Outra coisa: tudo que acontece dentro do mundo é natural, ordinário. Mesmo
que a gente não compreenda o acontecido, momentaneamente.

2009/7/26 Francisco Antonio Doria <[email protected]>

> Não qualificaria o surgimento do universo de `extraordinário.' Só se fosse
> algo de fora das leis da física, e não parece ter sido.
>
> Você fala em `verdade.' Parece ser, este conceito, algo essencialmente
> ocidental, e recente. Ueritas, em latim, não é cognato a alétheia, em grego.
> Hitita não tinha palavra para verdade; sânscrito védico, também não. Ou
> seja, no IE comum, e muito menos no PIE, esse conceito não parece ter
> existido.
>
> 2009/7/26 Frank Thomas Sautter <[email protected]>
>
>> João Marcos,
>> ótima a indicação das colunas do Hélio, felizmente ele está de volta após
>> um período de ausência.
>>
>> Nessa coluna em particular, entretanto, ele confunde possibilidade lógica
>> com possibilidade física: um milagre NÃO é uma impossibilidade lógica. Que
>> Calvino e os católicos não possam estar ambos corretos TAMBÉM NÃO é uma
>> necessidade lógica, pois depende da lógica empregada. Defendo a lógica
>> clássica, portanto, nesse caso, estou APENAS desempenhando o papel de
>> advogado do diabo, pois tendo a concordar que Calvino e os católicos não
>> podem estar ambos corretos (apesar dos esforços irenistas de Leibniz para
>> conciliá-los!)
>>
>> Milagres são eventos extraordinários. Entendo pouco de física, mas as
>> teorias físicas mais recentes não postulam que o universo surgiu de um
>> evento extraordinário? (posso usar a palavra "evento" quando ainda não há
>> universo? posso usar "ainda"? posso usar "haver"? isso não cheira a teologia
>> apofática?) Talvez Doria ou outro colega especialista em física possa
>> esclarecer a questão.
>>
>> O assunto é doloroso para mim, suscita sentimentos estranhos. Mas, talvez
>> não seja possível afastá-lo do horizonte das discussões, talvez sem uma
>> metafísica definida não haja uma lógica possível.
>>
>> A razão exige a verdade, mas, às vezes, a razão parece não ser tudo o que
>> importa. Apesar de haver muita gente ruim a serviço de um "deus tirano", há
>> indivíduos bons, de coração puro (aasim como há indivíduos bons, de coração
>> puro, que não estão a serviço de um "deus tirano"). Por que importuná-los?
>> Serão melhores, caso conheçam a uma verdade metafísica, ou piores, caso se
>> entreguem a uma falsidade metafísica? Não sei, não tenho respostas para
>> isso, por isso os sentimentos estranhos.
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