Olá obrigado pelas suas palavras, mando sim.
Bom, eu concordo que ela possa ser útil em certos sistemas formais, principalmente quando são sistemas em que as relações causais entre o antecedente e o consequente, etre outros fatores externos à forma lógica, podem ser desconsiderados nas inferências. Os paradoxos da condicional material só colocam a sua cabeça feia pra fora quando pretendemos que a condicional material seja adequada às condicionais da linguagem natural. Contudo, alguns autores questionam até mesmo essa concessão. Por exemplo, Anderson e Belnap (The Pure Calculus of Entailment, 1962) e Ranil e Jorgensen (The Tragedy of Logicism - tese de doutorado). Os últimos argumentam que o programa logicista de reduzir a matemática à lógica não funciona devido a defeitos da condicional material. É claro que os autores que defendem essa posição mais forte precisam explicar como os padrões de inferência clássicos associados à condicional material tornam-se na prática tão confiáveis em uma série de casos, por exemplo, quando interpretamos condicionais generalizados em lógica de predicados. Abs! ----- Original Message ----- From: Ricardo Pereira Tassinari To: Matheus Cc: Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de LOGICA Sent: Friday, January 29, 2010 10:06 AM Subject: Re: [Logica-l] Fw: [Bulk] Re: [Bulk] Re: Explicação do significado da implicação clássica Olá Matheus e a todos. Penso que sua dissertação será interessante; assim que a defender, mande um link para nós. Bem, o que quero dizer com a condicional ser um tipo de implicação é (pelo menos) o seguinte: Ela serve como implicação em várias teorias formais. Para citar dois exemplos, temos os estudos realizados em teorias formais dos números ou em teorias formais de conjunto (cf., por exemplo, Mendelson, E., Introduction to Mathematical Logic, Cap.3, Formal Number Theory, e Cap 4. Axiomatic Set Theory: http://books.google.com.br/books?id=ZO1p4QGspoYC&dq=Mendelson,+Introduction+to+Mathematical+Logic&printsec=frontcover&source=bn&hl=pt-BR&ei=08piS_XFNZSXtgeW_rWkBg&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CB0Q6AEwAw#v=onepage&q=&f=false) Sabemos dos defeitos que ela tem, mas, nestes casos, ela tem um desempenho satisfatório. Em especial, o Teorema da Dedução nos permite estabelecer uma relação precisa entre dedução e a condicional. Só para citar um caso temos que se A deduz B se, e somente se, A=>B é tautologia. Assim, nestes casos, USAMOS a condicional como implicação. Não vejo nenhum problema com isso. É uma forma de implicação usada quando fazemos Matemática dessa forma (usando estas teorias). Penso também que podemos considerá-la em vários caso da linguagem natural (como nos exemplos que usamos em sala de aula) e em muitos casos dos modelos na Ciência. Bem, é isso. Abraços, Ricardo. 2010/1/28 Matheus <[email protected]> ----- Original Message ----- From: Matheus To: Ricardo Pereira Tassinari Sent: Thursday, January 28, 2010 11:04 PM Subject: Re: [Bulk] Re: [Bulk] Re: [Logica-l]Explicação do significado da implicação clássica Olá Ricardo Acho que não fui claro ao mencionar os dois exemplos: são casos em que parecem desmentir (e não confirmar) a suposta inadequação da condicional material. Quanto disse "desmentir" posso ter passado sem querer a implicatura errada de que se tratava de mais um contra-exemplo à adequação da condicional material. Sobre a hipótese tentadora de que há vários tipos de frases condicionais: num certo sentido é uma hipótese verdadeira, mas trivial. No sentido relevante é uma hipotese bastante controversa. É verdadeiro (e também trivial) que há frases condicionais indicativas e subjuntivas, por exemplo. É importante, mas controverso, que isso demonstre que há um mecanismo semântico para cada tipo de classificação gramatical das frases condicionais. Stalnaker, por exemplo, defende uma teoria que fornece uma explicação do mecanismo semântico de todas as condicionais, incluindo indicativas e subjuntivas, sobre uma mesma base de similaridade entre mundos possíveis. Outros téoricos, como Jackson, defendem que a condicional material fornece as condições de verdade das condicionais indicativas ao passo que um mecanismo diferente explica o funcionamento das condicionais subjuntivas. And so on. Eu não sei se concordaria em dizer que a condicional material é um tipo de condicional por mérito próprio: a condicional material é um conectivo verofuncional com um comportamento preciso, que é estabelecido por uma tabela de verdade e que foi criada artificialmente para satisfazer determinados fins teóricos. Dizer que a condicional material é também um tipo de frase condicional me parece tão estranho quanto dizer que um mapa que foi criado para representar uma cidade é também um tipo de cidade. Abs Matheus -- Dr. Ricardo Pereira Tassinari - Departamento de Filosofia UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Marília Homepage: http://www.marilia.unesp.br/ricardotassinari
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