Olá Matheus e a todos.

Penso que sua dissertação será interessante; assim que a defender, mande um
link para nós.

Bem, o que quero dizer com a condicional ser um tipo de implicação é (pelo
menos) o seguinte:

Ela serve como implicação em várias teorias formais.

Para citar dois exemplos, temos os estudos realizados em teorias formais dos
números ou em teorias formais de conjunto (cf., por exemplo, Mendelson, E.,
Introduction to Mathematical Logic, Cap.3, Formal Number Theory, e Cap 4.
Axiomatic Set Theory:
http://books.google.com.br/books?id=ZO1p4QGspoYC&dq=Mendelson,+Introduction+to+Mathematical+Logic&printsec=frontcover&source=bn&hl=pt-BR&ei=08piS_XFNZSXtgeW_rWkBg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CB0Q6AEwAw#v=onepage&q=&f=false
)

Sabemos dos defeitos que ela tem, mas, nestes casos, ela tem um desempenho
satisfatório.

Em especial, o Teorema da Dedução nos permite estabelecer uma relação
precisa entre dedução e a condicional.

Só para citar um caso temos que se A deduz B se, e somente se, A=>B é
tautologia.

Assim, nestes casos, USAMOS a condicional como implicação. Não vejo nenhum
problema com isso. É uma forma de implicação usada quando fazemos Matemática
dessa forma (usando estas teorias).

Penso também que podemos considerá-la em vários caso da linguagem natural
(como nos exemplos que usamos em sala de aula) e em muitos casos dos modelos
na Ciência.

Bem, é isso.

Abraços,
Ricardo.


2010/1/28 Matheus <[email protected]>

>
> ----- Original Message -----
> *From:* Matheus <[email protected]>
> *To:* Ricardo Pereira Tassinari <[email protected]>
> *Sent:* Thursday, January 28, 2010 11:04 PM
> *Subject:* Re: [Bulk] Re: [Bulk] Re: [Logica-l]Explicação do significado
> da implicação clássica
>
>
> Olá Ricardo
>
> Acho que não fui claro ao mencionar os dois exemplos: são casos em
> que parecem desmentir (e não confirmar) a suposta inadequação da condicional
> material. Quanto disse "desmentir" posso ter passado sem querer a
> implicatura errada de que se tratava de mais um contra-exemplo à adequação
> da condicional material.
>
> Sobre a hipótese tentadora de que há vários tipos de frases condicionais:
> num certo sentido é uma hipótese verdadeira, mas trivial. No sentido
> relevante é uma hipotese bastante controversa. É verdadeiro (e também
> trivial) que há frases condicionais indicativas e subjuntivas, por exemplo.
> É importante, mas controverso, que isso demonstre que há um mecanismo
> semântico para cada tipo de classificação gramatical das frases
> condicionais. Stalnaker, por exemplo, defende uma teoria que fornece uma
> explicação do mecanismo semântico de todas as condicionais,
> incluindo indicativas e subjuntivas, sobre uma mesma base de similaridade
> entre mundos possíveis. Outros téoricos, como Jackson, defendem que a
> condicional material fornece as condições de verdade das condicionais
> indicativas ao passo que um mecanismo diferente explica o funcionamento das
> condicionais subjuntivas.  And so on.
>
> Eu não sei se concordaria em dizer que a condicional material é um tipo
> de condicional por mérito próprio: a condicional material é um conectivo
> verofuncional com um comportamento preciso, que é estabelecido por uma
> tabela de verdade e que foi criada artificialmente para satisfazer
> determinados fins teóricos. Dizer que a condicional material é também um
> tipo de frase condicional me parece tão estranho quanto dizer que um mapa
> que foi criado para representar uma cidade é também um tipo de cidade.
>
> Abs
> Matheus
>
>

-- 
Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia
UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília
Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari
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