Para prosseguir a discussão de forma "non-question begging", é necessário definir alguns termos, como no que consiste uma "causa natural".
Na acepção de "Natureza" que favoreço - modificada da definição do historiador Richard Carrier - agência, intencionalidade, processos teleológicos, consciência, cognição e qualquer outro aspecto da mentalidade é ontologicamente dependente de propriedades não-mentais. Entes e processos sobrenaturais seriam aqueles que exibissem mentalidade de forma genuinamente autônoma, constitutiva do mobiliário ontológico fundamental do mundo. Dentre os exemplos populares que satisfariam esses critérios, há deuses, fantasmas, talismãs mágicos, feitiços, etc. Não existe em princípio o menor impedimento em se testar empiricamente hipóteses de fenômenos sobrenaturais. Se a melhor ontologia do mundo for sobrenatural, a Ciência irá nos informar disso. Naturalismo metodológico, a tese de que apenas fenômenos naturais estão no escopo de investigações científicas, é falso. Se vocês tiverem a oportunidade de conferir edições antigas da Scientific American da segunda metade do Século XIX, poderão estranhar a quantidade de matérias sobre casas mal-assombradas, poltergeists e séances espíritas. Eram alegações sobrenaturais levadas a sério pelo mainstream científico anglo-americano da época (e assim o foram até a década de 1920). Como exemplo de um teste crucial contemporâneo de uma hipótese sobrenatural, a John Templeton Foundation gastou US$ 2,5 milhões de dólares durante anos para investigar se existia algum link causal entre prece intercessória anônima e recuperação de doenças cardiovasculares. Nenhum efeito estatístico significativo foi observado (na verdade, o grupo de controle que não recebeu prece intercessória se deu um pouquinho melhor). Religiões rotineiramente realizam alegações sobrenaturais sobre a história, o mundo e a psicologia humana que estão perfeitamente dentro do escopo do escrutínio científico e que são sistematicamente falsas. Não há "magistérios não-interferentes" ( http://en.wikipedia.org/wiki/Non-Overlapping_Magisteria), este conceito é uma ficção socialmente conveniente e politicamente correta. [ ]'s 2009/7/27 Francisco Antonio Doria <[email protected]> > Outra coisa: Carnap tinha horror a uma frase de Heidegger: das Nichts > nichtet. Que é um pouco feito aquele verso de Gertrude Stein (aliás, para > Alice B. Toklas), A rose is a rose is a rose. > > Sem sentido, cheios de significados... > > 2009/7/27 Wagner de Campos Sanz <[email protected]> > >> Caros Frank e Dória, >> >> >> Um pouco atrasado, volto a discussão sobre Deus e os milagres. >> Mesmo sendo ateu, acho que o Frank defendeu de modo equilibrado sua >> posição. >> Parece-me haver um problema básico nos argumentos do Dória. Ele disse >> acreditar que tudo que ocorre ocorre por causas naturais ou que admite >> explicações naturais, mais precisamente: "tudo que acontece dentro do >> mundo é natural, ordinário". Porém, obviamente, essa não é uma asserção >> verificável; na melhor das hipóteses é uma tese metodológica. Mas, nesse >> caso, o problema resta no pé em que está. >> Se não for metodológica, deveria ser metafísica e retornamos ao problema >> do seu fundamento. Deus seria o fundamento último para a tese? >> >> PS: Em alguns outros mails já havia me deparado com outro problema. Eu >> particularmente não vejo significado algum dizer que Deus existe e Deus >> não existe. Se serviu pra fazer silenciar ao Carneiro Leão, então deve >> ter algum significado (da importância nem falo, pois isso deduz-se pelo >> efeito!). Qual seria? >> >> WS >> >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> > > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > >
_______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
