Olá, João Marcos
>Continuo acreditando que se o seu problema pega mais em baixo, e diz
>respeito a *semânticas não-clássicas em geral*, e você deveria se
>esforçar portanto a formulá-lo em tal nível.
Sim, a semântica é, de fato, a questão. Às vezes, porém, dizer *meta-linguagem*
pode deixar mais claro qual nível de semântica estamos querendo falar. Certas
questões, porém, acredito eu, não precisam de formulações ao nível rigoroso de
um formalismo para se tornarem claras e respondidas, tanto que minha questão
original, nesse vai e vem, conseguiu ser compreendida e respondida, inclusive
por você! (ver abaixo)
> Na realidade a coisa é bem mais sutil e bem menos ousada.
Como você mesmo disse, muitas vezes isso não é bem compreendido e gera certos
(inúmeros) exageros.
Ver em muitos lugares tais exageros foi o que me fez vir aqui falar com quem,
acredito, entende do assunto...
Eu disse no meu primeiro email:
*Por exemplo, se eu partir do pressuposto que minha metalinguagem não é
clássica, como eu posso sequer diferenciar as teorias "ZFU" e "ZF", ou os
conceitos
"quasi-set" e "set", ou também "m-object" de "object" (ou até "lógica
não-clássica" e "lógica clássica")?*
A formulação está mesmo muito rasteira, tanto que me corrigi dizendo que estava
considerando como *clássica* sistemas que exigem a consistência e a bivalência.
Não ficou menos rasteira, mas foi compreendida, veja:
> Se *todas* as contradições forem de alguma forma>aceitáveis, contudo, deixa
> de
>fazer sentido, ou de ser necessária, uma
>lógica paraconsistente
[..]
>A lógica paraconsistente
>só tem utilidade enquanto ainda é possível "fazer a diferença", e é
>justamente para estender o domínio desta possibilidade que esta lógica
>foi proposta.
[..]
>Você pode trabalhar com uma meta-linguagem clássica de ordem superior,
>ou algo perto disso, para mais ou para menos. Mas pode também tentar
>trabalhar, se realmente tiver um motivo para tanto, em uma
>meta-linguagem genuinamente não-clássica. Nem mesmo se este
>"não-clássico" significar "paraconsistente", contudo, você poderá
>aceitar *todas* as contradições --- sob o risco de se tornar
>irrelevante.
Como eu disse, essa era exatamente minha questão!
>Não entendi onde é que a questão da "eficiência" entra nesta história,
>ou o que você quer dizer exatamente com este termo, apesar de tê-lo
>usado várias vezes.
Bem, queria dizer com a expressão *eficiente para x* (usei mesmo várias vezes?)
algo bem ordinário e semelhante a *adequado para x*, no entanto, só botei ela
na
roda porque encontrei num livro sobre aplicações da paraconsistência a
afirmação
de que lógica-clássica não era *adequada* para descrever o mundo (isso não foi
um exagero? se for, há realmente inúmeros desses por aí)
Porém, de fato, se eu tivesse formalizado minha questão rigorosamente, eu
deveria ter continuado utilizando o mesmo símbolo para *adequado* e não ter
confundido a coisa toda ainda mais jogando, desnecessariamente, outro conceito
-
ainda que *eficiente* seja semelhante - Concordo que esse termo possa ter
causado confusão...
>Uma das contrapartes "sociais" do
>nosso trabalho como cientistas pressupõe o esclarecimento daquilo que
>fazemos em termos tão pedestres quanto possível, bem como a
>reavaliação das nossas crenças e a defesa dos nossos pontos de vista.
Que bom, professor, os pedestres agradecem!
Imagina se pra mostrar que um engenheiro fez uma conta errada eu precisasse de
todo o aparato técnico da engenharia!
Mesmo sem ser músico, não é possível perceber que o cantor desafinou?
Pois a linguagem ordinária ainda consegue fazer bem muita coisa (e isso é
ótimo,
não?).
>A batalha é ganha dia-a-dia, mas é infindável.
Concordo com um pedaço dessa frase, mas isso já não vem mais ao caso...
Agradeço a disposição científica,
abraços,
Júlio
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