Doria, Prever que crises capitalistas irão acontecer é fácil, especialmente depois de Marx. Difícil é dizer quando isso acontecerá. Nesse sentido, Kontratiev chegou mais perto do que Marx, mas foi surpreendido pela revolução da produtividade no pós-guerra e pelo surgimento dos meios de comunicação digital, que tornaram os ciclos mais curtos e difíceis de serem previstos. A propósito, fico um pouco surpreso com a falta de ênfase que está sendo dada, nessa crise, ao papel dos meios de comunicação digital. A falta de regulamentação dos mercados é um dos aspectos, mas isso será parcialmente resolvido com o bailout e com a provável eleição de Obama. A comunicação digital, contudo, continuará a existir, tornando tudo mais rápido e inprevisível.
[ ]s Alvaro Augusto de Almeida http://www.alvaroaugusto.com.br [EMAIL PROTECTED] ----- Original Message ----- From: Francisco Antonio Doria To: Rafael ; Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA Sent: Wednesday, October 01, 2008 1:32 AM Subject: Re: [Logica-l] Poeta, poeto e poetisa/governo de apedeutas Tem um amigo meu, grande economista matemático, que costuma dizer que a desgraça da teoria econômica é a microeconomia, paraíso da teorizaçã ortodoxa. Porque o que interessa é a macroeconomia - basta ver o que tá acontecendo agora, aliás, uma crise que você encontra predita em `malditos,' de Marx a Kondratiev - e a microeconomia é só o retrato de um instante macroeconômico. 2008/10/1 Francisco Antonio Doria <[EMAIL PROTECTED]> Contei o que vi, não o que li nalgum livro. Se quiser, acredite; se não quiser, sei lá... Sobre economia `ortodoxa': a crise de agora mostra bem a validade das teorias `ortodoxas.' E sugiro a você a leitura de um livro sobre o mercado livre - Karl Polányi, _The Great Transformation_. (E - bom, tenho alguns trabalhos publicados sobre modelos matemáticos em economia, assunto do qual conheço um pouco.) 2008/10/1 Rafael <[EMAIL PROTECTED]> O Palocci entende pouco de economia, o Lisboa é que deu as primeiras aulas para ele, Lula demorou a escolher o Palocci, e escolheou por falta de opção, era natural que nas ciências econÕmicas, o PT não tivesse agregado pessoas com essa competência. Não vamos esquecer, que era o partido que pregava o calote, era orgulhosamente contra a lei de responsabilidade fiscal, entre outras mágicas. Economistas sérios não tem muita afinidade com essas idéias "heterodoxas". Palocci não tinha essas habilidades, mas teve a inteligência suficiente de ter abraçado a agenda perdida e contratado o Lisboa para tocá-la.Tanto é que itens dessa agenda foram tocados. E era um ponto de frear o LUla, em sua fúria gastadora. O fato de Delfim ter influência, em um momento de excassez de talentos, dos males o menor. Quanto a indicação do Meirelles, o ex-presidente dá essa versão da história no livro dele: "Lula venceu Serra no segundo turno, não criei qualquer obstáculo ao futuro governo, pelo contrário, mas os mercados só se acalmaram quando, para surpresa de muitos, o Presidente eleito e o novo ministro da Fazenda, o ex-deputado e ex-prefeito de Ribeirão Preto (SP) Antônio Pallocci, mostraram claramente que seguiriam o curso traçado por meu governo. O primeiro sinal claro seria a designação do presidente do BC. Depois de ter tateado várias hipóteses, inclusive a da manutenção temporária de Armínio Fraga (defendida, entre outros, pelo recém-eleito senador petista pelo DF Cristovam Buarque), terminou por escolher Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do Banco de Boston, que acabara de se eleger deputado federal pelo PSDB de Goiás. Uma bela manhã, Lula, que como Presidente eleito já se instalara na Granja do Torto, telefonou-me e disse: - O presidente do BC vai ser um tucano, seu amigo. Explicou que seria Meirelles. Em seguida passou o telefone ao próprio recém-convidado para dirigir o BC, Felicitei-o mas lembrei: - Você terá de renunciar ao mandato e se afastar do PSDB. Meirelles me pareceu surpreso com a segunda ressalva. Ele de qualquer maneira teria de renunciar ao mandato. Mesmo assim, indagou: - Mas preciso também sair do partido? - Claro - respondi. Parecia-me evidente a resposta, não apenas pela posição técnica e neutra, e portanto apartidária, que o presidente do BC deve manter, como também pelo fato de que ele passaria a integrar um governo de um partido adversário do PSDB. Os mercados começaram a se acalmar, e o Brasil, a preservar a possibilidade de dias melhores. Passada a borrasca, em grande medida provocada pelas apreensões do mercado e de muita gente com a perspectiva de o PT ir para o poder, a situação econômico-financeira desanuviou-se a partir do segundo semestre de 2004. " Não nego que havia influências externa e interna para não se colocar um petista "heterodoxo". A situação estava ruim, barbeiragem naquele momento poderia ter consequências dramáticas .A preocupação com o Brasil era grande, o próprio Greenspan em sua recente biografia, faz menção a esse episódio. Qual era a garantia que o Lula não seria tão ruim quanto os aliados que ele tanta elogia e apoia , que fizeram hoje a cúpula do atraso? Hoje o que parece certo, não era tão certo. As comodities quadriplicaram, o mundo em expansão precisava de nossas exportações, ganhamos na loteria e fizemos pouco com o prêmio. abs, Rafael
_______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
