----- Original Message ----- 
From: "Matheus" <[email protected]>
To: "Walter Carnielli" <[email protected]>
Sent: Thursday, January 28, 2010 11:15 PM
Subject: Re: [Logica-l] A implicação paraconsisntente como antídoto (mas não 
panacéia)


>
> Caro Walter
>
> de fato estamos às voltas com o velho paradoxo da condicional material. O 
> que me chamou atenção na explicação do Edwards é que é uma tentativa 
> sistemática de demonstrar como e em que medida a condicional material pode 
> ser inadequada na formalização de argumentos.  Dizer que a condicional 
> material é esquisita e pouco intuitiva não nos serve de muita coisa.
>
> Sobre a implicação paraconsistente: mais uma consequência interessante 
> associada aos sistemas de paraconsistência.
>
> Quanto ao erro de português: agradeço pela correção! Eu sempre cometo um 
> ou outro erro de português.
>
> Abs
> Matheus
>
> ----- Original Message ----- 
> From: "Walter Carnielli" <[email protected]>
> To: <[email protected]>
> Sent: Thursday, January 28, 2010 10:09 PM
> Subject: [Logica-l] A implicação paraconsisntente como antídoto (mas não 
> panacéia)
>
>
> Caro Mateus:
>
>
> parece claro que boa parte desses  "Casos em que a condicional
> material é verdadeira num menor número de
> circunstâncias"  ou "casos em que a condicional material é verdadeira
> num número menor de circunstâncias que a sua equivalente em linguagem
> natural"  é apenas o velho problema dos paradoxos da  implicação
> material  de  roupa  (semi)nova.
>
> Em particular, no exemplo  que  você  menciona:
> "Todo mundo conhece a regra de fortalecimento do antecedente que nos
> permite a inferência: P então Q, logo (P e R) então Q O problema é que
> se aceitarmos isso teremos que dizer que os argumentos abaixo são
> válidos:
>
> 'Se risco o fósforo, ele acenderá. Logo, se mergulho o fósforo por uma
> noite inteira na água e o risco, então ele acenderá'.  "
>
> Esse caso extremo é apenas a manifestação da  regra de fortalecimento
> do antecedente   no caso em  que R  é não-P:
>
> P então Q, logo (P e nao P ) então Q
>
> que é válida, desde que a lógica clássica  é explosiva  (  P e não-P
> implica materialmente  qualquer coisa) e  o mesmo vale para a
> condicional em linguagem natural.
>
> Ora,  a 'regra de fortalecimento do antecedente'  causa  problemas
> exatamente  nestes caso, onde R tem o mesmo valor de verdade que
> não-P.
>
> A  implicação paraconsistente  nos salva pelo menos destes casos. Mas
> não de todos os paradoxos da  implicação material clássica.  Já é,
> contudo, uma grande coisa.
>
> PS- permita-me  notar que  fósforos   não "ascendem"  como os santos,
> mas "acendem"...:-)
>
>
> Abraços,
>
> Walter
>
>> 2010/1/28 Matheus <[email protected]>
>>
>>> Olá Ricardo
>>>
>>> eu estou trabalhando com isso na minha pesquisa de mestrado. A 
>>> condicional
>>> material parece não captar adequadamente as condições de verdade da
>>> condicional da linguagem natural. Há um ou outro caso que parece 
>>> desmentir
>>> isso, vou citar dois (como não estou certo se os símbolos dos conectivos 
>>> vão
>>> aparecer nos emails de todos, vou colocá-los em linguagem natural mesmo:
>>>
>>>
>>>
>>> P ou Q logo ~P então Q
>>>
>>> Ou o mordomo é o assassino ou o jardineiro é o assassino. Portanto, se o
>>> mordomo não é o assassino, o jardineiro é o assassino.
>>>
>>>
>>>
>>> ~(P e Q) logo P então ~Q
>>>
>>> O mordomo e o criado não são ambos inocentes. Logo, se o mordomo é
>>> inocente, o criado não é inocente.
>>>
>>>
>>> Há também alguns exemplos de linguagem natural, como o mencionado pelo
>>> Adolfo antes, que parecem reforçar a idéia de que a condicional material
>>> capta adequadamente as condições de verdade da condicional da linguagem
>>> natural. Contudo, há uma avalanche de casos que apontam num sentido
>>> contrário. Ao meu ver a passagem da linguagem natural para a lógica
>>> verofuncional é tão problemática quanto a passagem da lógica 
>>> verofuncional
>>> para a linguagem natural, entendendo por passagem aqui a preservação de
>>> validade dos argumentos. Por exemplo, Edwards em* "**A Confusion about 
>>> If
>>> . . . Then" *apresenta casos em que a condicional material é verdadeira
>>> num número maior de circunstâncias do que a sua equivalente em linguagem
>>> natural e apresenta casos em que a condicional material é verdadeira num
>>> número menor de circunstâncias que a sua equivalente em linguagem 
>>> natural:
>>>
>>>
>>> *Casos em que a condicional material é verdadeira num maior número de
>>> circunstâncias *
>>>
>>> P então Q
>>>
>>> (P então Q) ou R
>>>
>>> ~[(P então Q) então R]
>>>
>>> R então (P então Q)
>>>
>>> ~[R então ~(P então Q)]
>>>
>>>
>>>
>>> *Casos em que a condicional material é verdadeira num menor número de
>>> circunstâncias*
>>>
>>>
>>> ~(P então Q)
>>>
>>> ~[(P então Q) ou R]
>>>
>>> ~(P então Q) ou R
>>>
>>> (P então Q) então R
>>>
>>> R então ~(P então Q)
>>>
>>> ~(P então Q) e ~R
>>>
>>>
>>>
>>> Entre outras coisas isso quer dizer que a condicional material é
>>> logicamente mais fraca do que a condicional da linguagem natural, 
>>> asserindo
>>> menos do que ela, ao passo que a negação da condicional material ~(P 
>>> então
>>> Q) é mais forte em relação à negação da condicional natural. A partir 
>>> disso
>>> ele mostra que dada qualquer afirmação contendo um "se-então", se ele 
>>> ocorre
>>> como uma premissa em um argumento e a substituição do "se-então" pela
>>> condicional material é inofensiva, então a substituição não será 
>>> inofensiva
>>> em qualquer argumento em que essa afirmação for a conclusão. E, vice 
>>> versa,
>>> dada qualquer afirmação contendo um "se, então", se ela ocorre como a
>>> conclusão de um argumento e a substituição de "se, então" pela 
>>> condicional
>>> material é inofensiva, então a substituição não será inofensiva em 
>>> qualquer
>>> argumento em que essa afirmação apareceu como uma premissa. Ao dizer que 
>>> a
>>> substituição de "se, então" pela condicional material é inofensiva, eu 
>>> quero
>>> dizer que se o argumento em que a condicional material ocorre é válido 
>>> de
>>> acordo com o cálculo proposicional, então o argumento em que "se, então"
>>> aparece é válido".
>>>
>>>
>>> Penso que o exemplo que o Adolfo apresentou é fraco se comparado com 
>>> outros
>>> exemplos da linguagem natural que mostram inadequação da condicional
>>> material. Para citar só dois exemplos.
>>>
>>> 1) Todo mundo conhece a regra de fortalecimento do antecedente que nos
>>> permite a inferência: P então Q, logo (P e R) então Q
>>> **
>>> O problema é que se aceitarmos isso teremos que dizer que os argumentos
>>> abaixo são válidos:
>>>
>>>
>>> ?Se risco o fósforo, ele ascenderá?. Logo, ?se mergulho o fósforo por 
>>> uma
>>> noite inteira na água e o risco, então ele ascenderá?.
>>>
>>>
>>>
>>> ?Se eu colocar açúcar no meu café ele ficará saboroso. Se eu colocar 
>>> açúcar
>>> e óleo diesel no meu café, ele fiará saboroso?.
>>>
>>> **
>>>
>>> 2) Sabemos que a condicional material é um cáculo verofuncional a partir 
>>> do
>>> valor de verdade de suas partes componentes. Não há meios de avaliar o
>>> conteúdo das condicionais na tabela de verdade e qualquer exigência de
>>> relevância do antecedente para o consequente é descartada. O problema é 
>>> que
>>> há inúmeros exemplos de condicionais que são verdadeiros ou falsos em 
>>> função
>>> da relevância do antecedente para o consequente. Por exemplo, a frase 
>>> "Se
>>> Fernando Pessoa é australiano, então ele é português" é falsa, pois 
>>> exprime
>>> uma conexão geográfica incorreta. O problema é que a partir da lógica
>>> clássica teremos que dizer que é uma frase condicional verdadeira, pois 
>>> o
>>> consequente "ele é português" é verdadeiro.
>>>
>>>
>>>
>>> É importante entender o significado dessa discussão sobre a adequação da
>>> condicional natural. Isso não é uma disputa entre partidários da lógica
>>> clássica e defensores de lógicas não-clássicas mais desviantes, nem é 
>>> uma
>>> disputa entre partidários de uma concepção de linguagem comum e 
>>> partidários
>>> de uma concepção de linguagem ideal. Um defeito na lógica clássica não
>>> estabelece a vantagem de lógicas rivais nem implica que devemos confiar
>>> apenas numa noção intuitiva de validade. A questão é saber se a 
>>> condicional
>>> material é uma tradução correta da condicional natural. A discussão de
>>> revisão ou não da lógica clássica e propostas de novos sistemas formais 
>>> que
>>> captem melhor o funcionamento semântico da condicional natural é uma
>>> discussão que é relacionada, mas é diferente. É claro que esta também é 
>>> uma
>>> discussão importante, sobretudo em semântica formal. Basta ver a 
>>> quantidade
>>> enorme de propostas e sistemas na literatura de lógica dos condicionais. 
>>> Só
>>> pra citar alguns nomes pensem nos sistemas de Belnap e Anderson, N.
>>> Rescher, Ernest Adams e William Cooper.
>>>
>>>
>>>
>>> Abs
>>>
>>> Matheus
> ++++++++++++++++++++++++++++++++++++++
> Walter Carnielli
> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE
> State University of Campinas –UNICAMP
> P.O. Box 6133 13083-970 Campinas -SP, Brazil
> Phone: (+55) (19) 3788-6519
> Fax: (+55) (19) 3289-3269
> e-mail: [email protected]
> Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli
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> Logica-l mailing list
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> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l 


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