Vejam que bacana este aspecto da ciência: uma hipótese científica que "pode" 
alterar bastante nossa visão (como a do tal Kiselev) e que não é analisada a 
fundo porque os cientistas estão sem tempo e não sabem se devem levá-la sério, 
e para levar a sério fazem uso de argumentos de autoridade...
Eu entendo as mensagens do Doria num sentido mais ou menos assim, ele está 
sempre apontando para diferenciações, contra-exemplos e etc... e não é de hoje.
Gosto da visão do Habermas (creio), segundo ela existem três tipos de ciência: 
ciências formais, ciências empíricas e ciências argumentativas. Partindo assim 
do todo e não de uma delas em particular parece que evitamos certos 
"pseudoproblemas"... Para ajudar a esmiuçar estes conceitos e suas fronteiras, 
ai sim Popper e cia são muito bem vindos. 
Quem definiu ciência como uma atividade de resolução de problemas? Isso não 
torna a velha ideia aristotélica de que ciência tem um objeto de estudo 
irrelevante? Alias já não tem um tempo que se deixou de usar esta ideia?
Rodrigo
PS: Se matemática não é ciência o que ela é então?

> From: [email protected]
> Date: Mon, 19 Sep 2011 14:33:53 -0500
> To: [email protected]
> Subject: Re: [Logica-l] Kiselev
> 
> Olá pessoal lógico Brasileiro!
> 
> Os preprints usualmente contêm erros ... até que algum referee ou um grupo
> de matemáticos sérios não dessem algum conceito sobre os escritos do
> Kiselev, acho que eu não acreditarei na afirmação dele. Acho pouco
> professional a atitude do Kiselev ao não submeter a uma revista os escritos
> dele ...
> 
> E como disse o Andreas Blass: "se eu não tivesse alguma coisa mais urgente
> para fazer, daria uma olhada ao (ou a um) erro, mas tenho coisas mais
> urgentes para fazer [...] assim que não escrutinarei  a afirmação do Kiselev
> em breve (isso poderia mudar se alguém como o Solovay diz que deveria ser
> tomado seriamente)". Outra vez aparece o argumento de autoridade.
> 
> Falando com o meu orientador (Andrés Villaveces, ele foi doutorando do
> Kenneth Kunen na U. de Wisconsin e acho que ele tem autoridade para falar
> sobre o tema), parece que pouco pessoal prestou atenção ao Kiselev com
> seriedade. Espero que daqui a pouco alguém com suficiente tempo consiga dar
> uma olhada aos escritos para comprovar se realmente a prova tem erros.
> 
> Pedro Zambrano.
> 
> 2011/9/19 <[email protected]>
> 
> > Olás a todos,
> >
> > Essa questão do Kiselev ("ZF provar que não existem inacessíveis") é
> > complicada mesmo e concordo com as colocações do Rodrigo, principalmente no
> > que se refere à analogia com o axioma do infinito.
> >
> > Além das discussões no FOM, há algo também no MathOverFlow:
> >
> > http://mathoverflow.net/**questions/73121/recent-claim-**
> > that-inaccessibles-are-**inconsistent-with-zf<http://mathoverflow.net/questions/73121/recent-claim-that-inaccessibles-are-inconsistent-with-zf>
> >
> > No MathOverFlow, Andreas Blass (que é um pesquisador respeitável - olha o
> > argumento de autoridade de novo, hehe...) diz o que mais ou menos todos
> > estão dizendo pelo que vi, o texto é difícil de ler, está meio rebuscado e
> > repetitivo, não está claro qual é a parte crucial do argumento. Aí, para ler
> > as 250 páginas, fica complicado.
> >
> > Também li que o problema é que o Kiselev está tratando de certas afirmações
> > ao mesmo tempo "no sistema e também metamatematicamente", o que complica um
> > pouco a coisa.
> >
> > Ou seja: como disse Dana Scott no FOM, alguém vai ter que ler e expor o
> > erro, caso ele exista. Só críticas superficiais (está mal escrito, monótono,
> > etc.) não vão resolver.
> >
> > E, como Andreas Blass, eu também estou sem tempo para ler as 250 páginas,
> > vou deixar para algum pesquisador mais experiente do que eu fazer isso,
> > hehe...
> >
> > Até,
> >
> > []s  Samuel
> >
> > PS: Há alguns anos atrás eu vi algo de um russo em um congresso dizendo que
> > inacessíveis nao existiam, deve ser o mesmo Kiselev... Seria bom se um cara
> > como o Kanamori, ou o próprio Solovay, viesse a público e desse uma opinião
> > rápida sobre esse trabalho, que acabou de entrar no ArXiv. O cara deve ser
> > um desses rebeldes que não gostam de críticas ao próprio trabalho, por isso
> > não submete num formato padrão como artigo ou livro, e aí nós temos que
> > todos procurar o erro no trabalho do cidadão, enfim (se é que existe, eu
> > particularmente aposto que tem algum erro em algum lugar).
> >
> >
> >
> >
> >
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