Caro Wagner,

> Legal sua apresentação da carteira de identidade: platonista!

  Entre outras identidades, é claro :-)

> Tenho algumas curiosidades, mas gostaria de perguntar só uma coisa. No
> caso de um programa errado (sabemos que as vezes, depois de muito tempo,
> "descobrimos" que ele estava errado) eles tambem pertencem ao ceu de
> Platão, estão lá para ser descobertos? Isso é deveras fantastico.

  No céu dos sistemas formais, nada se cria, nada se transforma. Tudo
apenas se indexa, se aponta...

  Considere um determinado tamanho T de programa (medido em número de
caracteres, por exemplo). Se há C caracteres na linguagem usada para
escrever o programa, então há "apenas" C^T (C elevado a T) programas
possíveis com esse tamanho.

  E todos eles estão nesse conjunto. Ao "escrever" um programa com esse
tamanho, você está apenas "selecionando" esse programa do conjunto
eterno de todos os programas de tamanho T possíveis de se escrever com C
caracteres em cada posição.

  Mas o interessante é que o mesmo vale para qualquer outro texto escrito.
Poesia, por exemplo. Não há mais do que C^T poemas escritos com T
caracteres de um alfabeto com C letras.

  Eles podem ser TODOS sistematicamente listados por um algoritmo muito
simples (talvez junto com um monte de lixo incompreensível e
sintaticamente errado, para simplificar o algoritmo).

  Então, não importa a individualidade do poeta, não importa sua
criatividade, suas idéias estéticas, não importa nada. Ao ele te
entregar o poema, depois de noites de elaboração, podes dizer:

  - Ah, sei. É o poema de número N na minha lista de poemas de tamanho T
feito com C caracteres. E viste como é legal o poema N+17?

  E o que vale para programas e poemas, vale também para qualquer texto
(literário, histórico, filosófico, etc...).

  Tudo já existe, no céu de Platão. Não há criatividade possível no mundo
dos objetos formais.

  Abraços,

  Rocha


> Um grande abraço,
>
> WS
>>
>> Em 25/01/2009 19:45, *[email protected] * escreveu:
>>
>>
>>     Eu, como um platônico convicto :-), acho que ninguém inventa
>>     nada, nem é
>>     pai de nada. As idéias são descobertas.
>>
>>     Cabral não conheceu nem a milésima parte do Brasil, Colombo não
>>     conheceu
>>     nem a milésima parte da América. Mas, até onde se aceita
>>     normalmente,
>>     foram eles que descobriram essas terras.
>>
>>     Mas claro, tá cheio de revisionismos históricos por aí.
>>
>>     Abraços,
>>
>>     Rocha
>>
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>>     Antônio Carlos da Rocha Costa
>>     Centro Politécnico
>>     Universidade Católica de Pelotas, RS, Brasil.
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