Nem olhei direito o manuscrito, mas pelo que entendi o Nelson afirma ter
provado em PRA que Q é inconsistente.

É conhecido que PRA prova que Q é consistente (corolário do teorema de
Hilbert-Ackerman).

Até onde posso compreender, "PRA prova que uma teoria T é inconsistente"
significa que é possível exibir uma função primitiva recursiva f e um número
natural n tal que f(n) é uma prova da inconsistencia em T.  Acho que o
argumento do Nelson é que uma tal f para a teoria Q não é total: f não para
na entrada n. Daí, a inconsistência de PRA.


É muito mais grave do que PA ser inconsistente.

PRA é considerada a teoria que representa o raciocínio finitário. Teoremas
centrais da lógica são demonstrados em PRA: eliminação do corte, Herbrand,
etc. Por exemplo, eliminar corte aumenta muito o tamanho da prova. A
operação de eliminar corte poderia não ser total na concepção do Nelson.

É difícil até interpretar essa prova do Nelson: ele toma a consistência de Q
como certa, mesmo "exibindo" no sentido finitário uma prova da
inconsistência de Q. Claro que a matemática não finitária vai toda embora. O
Nelson parece não estar muito preocupado, disse que vai fazer uma nova
fundamentação da matemática. O problema é que não vai sobrar nada para ser
fundamentado: exponenciação nos naturais não é total. Cálculo 1 vai embora.


Se PRA é incosistente, acredito que não restará nada que mereça o título de
"conhecimento".


Abraço
Rodrigo
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