Caríssimo Décio,

Não é lá muito prudente me meter numa ceara que não é a minha.

Entretanto, para mim, é mais que claro que a cultura influencia a
"nossa visão de mundo" (com muitas aspas).  Porém, a questão
certamente bem mais complicada é se esta influência se dá também
na Matemática e na Lógica (matemática) subjacente.  Nesse caso,
temos que ter muito cuidado, pois podemos estar nos afastando da
Metafísica e entrando em um terreno deveras pantanoso, certo?
De qualquer modo, tendo fortemente a achar que SIM também, não
sei o quanto corroborando contigo.

Nesse caso, sugiro que foquemos na Matemática descrita linguisticamente,
em cuja linguagem seria sim influenciada (e portanto alterada) mediante
condições culturais.  Muitíssimo a grosso modo, a Matemática mudaria
porque a linguagem que utilizamos para expressá-la mudaria, ou seja, o
significado "matemático" que daríamos a uma mesma expressão lingüística
(ou às expressões lingüísticas) pode(m) mudar influenciadas pela cultura.
Não sei se concorda!

Abraços, Claus




2011/3/4 Decio Krause <[email protected]>

> Olá a todos
> Eu me interessei pelas teses de Lera Boroditski há algum tempo, tendo em
> vista meus credos de que nossa cultura influencia em muito nossa visão de
> mundo (falando em breve), e nossa lógica. Mas o que ela diz é que a
> linguagem influencia essa visão de mundo, com o que não concordo in totum.
> Com efeito, não falamos a mesma língua que os paraguaios, mas certamente
> partilhamos a mesma visão, a despeito de pequenas divergências; em todo
> caso, isso é complicado, algo completamente fuzzy, e os textos da Lera que
> li (e ela parece uma gata nas fotos) não me soam fortes o suficiente. Quando
> li seus textos há algum tempo, escrevi a ela no endereço indicado no seu
> site (sorry, Arthur por não usar a horrível expressão "liame"), perguntando
> se essas diferentes linguagens implicariam uma diferente matemática ou
> física (e, certamente, uma distinta lógica), que é para mim algo importante
> de se saber. Bom, creio que ela não teve tempo para responder a um e-mail do
> 3o mundo.  Mas lembro que Popper, no Conhecimento Objetivo (em algum lugar
> que não lembro no momento), chutou que Benjamin Lee Worth (é assim? estou de
> memória e posso me equivocar; corrijam por favor sem valer a pena) estudou
> of índios hopi e que eles, chuto eu, possivelmente teriam uma matemática
> diferente. Bem.... Há ainda análises da sociedade Zande, segundo alguns,
> permissível com contradições (com o que  não concordo).
> Lera me parece brilhante, e seria bacana convidá-la para um papo aqui para
> nos conhecer e ver que, aqui nesse imenso Brasil apesar de falarmos a mesma
> língua, temos visões completamente distintas do mundo, graças a deus --em
> minúsculos (ou não?).
> Abraços e obrigado, Paulo Dias, por nos trazer essa importante discussão.
> O que vocês acham? Isso  é importante.
> Abraços.
> Décio
>
> ________________________________
> Decio Krause
> Departamento de Filosofia
> Universidade Federal de Santa Catarina
> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
> deciokrause[at]gmail.com
> www.cfh.ufsc.br/~dkrause
> ________________________________
> "Você não está pensando. Está meramente sendo lógico!"
> (Bohr para Einstein)
>
>
>
>
>
>
> Em 04/03/2011, às 07:42, psdias2 escreveu:
>
> > Abaixo, transcrevo um artigo da Scientific American Brasil, deste mês,
> que trata de como a linguagem
> > (idioma) influencia o processo cognitivo (e vice-versa). É bastante
> interessante e, em muitos trechos,
> > bastante engraçado.
> >
> > Obs.: O artigo está disponível diretamente no site da Scientific American
> Brasil:
> >
> >
> http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/como_a_linguagem_modela_o_pensamento.html
> >
> > Paulo
> >
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