"Um contra muitos" no debate. Não faço guerra. Gosto dessas discussões. Caso contrário, não seria popperiano. Conheço superficialmente a teoria proposta pelo físico Max Tegmark. Não posso conhecer tudo por mim mesmo. Devo me apoiar em outros o tempo todo. O mundo é muito complexo para ser compreendido por um só homem. Estou apoiado no Marcelo Gleiser. Não é argumento de autoridade. Não estou afirmando que ele está certo por ser o Marcelo Gleiser. Acredito que Gleiser possua boas razões para fazer tal afirmação. Estou esperando as suas. O ideal era colocar o Gleiser no debate. Eu não sou físico. Não posso discutir questões técnicas com os físicos. Posso discutir questões epistemológicas. O filósofo faz isso. Constatada a diaphonia eu suspendo o juízo. Julio Fontana
De: FAD 2 <[email protected]> Para: Julio Fontana <[email protected]> Cc: Walter Carnielli <[email protected]>; "[email protected]" <[email protected]> Enviadas: Domingo, 18 de Setembro de 2011 10:13 Assunto: Re: [Logica-l] Popper Mas nao eh guerra, Julio... Sent from my iPhone On 18/09/2011, at 09:58, Julio Fontana <[email protected]> wrote: > Refiro-me ao senhor mesmo. Estou incorreto quanto à referência? Há até um > quadrinho retratando isso! O senhor tem como me enviar a sua participação na > discussão? Esse negócio de "um contra muitos" é complicado. Por isso, prefiro > o Facebook. Há uma foto e posso visualizar a participação de cada um a todo > momento. > > > Julio Fontana > Bacharel em Filosofia pela PUC-Rio > Especialização em cultura clássica greco-latina. > > De: Walter Carnielli <[email protected]> > Para: Julio Fontana <[email protected]> > Cc: [email protected] > Enviadas: Domingo, 18 de Setembro de 2011 9:52 > Assunto: Re: [Logica-l] Popper > > Olá Júlio, > > obrigado pela referência, imagino que "Carnieli" deva > se referir a mim. :-) Se for, não estou requesitanto (ou melhor, > requisitando) preto no branco: estou perguntando, àqueles que nos > explicam Popper, o que Sir Karl diria sobre aqueles fenômenos que > introduzi na conversa... > Abs, > > Walter > > Em 18 de setembro de 2011 09:27, Julio Fontana > <[email protected]> escreveu: >> Colegas da lista, >> >> Nada melhor do que a discordância para avançar o conhecimento ... >> >> Em primeiro lugar, não acho que o critério de demarcação de Popper seja >> claro o bastante para apontarmos com certeza o que é ou o que não é ciência >> (ele jamais insinuou ser assim). Em CR ele afirmou veementemente que a >> fronteira era permeável. Carnieli (Pensamento Crítico) sustenta que o fato >> de não podermos distinguir o claro da absoluta escuridão não implica que não >> haja diferença entre esses dois estados. Agora está requesitando preto no >> branco. Nada é preto no branco! >> >> A refutabilidade é uma possibilidade, não precisa ser um acontecimento >> concreto. A teoria pode ser refutada daqui a 1000 anos ou jamais vir a ser >> refutada, mas deve permitir isso caso venha a se apresentar um fato que lhe >> contradiz, e não contradiz uma teoria rival. Certamente os cientistas fazem >> uso de estratagemas convencionalistas ou salvam suas teorias da refutação o >> tempo todo, mas Popper recomenda que se o fizerem, as hipóteses ad hoc devem >> acrescer conteúdo informativo. Caso leiam somente a Introdução da obra podem >> perder o néctar da filosofia popperiana. Lembro inclusive que ele, >> diferentemente de Kuhn não está descrevendo a ciência, mas está fazendo >> lógica da ciência (normativo). Quase 100 anos se passaram desde a primeira >> obra de Popper. Certamente muito se acrescentou ao nosso entendimento da >> ciência. Agora dizer que Popper é somente história só pode ser brincadeira! >> Ainda há muitos físicos que estão no paradigma >> metodológico do século XIX! Os mais avançados falam em refutação! Hawking >>chega a citar Popper como definição de ciência! Afirmar que Popper matou a >>critividade científica? Foi justamente ele que se revoltou com o paradigma do >>mecanismo do método indutivo tão em voga na ciência do século XIX e início do >>XX. Os cientistas podiam agir de diferente, mas eles acreditam no poder do >>método eles acreditavam. >> >> >> Fico espantado quando pesquisadores não aceitam a crítica de alguém >> afirmando ser este um não-especialista. John Horgan é jornalista, mas e daí? >> Ínúmeros psicólogos, psiquiatras e até psicanalistas criticam as teorias de >> Freud. Muitas das teorias que surgem na fronteira da ciência não são >> refutáveis por limitação tecnológica, outras são irrefutáveis, e portanto, >> pseudocientíficas. A teoria do multiverso é uma delas. Gleiser afirma em seu >> ultimo livro Criação Imperfeita não tratar-se de teoria científica. John >> Horgan pega o conceito de Penrose e as chama de ciência irônica ou >> pós-empírica. Acho que o politicamente correto está influenciando na questão >> da demarcação. Vamos incluir tudo! Não podemos deixar ninguém de fora! >> >> >> Julio Fontana >> >> De: FAD 2 <[email protected]> >> Para: Decio Krause <[email protected]> >> Cc: Julio Fontana <[email protected]>; "[email protected]" >> <[email protected]> >> Enviadas: Domingo, 18 de Setembro de 2011 7:33 >> Assunto: Re: [Logica-l] Critério de demarcação >> >> Boutade. Prefiro Proust, com o que ele diz sobre Charlus no jantar dos >> Verdurin. >> >> Sent from my iPhone >> >> On 17/09/2011, at 15:30, Decio Krause <[email protected]> wrote: >> >>> Argumentum ad amicis? >>> Legal!! >>> ________________________________ >>> Decio Krause >>> Departamento de Filosofia >>> Universidade Federal de Santa Catarina >>> 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil >>> deciokrause[at]gmail.com >>> www.cfh.ufsc.br/~dkrause >>> ________________________________ >>> "He [God] will never choose among indiscernibles" >>> (G.W.Leibniz) >>> >>> >>> >>> >>> >>> >>> Em 17/09/2011, às 13:57, Julio Fontana escreveu: >>> >>>> Prezados colegas de lista, >>>> >>>> O assunto é demasiado complexo e não posso examinar todos os pontos que >>>> foram levantados aqui. >>>> Irei responder principalmente ao Francisco Doria. >>>> O senhor afirmou que Popper não o convence quanto a psicanálise se >>>> comportar como uma pseudociência. Particularmente, acho que Popper está >>>> correto, porém não foi o primeiro a direcionar ataques contra a >>>> cientificidade da psicanálise e nem o crítico mais eficaz. John Horgan >>>> levantou em seu livro "The undiscovery mind" diversas das críticas contra >>>> a psicanálise, algumas melhores do que a de Popper. A crítica de Popper >>>> pode não ser a mais apropriada, mas o objetivo dele não era convencer >>>> ninguém. >>>> Aceito que o senhor possua fé na psicanálise. Muitos compartilham da sua >>>> fé. Da mesma forma sou compassivo com aqueles que mantém uma crença em um >>>> Deus, deuses, ou nenhum deus. Não posso aceitar a sua afirmação de que a >>>> psicanálise é ciência. Também achar que Jung estava correto por ser >>>> colaborador de dois físicos importantes, é uma nova forma de falácia: >>>> argumentum ad amicis. >>>> >>>> Tento agora responder alguns pontos levantados por outros. >>>> >>>> Falsificabilidade ou refutabilidade. >>>> >>>> Popper não é um falsificacionista ingênuo. Não há confronto entre 1 teoria >>>> e experiência. Há confronto de duas ou mais teorias rivais com a >>>> experiência. A experiência pode decidir provisoriamente entre teorias >>>> rivais qual é a melhor. >>>> >>>> Certamente, a ciência não é formada somente por teorias falsificáveis. >>>> Existem programas de pesquisas metafísicos, concepções da natureza e >>>> outras coisas. Popper explicou todos esses pontos. >>>> >>>> Alguém afirmou que nenhum físico se comporta como Popper os descreve. >>>> Acredito que a afirmação é ambiciosa demais. O físico de comporta conforme >>>> o estudo que está fazendo. Depende da situação, do objeto e de diversas >>>> outras coisas. O método que ele vai usar é bastante flexível. Algumas >>>> vezes na história encontramos exemplos de refutação de teorias, outras de >>>> confirmação, outras de adequação, outras de salvar os fenômenos, outras de >>>> intuição somente. >>>> >>>> Sou popperiano, mas não acho que Popper explica tudo. Caso fosse assim, eu >>>> me dedicaria a outra área que não a filosofia da ciência. Mas não >>>> reconhecer importantes insights trazidos por Popper é brincadeira. O Doria >>>> chega a dizer que Jung explicou melhor a ciência do que Popper, Kuhn, >>>> Fraassen ou qualquer outro filósofo da ciência. >>>> >>>> O critério de demarcação é importante pragmaticamente. Diversos filósofos >>>> da ciência, inclusive Lakatos, apontaram demasiadamente. Na filosofia é >>>> assim, compo Popper a descreveu, estamos sempre revolvendo os entulhos. >>>> >>>> >>>> >>>> >>>> >>>> >>>> >>>> Julio Fontana >>>> _______________________________________________ >>>> Logica-l mailing list >>>> [email protected] >>>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>> >>> _______________________________________________ >>> Logica-l mailing list >>> [email protected] >>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> > > > > -- > ----------------------------------------------- > Prof. Dr. Walter Carnielli > Director > Centre for Logic, Epistemology and the History of Science – CLE > State University of Campinas –UNICAMP > 13083-859 Campinas -SP, Brazil > Phone: (+55) (19) 3521-6517 > Fax: (+55) (19) 3289-3269 > Institutional e-mail: [email protected] > Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
