Argumentos de autoridade, Julio. Me explica o que o Marcelo disse. 

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On 18/09/2011, at 09:26, Julio Fontana <[email protected]> wrote:

> Vamos lá!
>  
> Marcelo Gleiser: "... estamos longe de saber se o conceito de multiverso faz 
> sentido. Numa teoria onde praticamente tudo é possível, nada é compreendido; 
> especialmente as hipóteses que competem entre si não podem ser testadas e 
> eliminadas." (Criação Imperfeita, p. 299s.)
>  
> Stephen Hawking: "Qualquer teoria física é sempre provisória, no sentido de 
> ser apenas uma hipótese: nunca é possível prová-la. Não importa quantas vezes 
> os resultados dos experimentos estejam de acordo com alguma teoria, você 
> nunca poderá ter certeza de que, na próxima vez, o resultado não a 
> contraditará. Por outro lado, você pode desacreditar uma teoria encontrando 
> uma única observação que seja discordante de suas previsões. Como enfatizou o 
> filósofo da ciência Karl Popper ..." (Uma nova história do tempo, p. 23)
>  
> Tem ainda Feynman, Peter Woit ...
>  
> Quanto a psicanálise
>  
> Feynman: "... a psicanálise não é uma ciência; na melhor das hipóteses, é um 
> processo médico, e talvez se aproxime do curandeirismo."
>  
> Deixo claro que, como Popper, o que não é ciência para mim, não deixa de ser 
> um empreendimento racional. A filosofia é um empreendimeno racional, mas não 
> é ciência. Não pode existir uma filosofia científica ... como queria Russell, 
> Newton da Costa e outros. Não pode haver confrontamento com a experiência.
>  
> Como observou Feynman, seguindo Popper: "A matemática não é uma ciência de 
> nosso ponto de vista, no sentido de que não é uma ciência natural. O teste de 
> sua validade não é a experiência. [...] Se algo não for considerado uma 
> ciência, isso não significa que tenha algo de errado; significa apenas que 
> não é uma ciência."
>  
> Não citei nem aqueles cientistas que são reconhecidamente popperianos, como 
> Medawar.
>  
> Quanto a crítica a David Miller, acredito não caber. Ele não se resume a 
> repetir Popper. Desenvolveu diversos pontos, muitos é certamente, dentro do 
> paradigma popperiano.
>  
>  
> Julio Fontana
> De: FAD 2 <[email protected]>
> Para: Julio Fontana <[email protected]>
> Enviadas: Domingo, 18 de Setembro de 2011 8:56
> Assunto: Re: Popper
> 
> Quem diz que o multiverso é irrefutável? Provei um teorema que diz o 
> contrário. 
> 
> Sent from my iPhone
> 
> On 18/09/2011, at 08:52, Julio Fontana <[email protected]> wrote:
> 
>> Colegas da lista,
>>  
>> Nada melhor do que a discordância para avançar o conhecimento ...
>>  
>> Em primeiro lugar, não acho que o critério de demarcação de Popper seja 
>> claro o bastante para apontarmos com certeza o que é ou o que não é ciência 
>> (ele jamais insinuou ser assim). Em CR ele afirmou veementemente que a 
>> fronteira era permeável. Carnieli (Pensamento Crítico) sustenta que o fato 
>> de não podermos distinguir o claro da absoluta escuridão não implica que não 
>> haja diferença entre esses dois estados. Agora está requesitando preto no 
>> branco. Nada é preto no branco!
>>  
>> A refutabilidade é uma possibilidade, não precisa ser um acontecimento 
>> concreto. A teoria pode ser refutada daqui a 1000 anos ou jamais vir a ser 
>> refutada, mas deve permitir isso caso venha a se apresentar um fato que lhe 
>> contradiz, e não contradiz uma teoria rival. Certamente os cientistas fazem 
>> uso de estratagemas convencionalistas ou salvam suas teorias da refutação o 
>> tempo todo, mas Popper recomenda que se o fizerem, as hipóteses ad hoc devem 
>> acrescer conteúdo informativo. Caso leiam somente a Introdução da obra podem 
>> perder o néctar da filosofia popperiana. Lembro inclusive que ele, 
>> diferentemente de Kuhn não está descrevendo a ciência, mas está fazendo 
>> lógica da ciência (normativo). Quase 100 anos se passaram desde a primeira 
>> obra de Popper. Certamente muito se acrescentou ao nosso entendimento da 
>> ciência. Agora dizer que Popper é somente história só pode ser brincadeira! 
>> Ainda há muitos físicos que estão no paradigma metodológico do século XIX! 
>> Os mais avançados falam em refutação! Hawking chega a citar Popper como 
>> definição de ciência! Afirmar que Popper matou a critividade científica? Foi 
>> justamente ele que se revoltou com o paradigma do mecanismo do método 
>> indutivo tão em voga na ciência do século XIX e início do XX. Os cientistas 
>> podiam agir de diferente, mas eles acreditam no poder do método eles 
>> acreditavam.
>>  
>>  
>> Fico espantado quando pesquisadores não aceitam a crítica de alguém 
>> afirmando ser este um não-especialista. John Horgan é jornalista, mas e daí? 
>> Ínúmeros psicólogos, psiquiatras e até psicanalistas criticam as teorias de 
>> Freud. Muitas das teorias que surgem na fronteira da ciência não são 
>> refutáveis por limitação tecnológica, outras são irrefutáveis, e portanto, 
>> pseudocientíficas. A teoria do multiverso é uma delas. Gleiser afirma em seu 
>> ultimo livro Criação Imperfeita não tratar-se de teoria científica. John 
>> Horgan pega o conceito de Penrose  e as chama de ciência irônica ou 
>> pós-empírica. Acho que o politicamente correto está influenciando na questão 
>> da demarcação. Vamos incluir tudo! Não podemos deixar ninguém de fora!
>>  
>>  
>> Julio Fontana
>> De: FAD 2 <[email protected]>
>> Para: Decio Krause <[email protected]>
>> Cc: Julio Fontana <[email protected]>; "[email protected]" 
>> <[email protected]>
>> Enviadas: Domingo, 18 de Setembro de 2011 7:33
>> Assunto: Re: [Logica-l] Critério de demarcação
>> 
>> Boutade. Prefiro Proust, com o que ele diz sobre Charlus no jantar dos 
>> Verdurin. 
>> 
>> Sent from my iPhone
>> 
>> On 17/09/2011, at 15:30, Decio Krause <[email protected]> wrote:
>> 
>> > Argumentum ad amicis?
>> > Legal!!
>> > ________________________________
>> > Decio Krause
>> > Departamento de Filosofia
>> > Universidade Federal de Santa Catarina
>> > 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil
>> > deciokrause[at]gmail.com
>> > www.cfh.ufsc.br/~dkrause
>> > ________________________________
>> > "He [God] will never choose among indiscernibles"
>> > (G.W.Leibniz)
>> > 
>> > 
>> > 
>> > 
>> > 
>> > 
>> > Em 17/09/2011, às 13:57, Julio Fontana escreveu:
>> > 
>> >> Prezados colegas de lista,
>> >> 
>> >> O assunto é demasiado complexo e não posso examinar todos os pontos que 
>> >> foram levantados aqui.
>> >> Irei responder principalmente ao Francisco Doria.
>> >> O senhor afirmou que Popper não o convence quanto a psicanálise se 
>> >> comportar como uma pseudociência. Particularmente, acho que Popper está 
>> >> correto, porém não foi o primeiro a direcionar ataques contra a 
>> >> cientificidade da psicanálise e nem o crítico mais eficaz. John Horgan 
>> >> levantou em seu livro "The undiscovery mind" diversas das críticas contra 
>> >> a psicanálise, algumas melhores do que a de Popper. A crítica de Popper 
>> >> pode não ser a mais apropriada, mas o objetivo dele não era convencer 
>> >> ninguém.
>> >> Aceito que o senhor possua fé na psicanálise. Muitos compartilham da sua 
>> >> fé. Da mesma forma sou compassivo com aqueles que mantém uma crença em um 
>> >> Deus, deuses, ou nenhum deus. Não posso aceitar a sua afirmação de que a 
>> >> psicanálise é ciência. Também achar que Jung estava correto por ser 
>> >> colaborador de dois físicos importantes, é uma nova forma de falácia: 
>> >> argumentum ad amicis.
>> >> 
>> >> Tento agora responder alguns pontos levantados por outros.
>> >> 
>> >> Falsificabilidade ou refutabilidade.
>> >> 
>> >> Popper não é um falsificacionista ingênuo. Não há confronto entre 1 
>> >> teoria e experiência. Há confronto de duas ou mais teorias rivais com a 
>> >> experiência. A experiência pode decidir provisoriamente entre teorias 
>> >> rivais qual é a melhor.
>> >> 
>> >> Certamente, a ciência não é formada somente por teorias falsificáveis. 
>> >> Existem programas de pesquisas metafísicos, concepções da natureza e 
>> >> outras coisas. Popper explicou todos esses pontos.
>> >> 
>> >> Alguém afirmou que nenhum físico se comporta como Popper os descreve. 
>> >> Acredito que a afirmação é ambiciosa demais. O físico de comporta 
>> >> conforme o estudo que está fazendo. Depende da situação, do objeto e de 
>> >> diversas outras coisas. O método que ele vai usar é bastante flexível. 
>> >> Algumas vezes na história encontramos exemplos de refutação de teorias, 
>> >> outras de confirmação, outras de adequação, outras de salvar os 
>> >> fenômenos, outras de intuição somente.
>> >> 
>> >> Sou popperiano, mas não acho que Popper explica tudo. Caso fosse assim, 
>> >> eu me dedicaria a outra área que não a filosofia da ciência. Mas não 
>> >> reconhecer importantes insights trazidos por Popper é brincadeira. O 
>> >> Doria chega a dizer que Jung explicou melhor a ciência do que Popper, 
>> >> Kuhn, Fraassen ou qualquer outro filósofo da ciência.
>> >> 
>> >> O critério de demarcação é importante pragmaticamente. Diversos filósofos 
>> >> da ciência, inclusive Lakatos, apontaram demasiadamente. Na filosofia é 
>> >> assim, compo Popper a descreveu, estamos sempre revolvendo os entulhos.
>> >> 
>> >> 
>> >> 
>> >> 
>> >> 
>> >> 
>> >> 
>> >> Julio Fontana
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