Esclarecendo alguns pontos:

-Não acredito que o Nelson esteja certo. Ele é um ótimo matemático e seu
trabalho merece ser estudado em detalhes, mas não acho que ele tenha
conseguido o que ele afirma.

-A questão "onde a fisica, a matemática e a engenharia vão ficar?" não é
puramente teórica, tem componentes burocráticos, sociológicos, entre outros.
Difícil imaginar que deptos de matemática serão fechados caso Nelson esteja
certo.

-física, matemática e engenharia não precisam de fundamentação e estão ok
*para todos os propósitos práticos*. Aviões não vão deixar de funcionar caso
Nelson esteja certo. A situação muda se fisica, matemática e engenharia
almejam o status de conhecimento, no sentido clássico do termo. Aí precisa
de fundamentação, de justificativa.

-PRA é "logic free": pode ser formulada sem quantificadores e define as
funções de verdade. É um "logic free calculus". Ela dispensa a tal "lógica
subjacente".

-PRA está na base da própria lógica: provas e definições por indução em
lógica básica tem sentido apenas assumindo que definir e provar por indução
de fato define e prova alguma coisa. O que Nelson propõe: definições por
recursão primitiva podem não definir funções. Exemplo: a construção que a
cada prova associa uma prova sem corte (em um sistema apropriado de
sequentes, ou outro) pode não definir uma função.

-Os próprios problemas fundacionais tem sentido apenas assumindo o
conhecimento finitário: perguntar sobre a consistência de um sistema formal
perde completamente o sentido se o âmbito finitário colapsa. PRA é um cânone
da significatividade dos problemas fundacionais, conforme colocados por
Hilbert e outros.

-Ceticismo sobre os cânones da significatividade dos problemas fundacionais
implica ceticismo sobre os próprios problemas. Não está claro o que é
"fundamentar" nesse caso.

Abraço
Rodrigo
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