O problema do *argumentum ad verecundiam* é o apelo para autoridades *
inadequadas*. Essa é a instância falaciosa. Não há, em geral, problema em
apelar para autoridades relevantes. Serve como proxy para uma justificação
do argumento. O argumento pode ser sound não em virtude da autoridade ter
determinado diploma ou título mas por ter as competências necessárias para
ter realizado com veracidade determinado proferimento.   Isso é o que
permite a racionalidade na atitude de se confiar na opinião de
especialistas.

Não creio que a crítica que foi feita é de que não pode-se ser filósofo da
ciência sem ser cientista de formação, mas sim que filósofos da ciência
precisam estudar ciência. Muita filosofia da ciência é feita de forma
apriorística, como se fosse autônoma do conteúdo empírico das teorias
científicas, o que é um absurdo.

Thomas Kuhn, James Ladyman e vários outros célebres filósofos da ciência
têm/tiveram uma formação científica. Outros adquiram o expertise necessário
de forma diletante, como dois dos mais renomados filósofos da biologia
contemporâneos, Alex Rosenberg e John Wilkins.

Ter uma formação científica também de forma alguma é garantia para manejar
de forma intelectualmente responsável as questões metafísicas e
epistemológicas fundamentais de sua própria disciplina. Como exemplo, uma
série de disparates que o físico Lawrence Krauss falou a respeito da
filosofia em geral no último ano; outro filósofo-cientista que gosto muito,
Massimo Pigliucci, possui um resumo da novela:
http://rationallyspeaking.blogspot.com.br/2012/04/lawrence-krauss-another-physicist-with.html

Lawrence Krauss depois publicou um mea culpa depois de puxões de orelha por
parte de amigos seus e filósofos:
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=the-consolation-of-philos

Muito do ensinado no Halliday não é ensinado no EM. Em Física I, por
exemplo, problemas de mecânica com massa variável exigem Cálculo. Mas eu
diria que o grosso e mais interessante de um bacharelado em Física é
aprender a manejar o formalismo analítico canônico - algo que é mais raro
de ser estudado de forma diletante.

Um forte abraço.


2013/4/30 Julio Fontana <[email protected]>

> Aqui no Brasil o debate sempre acaba "evoluindo" do ad hominem para os
> argumentos de autoridade.
> E quer dizer que para ser filósofo da ciência tem que ser físico. A
> maioria dos físicos não conhecem filosofia e não conhecem história da
> ciência. Uma graduação em física não quer dizer nada. Em muitas faculdades
> de física o curso é o mesmo que o de engenharia. Talvez o cara saiba melhor
> a parte computacional da física. O que que tem no Halliday que não tenha
> sido ensinado no EM?
>
> Julio Fontana
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