Olá,

Ops! Desculpe. Eu confundi tudo. Estou tão acostumado a trabalhar com
lógica epistêmica que quando alguém fala de S5 eu logo penso que
estamos falando de conhecimento. Só agora me dei conta de que você
está falando de necessidade e possibilidade mesmo. Então esqueçamos
conhecimento. Porém, nesse caso, a minha intuição as vezes falha.

Então, como disse Andréa: possivelmente inquebrável implica
necessariamente não quebrado. É estranho mesmo. Em alguns textos, os
lógicos evitam esse tipo de coisa restringindo a linguagem: operadores
modais não podem ser aninhados. Ou seja, sentenças como "possivelmente
inquebrável" não são permitidas.

Até mais,
Tiago.

2011/10/3 rodrigo cid <[email protected]>:
>
> Oi, Tiago!
>> P.e., em w1 o copo é quebrável e está quebrado, em w2 o copo é
>> inquebrável e não está quebrado. O mundo onde o copo é inquebrável e
>> está quebrado não existe. Em w2 podemos considerar possível que o copo
>> está quebrado, pois não sabemos se o copo é inquebrável, porque existe
>> um mundo possível onde ele é quebrável. No modelo em que sabemos que o
>> copo é inquebrável, existe apenas o mundo w2. Temos então que agora
>> sabemos que o copo é inquebrável e, logo, não está quebrado.
>
>
> Eu diria que por mais que não tenhamos conhecimento sobre a capacidade do 
> copo se quebrar, se o copo é inquebrável em w2, então não é possível que ele 
> seja quebrado a partir de w2. Pois se ele houvesse a partir de w2 um mundo 
> possível em que o copo estivesse quebrado, então ele não seria inquebrável, 
> dado que ser inquebrável é ser impossível de ser quebrado (ou seja, não  
> existir mundo possível acessível em que está quebrado). Tudo isso seria 
> independente do nosso conhecimento sobre as capacidades do copo.
>
>> > Um copo ser possivelmente inquebrável é o mesmo que não haver mundos 
>> > possíveis a partir do mundo em que ele é inquebrável em que o copo é 
>> > quebrado.
>>
>> OK. Se você define assim, me parece que você está colocando uma
>> espécie de temporalidade no teu sistema. Eu acho que você quer dizer
>> que, se um copo é inquebrável então não podemos quebrá-lo. Ou seja, se
>> o copo é inquebrável, qualquer que seja o mundo possível amanhã, o
>> copo não estará quebrado. É isso? Se for, você agora tem um sistema
>> com duas relações de acessibilidade diferentes: conhecimento (S5) e
>> tempo. A interação entre as duas coisas não é muito clara. Mas isso
>> ainda pode ficar mais complicado: se o copo é inquebrável então a ação
>> de quebrar o copo não é executável. Neste caso, você poderia tentar
>> modelizar com uma lógica juntando S5 e PDL.
>
> Na verdade, eu estava tentando não falar em termos temporais. Eu comecei a 
> discutir isso com um amigo em termos temporais, em termos de ser possível 
> tornar alguma coisa inquebrável. Mas eu preferi falar sobre haver um mundo 
> possível em que tal coisa é inquebrável para evitar a temporalidade.
>
>> Mas, voltando ao âmago da questão, se você disser que a partir do
>> mundo possível onde o copo é inquebrável (w) não há mundos possíveis
>> onde o copo está quebrado, então você está dizendo que em w você sabe
>> que o copo não está quebrado. Eu acho que isso não deveria ser assim.
>> Mas, se você não quiser supor que em w você sabe que o copo não está
>> quebrado, então existem mundos acessíveis onde o copo está quebrado e,
>> logo (por causa da nossa restrição lá de cima), existem mundos
>> acessíveis a partir de w onde o copo é quebrável.
>
>
> Eu não entendo muito bem por que você faz a conexão entre o nosso 
> conhecimento e as modalidades. Se em w um copo é inquebrável, isso não 
> implica nada sobre o meu conhecimento com relação às capacidades do copo. O 
> copo pode ser inquebrável e eu posso não saber que ele o é. E se eu não sei 
> em w que o copo não está quebrado, isso pode se dever a eu não ter visto o 
> copo e não saber de suas capacidades; e não ao fato de ele não ser 
> inquebrável.
>
>
>
>> >
>> >> Date: Mon, 3 Oct 2011 18:53:59 +0200
>> >> From: [email protected]
>> >> To: [email protected]; [email protected]
>> >> Subject: Re: [Logica-l] S5 não funciona
>> >>
>> >> Olá Rodrigo,
>> >>
>> >> A única coisa que você precisa garantir é que não haja, no mesmo mundo
>> >> possível, copo inquebrável e copo quebrado. Todo o resto é permitido.
>> >> Quando você tem que "a partir do mundo em que o copo é inquebrável,
>> >> não há mundos possíveis em que ele está quebrado", é porque você já
>> >> sabe que o copo é inquebrável. E quando essa frase não é verdadeira, é
>> >> porque você não sabe se o copo é quebrável ou não. Ou seja, no mundo
>> >> possível onde o copo é inquebrável, obviamente, ele não está quebrado,
>> >> mas num outro mundo ele pode estar quebrado, o que implica que naquele
>> >> mundo ele é quebrável.
>> >>
>> >> Muita gente acredita que S5 não funciona. Mas essa não é uma das razões.
>> >>
>> >> Até mais,
>> >> Tiago.
>> >>
>> >> 2011/10/3 rodrigo cid <[email protected]>:
>> >> >
>> >> > Pessoal,
>> >> > Eu estava pensando sobre as razões para aceitar ou rejeitar S5, e 
>> >> > pensei no seguinte caso.
>> >> > Suponhamos que temos um copo. E que tal copo, como a maioria dos outros 
>> >> > copos, é quebrável.Suponhamos também que fosse possível com relação ao 
>> >> > nosso mundo que o copo fosse inquebrável.Se este fosse o caso, então a 
>> >> > partir do mundo em que o copo é inquebrável, não há mundos possíveis em 
>> >> > que ele está quebrado.No entanto, a partir do mundo em que o copo é 
>> >> > quebrável, há um mundo possível em que ele está quebrado.Há, assim, um 
>> >> > mundo possível em que o copo está quebrado que é acessível ao mundo 
>> >> > actual, mas não é acessível ao mundo em que o copo é inquebrável.Logo, 
>> >> > se é possível que algo seja inquebrável a partir do nosso mundo, então 
>> >> > S5 não funciona, dado que haverá mundos possíveis acessíveis a certos 
>> >> > mundos e não acessíveis a outros.
>> >> > Vocês concordam?
>> >> > Um  abraço,
>> >> > Rodrigo Cid
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