Pessoal, para mim eis a grande diferença entre a "divulgação científica" no
estilo de um Poincaré, por exemplo (uma das formas de sua filosofia da
ciência), e o "jornalismo científico" (sem pretender desprestigiar o
jornalismo).
Cifuentes


Em sex, 9 de nov de 2018 às 20:22, Walter Carnielli <
[email protected]> escreveu:

> É  "descoeso"  mesmo. Segundo eu tenho presente (corrijam-me os
> kantianos),  Kant defende a afirmação de que os juízos  matemáticos são
> sintéticos a priori. Se ele consegue ou não
> explicar a  cognição  matemática  por aí, é  outro problema. Parece-me que
> Marcelo Viana   "estacionou"  antes,  muito antes,  que tivesse tido a
> chance
> (coragem? ) de falar sobre  Kant.
>
> W.
>
> Em sex, 9 de nov de 2018 às 18:51, yuri lumer <[email protected]>
> escreveu:
>
>> Acho que estas  colunas de divulgação do Marcelo Vianna estão muitíssimo
>> aquém do trabalho dele como matemático.
>>
>> Essa coluna então, na minha humilde opinião, é um exemplo de "descoesão"
>> de texto. Ele dá um salto quântico do causo do Sylvester para o artigo
>> seminal do Wigner e termina dizendo que os cientistas continuam
>> intrigados...rs
>>
>> Qual a ideia central do texto que eu não peguei? Porque a relação
>> matemática-observação acho que ele passa tão ao largo que fiquei com a
>> sensação que ele não disse nada...
>>
>> Em sex, 9 de nov de 2018 12:13, Andrea Loparic <[email protected]
>> escreveu:
>>
>>> Só um pequeno toque. A questão ai posta é a questão central da filosofia
>>> da matemática e respostas foram propostas desde a antiguidade grega.
>>> O autor, pelo visto, não era exatamente alguém que tivesse tido um
>>> contato
>>> com a filosofia mais próximo que o de Huxley com a matemátca.
>>> Abraços,
>>> Andrea
>>>
>>> Em sex, 9 de nov de 2018 às 12:03, Valeria de Paiva <
>>> [email protected]> escreveu:
>>>
>>>> Bem legal esse outline https://www.outline.com/ Adolfo!
>>>> e obrigada Marcelo e Claus pelo texto!
>>>>
>>>> Quem ainda nao leu, vale a pena ler o Wigner original
>>>> http://www.dartmouth.edu/%7Ematc/MathDrama/reading/Wigner.html
>>>> e tambem Hamming's ``The Unreasonable Effectiveness of Mathematics
>>>> <http://www-lmmb.ncifcrf.gov/~toms/Hamming.unreasonable.html>" e ate
>>>> mesmo `The unreasonale effectiveness of data
>>>> <http://static.googleusercontent.com/media/research.google.com/en//pubs/archive/35179.pdf>
>>>> '.
>>>>
>>>> On Fri, Nov 9, 2018 at 4:29 AM Adolfo Neto <[email protected]>
>>>> wrote:
>>>>
>>>>> Outra opção para fugir do paywall poroso do UOL é colocar o link no
>>>>> https://outline.com/ que gera um link compartilhável como este aqui
>>>>> https://outline.com/K5c4n6. Por enquanto é de graça, mas vai ser pago
>>>>> em breve, acho.
>>>>>
>>>>> Em sex, 9 de nov de 2018 às 09:51, Marcelo Finger <[email protected]>
>>>>> escreveu:
>>>>>
>>>>>> Oi Claus.  Vamos ver se fica legível.
>>>>>>
>>>>>> A matemática, que nada sabe de observaçãoDe onde vêm as ideias
>>>>>> matemáticas: do mundo real ou da dedução pura?
>>>>>>
>>>>>>    -
>>>>>>    -
>>>>>>    - 3
>>>>>>    
>>>>>> <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloviana/2018/11/a-matematica-que-nada-sabe-de-observacao.shtml#comentarios>
>>>>>>    -
>>>>>>    -
>>>>>>       -
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>>    -  EDIÇÃO IMPRESSA
>>>>>>    <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/fac-simile/2018/11/07/>
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>>    -
>>>>>>    
>>>>>> <https://app-na.readspeaker.com/cgi-bin/rsent?customerid=6877&lang=pt_br&readid=c-news&url=>
>>>>>>
>>>>>>    - Diminuir fonte
>>>>>>    - Aumentar fonte
>>>>>>
>>>>>> O filósofo Auguste Comte (1798-1857), fundador do Positivismo,
>>>>>> acreditava que a ciência é a "investigação da realidade". E colocava a
>>>>>> matemática no topo: "É pelo estudo da matemática, e somente por esse 
>>>>>> meio,
>>>>>> que se pode formar uma ideia correta e aprofundada do que se entende por
>>>>>> ciência".
>>>>>>
>>>>>> Esse ponto de vista, que faz do método matemático o modelo e objetivo
>>>>>> de toda investigação científica, é recebido de modo distinto por
>>>>>> cientistas. Matemáticos tendem a repeti-lo sempre que possível (como 
>>>>>> acabo
>>>>>> de fazer); colegas de outras áreas têm menor entusiasmo.
>>>>>>
>>>>>> Um dos críticos mais ferozes foi o biólogo Thomas H. Huxley
>>>>>> (1825-1895), autodidata e debatedor temível. Tendo aderido às ideias de
>>>>>> Charles Darwin (1809-1882) sobre a evolução, defendeu-as com tanto vigor 
>>>>>> e
>>>>>> paixão que acabou conhecido como o "buldogue de Darwin".
>>>>>> [image: Estátua "'O Pensador", do escultor Aguste Rodin, em frente ao
>>>>>> Instituto de Artes de Detroit, em Michigan.]Estátua "'O Pensador",
>>>>>> do escultor Aguste Rodin, em frente ao Instituto de Artes de Detroit, em
>>>>>> Michigan. - Rebecca Cook/Reuters
>>>>>>
>>>>>> Os dois naturalistas também tinham em comum o fato de saberem quase
>>>>>> nada de matemática. Enquanto Darwin lamentava a ignorância (“Lamento não
>>>>>> ter avançado o suficiente para entender os grandes princípios da
>>>>>> matemática, pois pessoas com esse conhecimento parecem possuir um sentido
>>>>>> extra”), Huxley se irritava com menções à disciplina que não dominava.
>>>>>>
>>>>>> Seu ataque a Comte foi demolidor. Em artigo na revista Fortnightly
>>>>>> Reviews, Huxley apresentou uma visão caricatural: "O matemático começa 
>>>>>> com
>>>>>> algumas afirmações tão óbvias que são chamadas autoevidentes, e o resto 
>>>>>> do
>>>>>> trabalho consiste em deduções sutis a partir delas". E ridicularizou 
>>>>>> Comte:
>>>>>> "Quer dizer que o único estudo que pode dar 'uma ideia correta e
>>>>>> aprofundada do que se entende por ciência' é justamente esse (a 
>>>>>> matemática)
>>>>>> que não sabe nada sobre observação, experimentação, indução ou
>>>>>> causalidade?".
>>>>>>
>>>>>> A refutação a Huxley ficou a cargo do matemático inglês James J.
>>>>>> Sylvester (1814-1897), em palestra em 1869 perante a Sociedade Britânica
>>>>>> para o Progresso da Ciência. Sylvester começou por afirmar a admiração 
>>>>>> por
>>>>>> Huxley, o qual “se tivesse dedicado seus extraordinários poderes de
>>>>>> raciocínio à matemática, teria se tornado tão grande como matemático 
>>>>>> quanto
>>>>>> é como biólogo”. Mas pessoas inteligentes também erram ao falar do que 
>>>>>> não
>>>>>> entendem, continuou. Sobre o artigo de Huxley, intitulado “Notas de um
>>>>>> discurso após o jantar”, ponderou, com ironia, que talvez tivesse sido 
>>>>>> mais
>>>>>> prudente fazer o discurso antes da refeição...
>>>>>>
>>>>>> Sylvester não chega a explicar satisfatoriamente de onde vêm as
>>>>>> ideias matemáticas: do mundo real ou da dedução pura? No primeiro caso,
>>>>>> como pode a matemática ser rigorosa? No segundo, como pode descrever a
>>>>>> realidade? O Nobel da física Eugene Wigner (1902-1995) debruçou-se sobre
>>>>>> essas questões no famoso ensaio “A efetividade nada razoável da 
>>>>>> matemática
>>>>>> nas ciências naturais”, de 1960. As respostas intrigam os pensadores até 
>>>>>> os
>>>>>> nossos dias.
>>>>>> Marcelo Viana
>>>>>>
>>>>>> Diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, ganhador do
>>>>>> Prêmio Louis D., do Institut de France.
>>>>>>
>>>>>>    - Link externo, abre perfil de Marcelo Viana no Facebook
>>>>>>    <http://www.facebook.com/IMPABR>
>>>>>>    - Link externo, abre perfil da { $column->name }} no
>>>>>>    Twittermailto:[email protected]
>>>>>>    <http://twitter.com/impaoficial>
>>>>>>
>>>>>>
>>>>>> On Fri, Nov 9, 2018 at 12:24 AM Claus Akira Horodynski Matsushigue <
>>>>>> [email protected]> wrote:
>>>>>>
>>>>>>>
>>>>>>>
>>>>>>>
>>>>>>>
>
> -----------------
> Walter Carnielli
> Centre for Logic, Epistemology and the History of Science and
> Department of Philosophy
> State University of Campinas –UNICAMP
> 13083-859 Campinas -SP, Brazil
>
>
>
> http://www.cambridge.org/br/academic/subjects/philosophy/twentieth-century-philosophy/significance-new-logic?format=HB&isbn=9781107179028
>
>
> Institutional e-mail: [email protected]
> Website: http://www.cle.unicamp.br/prof/carnielli
> CV Lattes : http://lattes.cnpq.br/1055555496835379
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