De acordo que é muito complexo Manuel. D ________________________________ Décio Krause Departamento de Filosofia Universidade Federal de Santa Catarina 88040-940 Florianópolis, SC -- Brasil deciokrause[at]gmail.com www.cfh.ufsc.br/~dkrause ________________________________
Em 01/05/2013, às 01:24, Manuel Doria escreveu: > Professor Décio, não acredito que possa ser formulada uma definição que não > seja question-begging e circular de 'autoridade relevante' > > Como uma tentativa grosseira, eu pensaria em algo como: > > x é uma autoridade em uma atividade A = df x é excelente na atividade A & x é > reconhecido por um threshold n de autoridades de A pessoalmente > desinteressadas em x como uma autoridade em A > > Essa definição é recursiva e visa capturar a intuição de que experts se > reconhecem caso não tenham interesses pessoais conflituosos, inveja, etc. > > Mas enfim, 3 décadas de psicologia cognitiva mostram que nós largamente não > pensamos através de definições. Podemos descrever um exemplar saliente, > protótipo ou estereótipo de 'autoridade relevante'. Essas estruturas são > tradicionalmente representadas como uma soma vetorial em um espaço > multidimensional. Os que mais se distanciarem espacialmente da 'autoridade > relevante' exemplar ou prototípica vão ser considerados como autoridades bona > fide menos relevantes. > > A idéia de expertise está ligada à excelência em uma prática. 'Práticas' > nesse sentido, me apropriando de Alasdair MacIntyre, são atividades > socialmente distribuídas e orientadas a objetivos (chutar aleatoriamente uma > bola na parede para MacIntyre não seria uma 'prática', em comparação a jogar > futebol). Daí surgem espontaneamente testes de litmo, standards de avaliação > coletivos que determinam a performance numa prática. Mesmo para atividades > congeladas no tempo, (como o jogo de xadrez há mais de um século) seus > standards de avaliação podem continuar mudando dado o caráter cumulativo do > conhecimento - experts de hoje aprendem com os de ontem - e a presença de > outras práticas que interferem na excelência desta - como novas técnicas de > preparação física para atletas mesmo em esportes cujas comissões reguladores > mantém suas regras incólumes há décadas. > > Enfim, esse é um assunto muito complexo. > > Um forte abraço. > > > 2013/4/30 Décio Krause <[email protected]> > Manuel > Como se distingue entre "autoridades relevantes" e "não-relevantes"? > D > > > > ------------------------------------------------------ > Décio Krause > Departamento de Filosofia > Universidade Federal de Santa Catarina > 88040-900 Florianópolis - SC - Brasil > http://www.cfh.ufsc.br/~dkrause > ------------------------------------------------------ > > Em 30/04/2013, às 15:14, Manuel Doria <[email protected]> escreveu: > >> O problema do *argumentum ad verecundiam* é o apelo para autoridades * >> inadequadas*. Essa é a instância falaciosa. Não há, em geral, problema em >> >> apelar para autoridades relevantes. Serve como proxy para uma justificação >> do argumento. O argumento pode ser sound não em virtude da autoridade ter >> determinado diploma ou título mas por ter as competências necessárias para >> ter realizado com veracidade determinado proferimento. Isso é o que >> permite a racionalidade na atitude de se confiar na opinião de >> especialistas. >> >> Não creio que a crítica que foi feita é de que não pode-se ser filósofo da >> ciência sem ser cientista de formação, mas sim que filósofos da ciência >> precisam estudar ciência. Muita filosofia da ciência é feita de forma >> apriorística, como se fosse autônoma do conteúdo empírico das teorias >> científicas, o que é um absurdo. >> >> Thomas Kuhn, James Ladyman e vários outros célebres filósofos da ciência >> têm/tiveram uma formação científica. Outros adquiram o expertise necessário >> de forma diletante, como dois dos mais renomados filósofos da biologia >> contemporâneos, Alex Rosenberg e John Wilkins. >> >> Ter uma formação científica também de forma alguma é garantia para manejar >> de forma intelectualmente responsável as questões metafísicas e >> epistemológicas fundamentais de sua própria disciplina. Como exemplo, uma >> série de disparates que o físico Lawrence Krauss falou a respeito da >> filosofia em geral no último ano; outro filósofo-cientista que gosto muito, >> Massimo Pigliucci, possui um resumo da novela: >> http://rationallyspeaking.blogspot.com.br/2012/04/lawrence-krauss-another-physicist-with.html >> >> Lawrence Krauss depois publicou um mea culpa depois de puxões de orelha por >> parte de amigos seus e filósofos: >> http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=the-consolation-of-philos >> >> Muito do ensinado no Halliday não é ensinado no EM. Em Física I, por >> exemplo, problemas de mecânica com massa variável exigem Cálculo. Mas eu >> diria que o grosso e mais interessante de um bacharelado em Física é >> aprender a manejar o formalismo analítico canônico - algo que é mais raro >> de ser estudado de forma diletante. >> >> Um forte abraço. >> >> >> 2013/4/30 Julio Fontana <[email protected]> >> >>> Aqui no Brasil o debate sempre acaba "evoluindo" do ad hominem para os >>> argumentos de autoridade. >>> E quer dizer que para ser filósofo da ciência tem que ser físico. A >>> maioria dos físicos não conhecem filosofia e não conhecem história da >>> ciência. Uma graduação em física não quer dizer nada. Em muitas faculdades >>> de física o curso é o mesmo que o de engenharia. Talvez o cara saiba melhor >>> a parte computacional da física. O que que tem no Halliday que não tenha >>> sido ensinado no EM? >>> >>> Julio Fontana >>> _______________________________________________ >>> Logica-l mailing list >>> [email protected] >>> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >>> >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
