
alimentos geneticamente modificados transgênicos, enquanto os defensores 
dos transgênicos só tem um argumento de peso a seu favor: o lucro.

A ganância por ganhar cada vez mais está fazendo muitos produtores 
fecharem os olhos para os problemas causados pelos transgênicos, e o 
pior, é que nem o próprio lucro está comprovado, pois segundo dados 
fornecidos pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Bio-segurança), 
entre os anos de 1996 e 2001, período de grande crescimento do plantio 
de alimentos geneticamente modificados nos Estados Unidos, a produção 
por hectare cresceu 4%, enquanto no Brasil, com sementes convencionais, 
durante o mesmo período, a produção aumentou 25%. Além disso, segundo 
dados da FAEP, a produtividade de soja brasileira, por exemplo, já 
alcança 4 toneladas por hectare, isso demonstra que não precisamos parar 
de produzir alimentos convencionais substituindo-os por geneticamente 
modificados.

Segundo o Dr. Dayuan Xue, professor do Instituto de Ciência Ambiental 
Nanjing, órgão ligado à Administração de Proteção Ambiental da China, em 
entrevista a Revista Planeta (Set. 2004), os transgênicos não são 
capazes de aumentar em nada a produtividade, pois todos os existentes 
até hoje são apenas resistentes a pragas e herbicidas, não são feitos 
para produzir mais.

De acordo com Jorge Proença, agrônomo da FAEP, “Seria tolice plantar 
transgênicos se o mercado comprador não aceita este tipo de produto” 
(Boletim Informativo FAEP/SENAR, nº 754). A soja convencional 
(não-transgênica), é tida como a maior vantagem competitiva do Brasil no 
mercado mundial, o que fez com que se torna-se o principal fornecedor da 
União Européia, que prefere consumir alimentos convencionais. No Brasil 
não é diferente, segundo pesquisa do IBOPE, de cada 100 pessoas que 
possuem conhecimentos sobre transgênicos, 71 rejeitariam produtos 
fabricados a partir dos mesmos na fabricação direta ou indireta de 
alimentos. Em julho de 2002, em pesquisa semelhante, o Greenpeace 
constatou um índice de rejeição de 74%.

Os transgênicos também são menos aceitos que os alimentos convencionais, 
e por isso, o país que produz transgênicos, acaba tendo seu mercado 
limitado. Se a intenção é lucrar mais, então por que não investir na 
soja orgânica, que além de natural, tem mercado garantido e preço muito 
maior que o da convencional ou que a transgênica?

Outro grande motivo para se dizer “NÃO” aos transgênicos é que os mesmos 
podem ser patenteados, e quando não existir mais sementes convencionais 
no mercado, as empresas detentoras de seus direitos poderão cobrar 
quanto quiserem por suas sementes, fertilizantes e agrotóxicos, 
controlando como queiram o mercado e o que deve ser utilizado pelo 
produtor. Por isso, o que é barato e lucrativo para ser produzido hoje, 
amanhã pode ser o pesadelo de quem planta. Os lucros da agricultura 
podem ser transferidos em um passe de mágica para as indústrias dos 
transgênicos, e então perderemos o superávit gerado pela agricultura, 
que impulsiona todo o resto do país.

Na luta pelo mercado internacional, os Estados Unidos da América, usam 
seus técnicos e sua imprensa como principal arma para vencer de forma 
suja e desleal seu maior concorrente: O Brasil. Suas multinacionais já 
iniciaram uma forte campanha publicitária tentando convencer 
agricultores brasileiros que os mesmos terão vantagem competitiva e 
maiores lucros com a produção de transgênicos. Além disso, 
misteriosamente sementes transgênicas contrabandeadas começaram a 
aparecer em nossas lavouras cada vez mais.

A luta contra os transgênicos é uma obrigação de cada cidadão e vai além 
de nossas mesas, podendo ser realmente encarado como um problema de 
soberania nacional.

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