Caros colegas:

Há um conceito bem antigo, oriundo da Ciência do Egito Antigo, e revelado ao
Ocidente pela Cabala, que, na terminologia da mesma, é chamado de "Ayn
Soph". Quer dizer tudo quanto há. Neste sentido, tudo quanto existe, existiu
ou existirá já É em Ayn Soph, que pode ser traduzido para o português,
segundo um hermetista brasileiro, para "Consciência", que ele define como o
registro cósmico de toda existência.

Também, nesta acepção, tudo que alguém ou qualquer ser vivo está vivendo,
viveu ou pode viver não passaria de uma forma de acesso mental a Ayn Soph ou
à Consciência. A Consciência pode ser metaforicamente associada a uma sala
infinita onde todos os filmes, todas as histórias e todos os jogos estão
presentes no Aqui e Agora. Um dado ser nada mais faz que acessar um destes
filmes, histórias ou jogos. Obviamente, em particular, neste acervo estariam
presentes todos os teoremas, todos os sistemas lógico-matemáticos, e todos
os poemas e textos literários. Qualquer experiência que possa ser vivenciada
não é nada mais que um ponto de acesso a Ayn Soph (ou Consciência).

Em um sentido mais amplo, todo este universo, com seus planetas, estrelas e
galáxias não passaria também de um acesso mental a esta Consciência, ou
seja, a natureza do Universo é mental, não teria daí uma existência
absoluta, mas meramente relativa, dependente de um dado acesso mental.

a) Arthur Buchsbaum


-----Mensagem original-----
De: [email protected] [mailto:[email protected]]
Em nome de [email protected]
Enviada em: segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 16:45
Para: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de
LOGICA
Assunto: [Logica-l] céu de Platão

Caro Wagner,

> Legal sua apresentação da carteira de identidade: platonista!

  Entre outras identidades, é claro :-)

> Tenho algumas curiosidades, mas gostaria de perguntar só uma coisa. No
> caso de um programa errado (sabemos que as vezes, depois de muito tempo,
> "descobrimos" que ele estava errado) eles tambem pertencem ao ceu de
> Platão, estão lá para ser descobertos? Isso é deveras fantastico.

  No céu dos sistemas formais, nada se cria, nada se transforma. Tudo
apenas se indexa, se aponta...

  Considere um determinado tamanho T de programa (medido em número de
caracteres, por exemplo). Se há C caracteres na linguagem usada para
escrever o programa, então há "apenas" C^T (C elevado a T) programas
possíveis com esse tamanho.

  E todos eles estão nesse conjunto. Ao "escrever" um programa com esse
tamanho, você está apenas "selecionando" esse programa do conjunto
eterno de todos os programas de tamanho T possíveis de se escrever com C
caracteres em cada posição.

  Mas o interessante é que o mesmo vale para qualquer outro texto escrito.
Poesia, por exemplo. Não há mais do que C^T poemas escritos com T
caracteres de um alfabeto com C letras.

  Eles podem ser TODOS sistematicamente listados por um algoritmo muito
simples (talvez junto com um monte de lixo incompreensível e
sintaticamente errado, para simplificar o algoritmo).

  Então, não importa a individualidade do poeta, não importa sua
criatividade, suas idéias estéticas, não importa nada. Ao ele te
entregar o poema, depois de noites de elaboração, podes dizer:

  - Ah, sei. É o poema de número N na minha lista de poemas de tamanho T
feito com C caracteres. E viste como é legal o poema N+17?

  E o que vale para programas e poemas, vale também para qualquer texto
(literário, histórico, filosófico, etc...).

  Tudo já existe, no céu de Platão. Não há criatividade possível no mundo
dos objetos formais.

  Abraços,

  Rocha

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