João Marcos,
ótima a indicação das colunas do Hélio, felizmente ele está de volta após um
período de ausência.

Nessa coluna em particular, entretanto, ele confunde possibilidade lógica
com possibilidade física: um milagre NÃO é uma impossibilidade lógica. Que
Calvino e os católicos não possam estar ambos corretos TAMBÉM NÃO é uma
necessidade lógica, pois depende da lógica empregada. Defendo a lógica
clássica, portanto, nesse caso, estou APENAS desempenhando o papel de
advogado do diabo, pois tendo a concordar que Calvino e os católicos não
podem estar ambos corretos (apesar dos esforços irenistas de Leibniz para
conciliá-los!)

Milagres são eventos extraordinários. Entendo pouco de física, mas as
teorias físicas mais recentes não postulam que o universo surgiu de um
evento extraordinário? (posso usar a palavra "evento" quando ainda não há
universo? posso usar "ainda"? posso usar "haver"? isso não cheira a teologia
apofática?) Talvez Doria ou outro colega especialista em física possa
esclarecer a questão.

O assunto é doloroso para mim, suscita sentimentos estranhos. Mas, talvez
não seja possível afastá-lo do horizonte das discussões, talvez sem uma
metafísica definida não haja uma lógica possível.

A razão exige a verdade, mas, às vezes, a razão parece não ser tudo o que
importa. Apesar de haver muita gente ruim a serviço de um "deus tirano", há
indivíduos bons, de coração puro (aasim como há indivíduos bons, de coração
puro, que não estão a serviço de um "deus tirano"). Por que importuná-los?
Serão melhores, caso conheçam a uma verdade metafísica, ou piores, caso se
entreguem a uma falsidade metafísica? Não sei, não tenho respostas para
isso, por isso os sentimentos estranhos.
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