Oi, Daniel. Foi justamente para não gerar os problemas de temporalidade, que eu 
não falei sobre tornar algo inquebrável (embora a minha intuição seja de que 
isso é possível). Eu falei apenas de existir algo que em outro mundo é 
inquebrável e que no nosso mundo é quebrável. Isso evita que eu tenha que falar 
que algo é inquebrável de agora em diante. Mas se eu tivesse que falar isso, 
então eu falaria que quando algo é quebrável é porque há mundos possíveis 
acessíveis ao actual em que o objeto é quebrado, e que tornar um objeto 
inquebrável é justamente acabar com a acessibilidade aos mundos em que o objeto 
está quebrado. Um exemplo de tornar o copo inquebrável: substituirmos as partes 
de vidro do copo por partes de papel (e destruímos as partes de vidro aos 
poucos). Quando o copo for todo de papel, ele será inquebrável, pois papel não 
quebra, mas rasga.

Mas como eu disse, penso que o problema de S5 é reformulável em termos não 
temporais; e é por isso que, embora minha intuição seja de que seja possível 
tornar algo quebrável em inquebrável, eu a tentei formular sem falar nada sobre 
TORNAR algo quebrável em inquebrável; mas em termos de algo ser quebrável e ser 
possivelmente inquebrável.
Um abraço,
Rodrigo Cid

> Date: Tue, 4 Oct 2011 10:50:11 -0300
> From: [email protected]
> To: [email protected]; [email protected]
> Subject: Re: [Logica-l] S5 não funciona
> 
> Oi Rodrigo,
> 
> RODRIGO CID:  Minha intuição é justamente que tornar coisas quebráveis 
> em inquebráveis é possível.
> 
> Para mim não faz muito sentido "tornar uma coisa inquebrável". Quando 
> você TORNA uma coisa em ALGO, me parece que há apenas duas 
> possibilidades: (1) Ou você torna a coisa sem mudar a coisa. O mesmo 
> copo que era quebrável se torna inquebrável. Mas isso é uma contradição 
> de termos (analítica), porque se ele era quebrável no passado, ele 
> jamais se tornará inquebrável. No máximo ele se tornará inquebrável DE 
> AGORA EM DIANTE, o que é diferente e mais fraco que inquebrável 
> [continuaria havendo mundos possíveis em que o copo "inquebrável de 
> agora em diante" é quebrável]. (2) Ou você torna a coisa mudando a 
> própria coisa. Ou seja, a outra possibilidade é que a coisa que era 
> quebrável e se tornou inquebrável, deixou de ser aquilo que era e se 
> transformou em outra coisa. Neste caso, o copo quebrável deixou de 
> existir e um outro copo passou a existir, este sim, inquebrável. Nem em 
> (1) nem em (2) algo quebrável tornou-se inquebrável.
> Este problema é muito interessante, e o que penso sobre isso é que temos 
> que refletir muito sobre quem serão os INDIVÍDUOS em nossas 
> formalizações. Se você quer formalizar TRANSFORMAÇÕES e admitir a 
> possibilidade de um copo quebrável tornar-se inquebrável, então, em seu 
> sistema formal, você precisa ANALISAR o copo. Quebrá-lo (desculpe o 
> trocadilho) em elementos/funções constituintes para poder dar sentido à 
> transformação, caindo assim no caso (2) acima. Os velhos Pré-Socráticos 
> já nos ensinavam isso!
> 
> Abraços,
> Daniel
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