JM
Ok, mas veja que mesmo a sua estratégia negativa não é de todo abrangente. É isso que estou tentando dizer; se dispusessemos de uma definição estrito senso, deveríamos, pelo menos em princípio, saber o que é (ou não é) uma lógica, mas não dispomos disso, e conjecturo que jamais teremos, pelo simples fato de que as coisas mudam....amanhã, não mais....
Abraços,
Décio

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Decio Krause
Departamento de Filosofia
Universidade Federal de Santa Catarina
88040-990 Florianópolis, SC -- Brasil
[email protected]
www.cfh.ufsc.br/~dkrause
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Doctor Bell say we’re connected,
He called me on the phone,
But if we’re really together baby,
How can I feel so all alone?
(Bell's Theorem Blues)

Em 23/08/2010, às 10:12, Joao Marcos escreveu:

Décio K escreveu:
Tudo isso é vago, com o que certamente concorda.
Melhor *fazer* lógica e deixar a definição
para um inspirado poeta. Concorda?

Concordo mais ou menos. :-)

Eu tenho uma "estratégia negativa", que é a seguinte: fazemos uma
lista das coisas que parecem Lógica mas não consideramos minimamente
decente para chamar de Lógica --- podemos chamá-las de Lógicas
Degeneradas (entartete Logik, oder so).  Não banimos contudo os
degenerados (fascismo, não!), só colocamos estas coisas num canto onde
não costumamos passar muito e dizemos que "não é isso que eu quero
fazer".

Brincadeiras à parte, a ideia é que é frequentemente mais fácil
concordar com relação a coisas que NÃO queremos chamar de Lógica, ou
coisas que NÃO queremos chamar de negação, e assim por diante.  É
claro que há demasiadas coisas no mundo que NÃO são Lógica (ou
negação), e é por isso que eu comecei a descrever a estratégia acima
colocando a condição de que a coisa em questão deveria ao menos
_parecer_ Lógica, para valer a pena o trabalho.

Por exemplo: sistemas formais absolutamente inconsistentes são
lógicas?  São lógicas degeneradas? uma relação de consequência a
partir da qual segue qualquer conclusão se eu simplesmente repetir as
premissas um número suficiente de vezes deve contar como lógica? um
sistema formal que se interessa simplesmente pelas "verdades" é
necessariamente uma lógica? toda lógica é deste tipo? um conectivo
unário que funciona semanticamente como uma identidade merece a
apelação de negação?  Qualquer conectivo unário merece ser chamado
negação?

Admito que o tal método negativo não está inteiramente bem definido,
mas pelo menos ele é não-trivial (deixa algumas coisas de fora), e,
insisto, parece-me frequentemente mais fácil concordar com relação a
propriedades indesejáveis de um objeto do que com relação a suas
propriedades essenciais.

Abraços,
Joao Marcos

--
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(in absentia, post-doc in cives vindobonensis)
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