Olá Rodrigo.

Como disse, acho Psicologia Topólógica e Vetorial genial.

A começar por utilizar a Topologia. Se considerarmos que o objeto da
Psicologia (contemporânea) é o comportamento (em oposição ao antigo "estudo
da alma", que cada um interpretava como queria), a Topologia permite, no
caso do estudo do comportamento, que estudemos mais a coordenação dos
comportamentos do que seus tempos de execução ou extensões no espaço
envolvidos, pois a métrica não é seu objeto central de estudo (apesar de
poder ser considerada também).

Um conceito central da Psicologia Topólógica e Vetorial é o Espaço de Vida
ou Espaço Vital (Life Space) que, como consta no Vocabulário (
http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/LewinV.htm)
é

"A totalidade de fatos que determinam o
comportamento<http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/LewinV.htm#comportamento>
(C)
de um indivíduo num certo momento. O espaço vital (E) representa a
totalidade de possíveis eventos. O espaço vital inclui a
pessoa<http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/LewinV.htm#pessoa>
(P)
e o 
ambiente<http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/LewinV.htm#ambiente>
(A).
C = f (E) = f (P, A)"

Mas como determinar a "totalidade" de fatos que determinam o comportamento?

Para a aplicação da definição de Espaço Vital não precisamos, pois pelo
"Método de aproximação", temos que:

"Este método determina, primeiro, a
estrutura<http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/LewinV.htm#estrutura>
 do espaço 
vital<http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/LewinV.htm#espacovital>
como
um todo e avança gradualmente, determinando cada vez mais propriedades
específicas até ser atingido o máximo de exatidão."

Assim, precisamos apenas chegar à exatidão necessária para explicar o tipo
de comportamento que pretendemos e o termo "totalidade", na definição,
apenas nos mostra que podemos continuar, se precisarmos.

Logo, o primeiro passo é representar o Espaço Vital como um todo, sem
representar suas partes, como, por exemplo, na Figura 1 anexada.

A partir daí, trata-se de estabelecer as regiões dentro do Espaço Vital (as
quais servem para classificar os "fatos que determinam o comportamento").
Por exemplo, há fatos que são considerados estar no interior da pessoa;
assim, a própria pessoa é considerada uma região do Espaço Vital, como na
Figura 2 anexada.

Pode haver mais de uma pessoa, caso estejamos considerando um grupo (aliás,
a Psicologia de Grupo é uma das partes mais estudadas da obra de Lewin).
Nesse caso, o Espaço Vital é a totalidade dos fatos que determinam o
comportamento daS pessoaS do grupo nem certo momento e existe uma região
para cada pessoa no Espaço Vital, como por exemplo, na Figura 3.

A partir daí, determinamos as demais regiões, que, por limitação de espaço
(e tempo) não vou fazer aqui. Na Figura 4, temos um exemplo do Espaço de
Vida que Lewin apresenta para a situação de um rapaz que quer ser
médico.Legenda: P, pessoa; O, objetivo, ac, exame de admissão; c, colégio;
m, escola médica; i, internato, cl, prática clínica.

Podemos então começar a estabelecer as "valências", que são como cargas, de
certas regiões: valência positiva, indica atração por aquela região;
valência negativa, repulsão por aquela região. Podemos também desenhar as
forças que levarão à movimentação de certas regiões para outras, como a da
região da pessoa para uma outra região (nesse sentido, a Psicologia
Topológica e Vetorial é uma geometrodinânica ou uma dinâmica de estruturas
espaciais). Na Figura 5 desenhei uma valência e uma força, no diagrama
apresentado por Lewin.

Claro que, na situação, podem existir outras valências e forças, como, por
exemplo, P pode ter muito receio do exame de admissão; logo, a região ac
teria uma valência negativa, o que geraria um conflito e uma tensão em P,
como na Figura 6.

Podemos notar que, a partir daí, um dos principais problemas da Psicologia é
estabelecer leis de quando e como essas valências surgem, o que também é
indicado pela equação C = f (E) = f (P, A) presente na definição de Espaço
Vital acima.

Quanto às perspectivas para a Psicologia Topológica e Vetorial, penso que,
do ponto de vista teórico, são muito boas, pois ela é bem simples e
metodologicamente poderosa, e, do ponto de vista da prática, penso que
quanto mais o uso da Matemática for incorporado pelas Ciências Humanas (o
que julgo inevitável), mais ela ganhará espaço para ser compreendida.

Quanto à utilização da Teoria dos Jogos, apenas lembro que os agentes
definem valores, pesos, para cada resultado possível, o que tem a ver com as
valências mencionadas acima; acho a Teoria dos Jogos uma boa
ferramenta também , mas a Psicologia Topológica e Vetorial trata de
situações mais gerais (aliás acho que as duas juntos formam um bom modelo).

Mas ressalto, por fim, que para mim ESTÁ CLARO QUE NUNCA EXISTIRÁ UM MODELO
COMPLETO PARA A DESCRIÇÃO E EXPLICAÇÃO DO COMPORTAMENTO HUMANO, teremos de
nos contentar com o Método de Aproximação acima e mesmo com a aproximação ao
conjunto de leis C = f (E) = f (P, A) que determinariam o comportamento
humano.

Um forte abraço,
Ricardo.



2009/12/19 Rodrigo Oliveira <[email protected]>

>
> Olá Ricardo,
>
> Estou lendo este livro e já havia pensado em lhe perguntar a respeito, pois
> vi o vocabulário na sua página. Se pudesse, gostaria de vê-lo falar um pouco
> mais sobre a psicologia topológica e vetorial. Que perspectivas você vê?
> Fala-se que a teoria dos jogos talvez pudesse servir como um modelo para a
> interação humana. Que acha disso? Ainda não terminei o livro, mas a proposta
> dele sem dúvida é atraente.
>
> Abraço
>
> Rodrigo
>
>
> ------------------------------
> Date: Sat, 19 Dec 2009 14:03:11 -0200
> From: [email protected]
> To: [email protected]
> Subject: [Logica-l] Lógica, Matemática e Psicologia.
>
> Olá a todos.
>
> Para aqueles que gostam do tema da utilização da Matemática e da Lógica em
> Psicologia (ou mesmo de fundamentos da Psicologia) recomendo fortemente o
> livro de Kurt Lewin, *Princípios de Psicologia Topolótica* (
> http://books.google.com.br/books?id=4fbaSj481NwC&printsec=frontcover&dq=topological+psychology&cd=1#v=onepage&q=&f=false)
> que tem tradução para o Português (
> http://www.traca.com.br/livro/57074/principios-de-psicologia-topologica) e
> que, apesar de esgotada, pode ser achada facilmente nos sebos.
>
> Pode-se encontrar o vocabulário desse livro em meu site (
> http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Docentes/RicardoTassinari/LewinV.htm
> ).
>
> Existem ainda outros livros dele nos quais ele aplica os conceitos desse
> livro.
>
> Acho a Psicologia Topológica e Vetorial criada por ele genial e acho que a
> Psicologia perde muito em objetividade (enquanto ciência) por não dar
> continuidade aos seus trabalhos (ou mesmo por não criticá-los de forma
> consistente); e não dá para entender, já que sua matemática é simples, pois
> sendo topologias em conjuntos finitos, trata-se apenas de teoria de
> conjuntos finitos.
>
> Quem quiser pesquisar e conversar sobre o tema, é uma psicologia que gosto
> muito.
>
> Abraços,
> Ricardo.
> --
> Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia
> UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília
> Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari
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