Olá, Rodrigo:

> Como eu já disse, acho que o Qualis nem deveria existir. Mesmo assumindo
> que uma classificação correta seja possível, a qualidade da revista não é
> condição necessária nem suficiente para a qualidade dos trabalhos nela
> publicados. Um trabalho publicado em uma revista boa não é automaticamente
> bom, e para publicar um trabalho em uma revista ruim você não é obrigado a
> ser ruim e a escrever um trabalho ruim. Há inúmeros exemplos por aí, casos
> extremos inclusive, não é o caso de ficar listando.

Estou essencialmente de acordo com isto.

> Se a avaliação deve ser reduzida a uma questão técnica e feita com base em
> índices, então não sei como poderíamos sequer justificar a *existência* de
> um comitê de colegas tão notáveis para classificar as revistas. Bastaria
> contratar uma secretária ou um secretário para fazer o serviço (de modo
> mais eficiente). "Ah, mas existem os casos limites, de revistas boas que
> por algum motivo não tem os tais indices". Isso apenas mostra que o que é
> relevante é a percepção da comunidade sobre as revistas dado que elas "são
> boas" (baseado em que, fora a percepção da comunidade?) mas não possuem
> índices.

Sem dúvida que a "percepção da comunidade" deve de alguma forma ser
levada em consideração!  Foi esse aliás o argumento que eu usei
recentemente ao representar a "lógica computacional", com a ajuda de
Mauricio Ayala e Marcelo Finger, no esforço de re-qualis-ficação das
Conferências da área de Lógica na Computação.

http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2011-December/006866.html

Entre meados de dezembro e o fim de janeiro conseguimos com que o
Altigran, diretor de Eventos e Comissões Especiais da SBC, abrisse pra
gente "o sistema" para que eu pudesse inserir as alterações que
coletamos aqui na lista.  Com estas informações a comunidade de
Computação vai rodar uns robôs na net para coletar dados numéricos e
índices que possibilitem verificar e auxiliar a justificar as
classificações pretendidas.

Talvez Maurício, Marcelo, ou alguém que tenha participado da última
reunião da SBC possam explicar melhor como funcionará este software
que já está sendo usado para dar subsídios à elaboração do novo
documento de área do CA-CC.  Insisto neste ponto: na Computação, em
princípio, a avaliação não levará em conta "sensibilidades" que não
possam ser medidas ou ajustadas por índices e coeficientes.

> Se o nosso trabalho deve se reduzir a chamar a atenção dos comitês para o
> indíce dessa revista, para o corpo editorial daquela, então não estamos
> fazendo nada, na minha opinião. Estamos assumindo um papel de *servir* o
> comitê, assessorando nossos colegas do comitê que podem ter esquecido algum
> índice. Dificilmente considero isso um trabalho intelectualmente relevante,
> digno de um pesquisador. Assumir essa subserviência em relação aos comitês
> e seus documentos de área não está nos meus planos: seria melhor não fazer
> nada.
> Mesmo que isso "dê resultados", o preço a pagar é um pouco alto para mim.

Também acho alto o custo de fazer estas coisas, e em particular de
construir listas que ninguém está disposto a ajudar a manter
atualizadas...  De todo modo, só posso torcer para que os colegas do
comitê da Matemática sejam realmente sensíveis ao conteúdo da carta
que vocês prepararam.  Os colegas do comitê da Computação, contudo,
dificilmente o serão.  Caso não os *ajudemos* a encaixar a nossa
solicitação no escopo dos "critérios" que eles têm se esforçado por
consagrar e depurar ao longo dos triênios, é bastante provável que
eles simplesmente ignorem o conteúdo da carta, por mais comprida que
seja a lista de assinantes.  Talvez não seja necessário chamar esta
*ajuda* de "subserviência aos comitês".

Joao Marcos

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