Caro Julio
Em mensagem anterior, sugeri que não há uma definição precisa do que seja lógica. Há que se distinguir entre a Lógica como disciplina e as *lógicas* mais variadas. Como disciplina, hoje, a Lógica encerra campos que estão (queiramos ou não) codificados na seção 03 da American Subject Classification: http://www.ams.org/mathscinet/msc/msc2010.html?t=03-XX&s=&btn=Search&ls=s Muita coisa em Lógica pode ser feito de forma puramente sintática, assim a sua definição, que envolve semântica, não me parece ser adequada. Por outro lado, claro que você está certo quanto ao uso de simbolismos, mas eles são úteis à beça, claro e seria horrível proceder sem ele. Quanto a ~(A&~A), esta é apenas uma forma do PNC, mas há várias outras não equivalentes, por exemplo a formulação semântica "dentre duas proposições contraditórias, uma das quais é a negação da outra, uma delas é falsa", ou em linguagens de ordem superior, etc. Assim, é preciso que se saida de que PNC se está falando.
Abraço,
Décio

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Decio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
[email protected]
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Doctor Bell say we’re connected,
He called me on the phone,
But if we’re really together baby,
How can I feel so all alone?
(Bell's Theorem Blues)

Em 22/08/2010, às 13:11, julio cesar escreveu:

Olá, pessoal,

na minha opinião, para responder essa pergunta, falta diferenciar *lógica* de *matemática*, pois sabemos que muitos já disseram com argumentos fortíssimos que uma é a outra e vice-versa! Ou até que ambas são outra coisa... O próprio logicismo teria provado que a aritmética é apenas lógica encapsulada num alto-nível e, assim, seriam os matemáticos que em grande parte precisam da lógica, e não o contrário, porém, o logicismo *fracassou*...

No entanto, a meu ver, a grosso modo, como a lógica trata das *regras de coerência semântica* da própria meta-linguagem (isto é, daquela linguagem utilizada para apresentar *tudo*: matemática, sistemas formais, teoria dos conjuntos, teorias científicas...) obviamente, quanto mais um lógico conhecer as diversas áreas, mais ele vai perceber quais os níveis de coerência exigidos para a semântica da meta-linguagem.

Como disse em outra mensagem, acredito que a lógica não necessita essencialmente de simbolismos nem formalismos, o simbolismo ajuda a ver algumas coisas, mas pode atrapalhar a ver outras. Posso muito bem estipular uma teoria lógica coerente e rigorosa utilizando apenas a linguagem natural (sem simbolismo matemático ou qualquer outro), e posso muito bem, através de simbolismos, formular coisas logicamente terríveis. O formalismo em-si não garante nada. Por isso prefiro entender a lógica como regras de coerência semântica, que podem ser estipuladas tanto em uma linguagem formal quanto em linguagem natural.

Por exemplo - e isso também não é uma pergunta retórica! - será que qualquer fórmula contraditória pode ser utilizada para definir o princípio da não-contradição? Ou seja, será que ~(A & ~A) realmente define a não-contradição ou é apenas só uma fórmula contraditória?

abraços
Júlio César A. Custódio



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