Julio
(como tem Julio nesta lista!)
Dizer que um sistema formal *é* uma linguagem é por sua vez um abuso de linguagem. Eu poderia dizer que um sistema formal é uma álgebra. Uma lógica *pode* ser descrita linguisticamente, mas também via álgebras. Assim, dizer que uma lógica *é* linguagem é atalhar um pouco a discussão. Isso serve tanto para s.f. como para lógicas, se é que há diferenças.
D.

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Decio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
[email protected]
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Doctor Bell say we’re connected,
He called me on the phone,
But if we’re really together baby,
How can I feel so all alone?
(Bell's Theorem Blues)

Em 20/08/2010, às 01:33, julio cesar escreveu:

Olá, pessoal,

a definição de "Lógica", a meu ver, é um dos assuntos mais obscuros da filosofia da lógica, no entanto é talvez o mais importante. Deixo aqui o alerta de que minha opinião sobre esse assunto ainda não possui nada definitivo. Assim, a discussão, a meu ver, se torna essencial. Concordo que a definição que deu o Júlio Stern é reducionista mas acredito que seu problema é que ela não seja reducionista o bastante! Eu diferencio *Lógica* de *Sistemas Formais*, por isso não concordo que ela seja um 'formalismo', muito menos que todos 'formalismos' - ainda que funcionais em si mesmos - sejam Lógicas. Um Sistema Formal é uma linguagem, nunca uma Lógica (por exemplo, a Begriffsschrift de Frege, precisamente falando, é uma Linguagem que explicita uma Lógica). Com o risco de deixar muita coisa fora, minha definição é mais ou menos assim:

Lógica é o conjunto de regras que gera a estrutura semântica e as leis de inferência da sua própria meta-linguagem de apresentação.

Em outras palavras, se meu sistema que apresenta uma lógica A, necessitar ser apresentado através de uma lógica B, a lógica A apenas *encapsula* as regras da lógica B em um novo arranjo sintático-semântico e, assim, em última análise, depõe a favor de B, não de A. Obviamente, essa *definição*, além de não tão precisa e um tanto reducionista, ainda deixa em aberto a questão sobre se há um pluralismo lógico e, caso negativo, qual seria essa lógica única.
        
abraços,
Júlio César A. Custódio

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