Marcos, Mais uma coisa para deixar claro: o Inclusive Logic day foi para isso, para tratar o problema do racismo e do sexismo na profissão.
Há uma carta à ASL sendo redigida e propostas de levantamento de dados sendo feitas. Assim que a carta ficar pronta, podemos compartilhar aqui. Durante o evento foi produzido um enorme documento com diversas propostas de combate ao racismo e sexismo. Não sei como ele será disponibilizado posteriormente, mas também posso compartilhar novamente por aqui depois (é o link para o google docs do evento, disponível na chamada para participação). Um abraço, Nastassja Pugliese Universidade Federal do Rio de Janeiro >> On 12 Jun 2020, at 18:40, nastassja pugliese <[email protected]> >> wrote: > Querido Marcos Silva, > > Obrigada pela pergunta central. > > Infelizmente eu não conheço mais ninguém além de nós que estejam a fazer este > tipo de levantamento de dados. É imprescindível que nos engajemos todos para > conhecermos mais sobre as particularidades de nossas áreas de atuação e sobre > a academia brasileira. Por isso queríamos sugerir que as associações, > sociedades e programas de pós-graduação fizessem esse censo e > disponibilizassem dados para ajudar na consulta pública e promoção de > atividades. > > Importante notar uma coisa: o pensamento feminista tem várias vertentes, mas > no Brasil (e no meu ponto de vista particular mais especificamente) o único > feminismo que faz sentido é o que reflete sobre a interseção de diversos > marcadores (raça, classe, gênero, geografia, linguagem) nas experiências > políticas (pessoais e públicas) do sujeito. Então, assim, o trabalho é > hercúleo, mas estamos sim fazendo um esforço para mapear - aos menos - as > mulheres negras na lógica e na filosofia. Seria perfeito se outras pessoas > pudessem colaborar nesse esforço e mapear e divulgar os trabalhos dos homens > negros na lógica. > > Deixo aqui um gráfico produzido com as informações que tínhamos no ano de > 2018 da CAPES sobre os PPgs de Filosofia. Há muito o que interpretar nesse > gráfico: chamo atenção para duas categorias (“não dispõe de informação” e > “não declarado”) que nos mostra como a auto-identificação racial ainda é tabu > para gente. > > Finalmente, o gráfico, ainda que problemático, mostra como é desvantajosa a > situação dos homens negros frente, por exemplo, às mulheres brancas. > > Portanto, muita reflexão (e caminho) pela frente. > > Um abraço! > > > <image0.jpeg> > > > Nastassja Pugliese > Universidade Federal do Rio de Janeiro > >>>> On 12 Jun 2020, at 17:32, Marcos Silva <[email protected]> wrote: >>> >>> Cara Nastassja, >>> >>> Parabéns pelo relevante projeto! >>> >>> Gostei também do importante convite para pensarmos o quanto inclusivas são >>> (e podem ser) as nossas aulas e outras atividades acadêmicas. Obrigado! >>> >>> Por falar em privilégios, diversidade e inclusão, voce conhece alguém >>> pesquisando sobre a história de filósofos/lógicos pretos no Brasil? Dentre >>> as pesquisadoras já catalogadas em sua pesquisa, existe alguma negra? A >>> lacuna e invisibilidade aqui parecem ser ainda maiores. >>> >>> (finalizo sem poemas. infelizmente, to meio vazio de poesia hoje em dia) >>> >>> abraços do Recife, >>> Marcos >>> >>>> On Fri, Jun 12, 2020 at 12:28 PM nastassja pugliese >>>> <[email protected]> wrote: >>> Caros e caras colegas da lista, >>> >>> Muito obrigada pelas respostas que recebi aqui e no privado. Queria dizer >>> que esta agenda de pesquisa me move há um tempo e que tenho percebido, >>> quanto mais me esforço em compreender a história da lógica (e da filosofia) >>> no Brasil e no mundo, mais eu vejo que há muita gente fazendo este esforço >>> há mais tempo que eu e também junto comigo. É um projeto coletivo antes de >>> mais nada, um projeto de memória coletiva. >>> >>> Então, quem quiser contribuir, por favor me mandem mais nomes de >>> orientandas, de professoras em seus respectivos departamentos e, >>> principalmente, de mulheres que já não estão mais entre nós mas que >>> deixaram algum tipo de legado em suas áreas de atuação. Sim, Ayda Arruda >>> sempre aparece, João Marcos. Mas eu queria ir mais atrás… mais longe no >>> tempo… temos registros de mulheres atuando publicamente, em instituições de >>> pesquisa, como servidoras públicas, muito tardios. Elas (nós) entramos na >>> esfera pública apenas no século XIX aqui no Brasil (Bertha Lutz, por >>> exemplo, é considerada uma pioneira do serviço público, atuando no Museu >>> Nacional da UFRJ). Por isso eu acho que se fizermos um esforço, >>> conseguiremos um mapa melhor. >>> >>> Uma das coisas importantes é contarmos essas histórias, então, José Carlos >>> Cifuentes, obrigada pelo artigo sobre a Ayda. Eu não consegui abrir a >>> página sobre a Analice Gebauer Volkov. >>> >>> Estamos eu, Gisele Secco, Valéria de Paiva e Elaine Pimental organizando >>> ações em conjunto nesta direção e em breve compartilharemos mais >>> informações, divulgaremos iniciativas e faremos mais pedidos semelhantes a >>> este que fiz acima. >>> >>> Um aspecto importante da pesquisa é atentarmos para o fato de que a lógica >>> aparece em diversos departamentos (e em cada um deles as agendas de >>> pesquisa na lógica são diferentes), como filosofia, matemática, ciência da >>> computação e linguística. Por isso, novamente, quem quiser contribuir com >>> depoimentos, informações e mandar artigos/livros/verbetes sobre estas >>> referências femininas em suas áreas de atuação, agradeço. Podem me mandar >>> no privado se preferirem. >>> >>> Um apelo que está acontecendo por aí é que estimulemos nossos orientandos, >>> orientandas e que nós mesmos tiremos um tempo para melhorar as entradas na >>> Wikipedia em Português sobre essas pessoas. Fica aí também o pedido. >>> >>> Um abraço e um bom final de semana para todos e todas, >>> >>> Nastassja Pugliese >>> >>> Universidade Federal do Rio de Janeiro >>> EDF - Faculdade de Educação >>> PPGLM - Departamento de Filosofia >>> >>>> On Jun 12, 2020, at 10:36, josé carlos cifuentes <[email protected]> wrote: >>>> >>>> Prezados, bom dia. Acho louvável o interesse de Nastassja de resgatar a >>>> memória das lógicas brasileiras que se destacaram no desenvolvimento dessa >>>> área. Em particular, já que o João Marcos mencionou Ayda Arruda, devo >>>> lembrar que ela iniciou-se na Universidade Federal do Paraná onde foi a >>>> primeira orientanda do professor Newton Da Costa. >>>> Há um par de anos escrevi um pequeno texto sobre Ayda para divulgação e >>>> que mandarei por separada à Natassja e ao João Marcos pois esta lista não >>>> aceita arquivos. >>>> Devo comentar ademais que aqui, na UFPR onde sou professor, tem-se mantido >>>> uma certa tradição na formação de estudantes de matemática na área de >>>> lógica sob o incentivo dos professores Décio Krause (atualmente na UFSC), >>>> Adonai Sant'Anna e eu (os dois primeiros foram orientandos de Newton Da >>>> Costa), e nessa caminhada gostaria de destacar uma das alunas de Adonai, >>>> aluna na graduação e posteriormente orientanda de mestrado do professor >>>> Newton, mas que infelizmente, durante seu doutorado na USP, faleceu em >>>> 2000 num acidente: a Analice Gebauer Volkov, uma promessa. Uma resenha >>>> sobre ela pode ser encontrada no blog do Adonai: >>>> adonaisantana.blogspot.com/2012/09/analice.html. >>>> Só pra finalizar, e já que hoje é Dia dos Namorados, lhes envio um pequeno >>>> poema, fruto do confinamento, para matar as saudades: >>>> >>>> Teu sorrir na pandemia >>>> numa máscara escondido >>>> é o ar que se perdido >>>> enfraquece a poesia. >>>> >>>> Um forte abraço a todos e "fiquem em casa". >>>> José Carlos Cifuentes >>>> >>>> >>>> Livre de vírus. www.avast.com. >>>> >>>>>> Em sex., 12 de jun. de 2020 às 00:26, Joao Marcos <[email protected]> >>>>>> escreveu: >>>>> Viva, Nastassja: >>>>> >>>>> São perguntas importantes! >>>>> >>>>> Eis um nome fundamental da história do CLE, para a sua pesquisa: Ayda >>>>> Arruda. >>>>> >>>>> Cuide-se, >>>>> Joao Marcos >>>>> >>>>> >>>>>>> On Thu, Jun 11, 2020, 22:46 nastassja pugliese >>>>>>> <[email protected]> wrote: >>>>>> Caro Walter e colegas da lista, >>>>>> >>>>>> Muito obrigada pela resposta gentil. >>>>>> >>>>>> Gostei de saber os nomes de alguns de seus colaboradores, mais >>>>>> especificamente, das suas colaboradoras mulheres: Mariana Matulovic e >>>>>> Maria Cláudia Grácio. Tenho interesse, especificamente, nesse recorte >>>>>> de gênero. Pode parecer cafona e totalmente off-topic. Mas é isso, em >>>>>> minha pesquisa procuro reconstruir a história das mulheres brasileiras >>>>>> na filosofia e na lógica, em uma iniciativa de construção de memória >>>>>> coletiva do trabalho intelectual das mulheres. Você me ajudaria >>>>>> imensamente se pudesse me dizer mais alguns nomes! Como foi na história >>>>>> do CLE? Tiverem mulheres no começo ou só depois? Como é agora? Conta um >>>>>> pouco? Quem são suas referências mulheres na sua área? (essa pergunta é >>>>>> para todos que estão com paciência de acompanhar minha conversa aqui) >>>>>> >>>>>> Sobre a Interlíngua, que barato, eu não conhecia (você vê, eu tenho >>>>>> claras limitações). Vou ler mais com certeza assim que puder. Eu penso >>>>>> que uma iniciativa como esta, criada pelo Peano, é coisa de gênio mesmo. >>>>>> Mas olha, eu estava procurando uma coisa mais simples, iniciativas mais >>>>>> rápidas e fáceis como, por exemplo, a escola de lógica que a Ítala está >>>>>> organizando na UNICAMP na qual você é conferencista. Esta iniciativa é >>>>>> uma jóia, uma verdadeira ação de inclusão, já que inclui capacitação, >>>>>> mentoria E financiamento de todos os participantes! Incrível de verdade. >>>>>> Esse daí foi um gol de placa de vocês (pena que veio o COVID. Vocês vão >>>>>> fazer online?). Tomara que tenhamos mais escolas de lógica neste >>>>>> formato, com tudo pago e um programa bem definido, pelo Brasil. >>>>>> >>>>>> Eu sou meio boba com essa coisa de línguas pois eu gosto de escrever em >>>>>> inglês. Me libertei do incômodo com o inglês ser minha segunda língua >>>>>> lendo poesia NewYorican (Miguel Piñero) e aprendendo sobre o >>>>>> Dominicanish. Mas claro, nunca quis, nunca pretendi, nunca tive como >>>>>> alvo publicar na MIND. Tenho outros castelos para entrar e espero, como >>>>>> você, não ser barrada na porta por causa do meu sotaque. De todo modo, >>>>>> reconheço que é um problema real nosso frente a comunidade >>>>>> internacional. É um tema importante sim no que diz respeito à >>>>>> geopolítica do conhecimento. Mas acho que só com muita reflexão sobre >>>>>> cânone e metodologia que essa conversa vai para frente. Neste sentido, a >>>>>> discussão sobre inclusão pode sim ajudar nessa pauta. >>>>>> >>>>>> Um grande abraço, >>>>>> >>>>>> Nastassja Pugliese >>>>>> >>>>>> Universidade Federal do Rio de Janeiro >>>>>> EDF - Faculdade de Educação >>>>>> PPGLM - Departamento de Filosofia >>>>>> >>>>>>> On Jun 11, 2020, at 21:29, Walter Alexandre Carnielli >>>>>>> <[email protected]> wrote: >>>>>>> >>>>>>> Prezada Nastassja, c/c tod@as >>>>>>> >>>>>>> Obrigado pelas considerações- tenho certeza que você tem o sucesso >>>>>>> relativo à sua área. Mas não se deixe enganar pelas aparência: como >>>>>>> dizem, o diabo só é cheio de truques porque é mais velho que todo >>>>>>> mundo :-) >>>>>>> Meu modesto sucesso se deve em boa parte a meus colaboradores, >>>>>>> ex-estudantes, orientandos de mestrado , doutorado e pós-doutorado, >>>>>>> uma boa porção desta lista: >>>>>>> só para mencionar os ex: Rodrigo Freire, Alfredo Freire. (que muita >>>>>>> gente pensa que são parentes, mas só são parecidos na inteligência), >>>>>>> João Marcos, Mamede Lima-Marques, Carlos CIfuentes, Tony Marmo, >>>>>>> Henrique Antunes, Bruno Mendonça, Pedro Lemos, Mariana Matulovic, >>>>>>> Juan Carlos Agudelo, Pietro Kreitlon Carolino, Samir Gorsky, Juan >>>>>>> Carlos Agudelo, Alexandre Costa Leite, Anderson de Araújo >>>>>>> Edson Bezerra. Maria Cláudia Grácio, Tomás Barrero... nem menciono >>>>>>> os colaboradores e. pós-docs para não encher a Lista. >>>>>>> >>>>>>> Você diz que gostaria mesmo de saber, honestamente, das ações >>>>>>> realizadas. Vou lhe contar (e conto a todos que porventura não >>>>>>> saibam) de uma ação a que tenho me dedicado há uns 25 anos, com >>>>>>> muito pouco sucesso na qual, mas >>>>>>> na qual continuo teimosamente . Esta ação tem a ver com o >>>>>>> "imperialismo linguístico". e com o "castelo anglofônico", bastante >>>>>>> mencionado aqui hoje: sou um defensor da Interlíngua inventada por >>>>>>> Giuseppe Peano, como uma alternativa à anglo-dominação. >>>>>>> >>>>>>> >>>>>>> Há. quase 20 anos. publiquei um artigo em Interlingua na Revista >>>>>>> Eletrônica Informação e Cognição, v.4, n.1, p.61-73, 2002-2005; >>>>>>> segue um pequeno trecho para que se veja que sem mesmo estudar uma >>>>>>> linha, >>>>>>> consegue-se. entender quase tudo. Escrever é bem fácil, porque as >>>>>>> regras gramaticais. se reduzem a poucas regras. Esta entrada >>>>>>> Wikipedia é um bom lugar para se começar: >>>>>>> https://pt.wikipedia.org/wiki/Latino_sine_flexione >>>>>>> >>>>>>> ========================= >>>>>>> "Le logica impecabile del irrational" >>>>>>> 1. Parve historia e importantia philosophic del paraconsistentia >>>>>>> >>>>>>> Le historia del investigation logic super le inconsistente o le >>>>>>> contradictori non es longe. Le duo (assi considerate) fundatores, >>>>>>> laborante in modo independente e vidente le question ab differente >>>>>>> perspectivas, esseva le logico polonese Stanislaw Jaskowski e le >>>>>>> logico brasilian Newton C. A. da Costa. Le prime publicava su ideas in >>>>>>> lingua polonese in 1948 e 1949, e ha apparite in lingua anglese solo >>>>>>> in 1968 (cf. [Jas48]). Le secunde introduceva su ideas in un these >>>>>>> durante le annos sexanta, e ha apparite in lingua anglese in [dC74]. >>>>>>> Comoqunque, per alcune persone, le duo fundatores son tre (un ver >>>>>>> situation contradictori): le logic norte-american David Nelson in 1949 >>>>>>> jam publicava in [Nel49] ideas e resultates supra theorias matematic >>>>>>> “inconsistente” sed non “supracomplete”. >>>>>>> ==================================== >>>>>>> Aqui: >>>>>>> https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&ved=2ahUKEwiI5Pi_-_rpAhWBK7kGHVdOCSkQFjABegQIAhAB&url=https%3A%2F%2Frevistas.marilia.unesp.br%2Findex.php%2Freic%2Farticle%2Fview%2F723%2F625&usg=AOvVaw0J0_jsV32gTfrd3P1YqcbU >>>>>>> >>>>>>> >>>>>>> Há objeções óbvias, como "é uma língua sem história literária", >>>>>>> "pouca gente fala", e outras mais idiotas, como "FIca. difícil para >>>>>>> os anglófonos aprender"... >>>>>>> Mas será que o "inglês acadêmico " falado e escrito meio porcamente >>>>>>> por todos nós, tem "história literária"? Minha proposta é usar esta >>>>>>> língua para escrever ciência e para se corresponder academicamente, >>>>>>> como fizeram grandes cientistas por séculos. >>>>>>> >>>>>>> O "Principia Mathematica" de Newton foi escrito em latim; Euler >>>>>>> escrevia quase tudo em latim, Leibniz se correspondia em latim. E >>>>>>> tantos outros. >>>>>>> >>>>>>> Já. ouvi lógicos latino-europeus muito famosos (não se esqueça de >>>>>>> que franceses , espanhóis e italianos, para além dos portugueses, >>>>>>> entre outros, são latinos culturalmente). manifestarem um viralatismo >>>>>>> incrível: >>>>>>> "Se eu escrever em Interlíngua, os ingleses e americanos vão achar que >>>>>>> sou incapaz. de falar a língua deles"!! >>>>>>> >>>>>>> Quem sabe agora, com este. esforço de liberdade que estamos >>>>>>> vivenciando (inclusive com a iniciativa do Supergroup) , pode ser a >>>>>>> hora? >>>>>>> >>>>>>> Abs, >>>>>>> >>>>>>> Walter >>>>>>> >>>>>>>> Em qui., 11 de jun. de 2020 às 19:48, nastassja pugliese >>>>>>>> <[email protected]> escreveu: >>>>>>>> >>>>>>>> Caro Walter Carnielli, querido Marcos Silva, caro Marcelo Finger, >>>>>>>> Rodrigo Feire, Jean-Yves e colegas da lista, >>>>>>>> >>>>>>>> Muito interessantes as histórias pessoais de cada um com a academia >>>>>>>> internacional. Eu ficaria um tempão ouvindo porque sei que as anedotas >>>>>>>> são interessantes para pensar nosso lugar no cenário mais amplo. Eu >>>>>>>> também tenho várias histórias absurdas no meu repertório dado que >>>>>>>> morei quase 7 anos nos Estados Unidos fazendo meu pleno. >>>>>>>> >>>>>>>> Tenho certeza de que cada um de nós já passou por diversas situações >>>>>>>> lamentáveis e outras, nem tanto, afinal cada um de vocês aqui (todos >>>>>>>> nós) temos uma trajetória acadêmica de sucesso. >>>>>>>> >>>>>>>> Sucesso sim. Pensem como nesta lista operam vários filtros que tornam >>>>>>>> minha caracterização correta: somos “sobreviventes” de uma luta por um >>>>>>>> lugar na academia, publicamos, damos aulas, atuamos como exemplos em >>>>>>>> nossas universidades e nichos de pesquisa. Somos acadêmicos de >>>>>>>> sucesso. Claro que meu sucesso está longe de ser tão grandioso, >>>>>>>> importante e impactante quanto o do professor Walter Carnielli (bien >>>>>>>> sûr) que já publicou diversos livros e artigos reconhecidos por tantas >>>>>>>> pessoas (tiro meu chapéu). Mas ainda assim, eu digo, minha trajetória >>>>>>>> é cheia de sucessos, ainda que pequenos sucessos. >>>>>>>> >>>>>>>> Digo isso porque meu apelo é o seguinte: olhemos para os lados e >>>>>>>> reconheçamos nosso lugar de privilégio e poder. >>>>>>>> >>>>>>>> Eu acho que o projeto Inclusive Logic tem a ver com isso: sobre como >>>>>>>> podemos dar poder para os outros. Sobre como usamos o nosso próprio >>>>>>>> poder. É mais sobre os outros do que sobre nós individualmente. É mais >>>>>>>> sobre o grupo e os elos mais frágeis do grupo. É sobre como formar bem >>>>>>>> alunos e alunas, é sobre diminuir as dificuldades deles e delas de, no >>>>>>>> futuro, serem tão bons quanto nós somos. É sobre eles e elas que podem >>>>>>>> ficar no caminho por uma falta de reflexão nossa sobre o caminho >>>>>>>> deles. É sobre como podemos, olhando para o lado, construir uma >>>>>>>> academia mais saudável para todos os seus integrantes. Inclusive Logic >>>>>>>> também é sobre saúde mental na academia: a nossa e a deles. >>>>>>>> >>>>>>>> Por isso eu queria mesmo, de verdade, honestamente, saber se vocês >>>>>>>> realizam alguma ação em suas salas de aulas, em seus departamentos, >>>>>>>> nos números de revista editados, nos colóquios e simpósios >>>>>>>> organizados, nos programas de curso, ligada à inclusão dos alunos e >>>>>>>> alunas brasileiros na academia brasileira. Como é que funciona isso >>>>>>>> para vocês? Como vocês tratam esses assuntos específicos: ensino de >>>>>>>> lógica, engajamento dos alunos e alunas na sala de aula, causas da >>>>>>>> evasão, baixo número de minorias em espaços de visibilidade e poder na >>>>>>>> universidade, clima (às vezes hostil) na sala de aula? >>>>>>>> >>>>>>>> Pergunto porque se vocês realizam ou já realizaram alguma ação neste >>>>>>>> sentido, pois estou compilando ações e propostas para documentar e >>>>>>>> promover. >>>>>>>> >>>>>>>> Obrigada pela atenção e bom final de feriado para todos, >>>>>>>> >>>>>>>> Nastassja Pugliese >>>>>>>> Universidade Federal do Rio de Janeiro >>>>>>>> >>>>>>>> >>>>>>>> On Jun 11, 2020, at 17:57, Rodrigo Freire <[email protected]> wrote: >>>>>>>> >>>>>>>> O livro do Poizat é uma preciosidade para mim, especialmente a edição >>>>>>>> original que ele me enviou de presente há uns dez anos. É muito bom >>>>>>>> que ele tenha perseverado e produzido o livro. >>>>>>>> >>>>>>>> Outro prefácio de livro relacionado, Classical Groups, Hermann Weyl, >>>>>>>> parágrafo final: >>>>>>>> >>>>>>>> "The gods have imposed upon my writing the yoke of a foreign tongue >>>>>>>> that was not sung at my cradle. >>>>>>>> >>>>>>>> "Was dies heissen will, weiss jeder, >>>>>>>> Der im Traum pferdlos geritten,'' >>>>>>>> >>>>>>>> I am tempted to say with Gottfried Keller. Nobody is more aware than >>>>>>>> myself of the attendant loss in vigor, ease and lucidity of >>>>>>>> expression. If at least the worst blunders have been avoided, this >>>>>>>> relative accomplishment is to be ascribed solely to the devoted >>>>>>>> collaboration of my assistant, Dr. Alfred, H. Clifford; and even more >>>>>>>> valuable for me than the linguistic, were his mathematical criticisms." >>>>>>>> >>>>>>>> Poizat ressaltou bem que razões não-acadêmicas (poder econômico, etc) >>>>>>>> impulsionam o imperialismo linguístico/cultural nas ciências e na >>>>>>>> filosofia. O efeito apontado é o empobrecimento intelectual pela >>>>>>>> exclusão do que não se enquadra na identidade dominante. Exageros à >>>>>>>> parte, indianos e árabes parecem ter desenvolvido muito cálculo e >>>>>>>> muita álgebra com muita antecedência e não eram muitos os livros que >>>>>>>> reconheciam essa parte da história: >>>>>>>> >>>>>>>> "There were many reasons why the contribution of the Kerala school has >>>>>>>> not been acknowledged," he said. "A prime reason is neglect of >>>>>>>> scientific ideas emanating from the Non-European world, a legacy of >>>>>>>> European colonialism and beyond." >>>>>>>> >>>>>>>> https://www.cbc.ca/news/technology/calculus-created-in-india-250-years-before-newton-study-1.632433 >>>>>>>> >>>>>>>> https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_calculus#Medieval >>>>>>>> >>>>>>>> Abraço >>>>>>>> >>>>>>>> >>>>>>>>> On Thu, Jun 11, 2020 at 5:34 PM Walter Carnielli >>>>>>>>> <[email protected]> wrote: >>>>>>>>> >>>>>>>>> Marcos, Marcelo Finger, JM ,JY e outros interessados : >>>>>>>>> >>>>>>>>> Fico feliz em saber que não é só minha impressão, embora pesaroso >>>>>>>>> por saber que minha impressão é verdadeira. >>>>>>>>> >>>>>>>>> Tenho mais um caso, sobre um artigo que Abilio e eu submetemos à >>>>>>>>> MIND, revista do "clube de caça à raposa". >>>>>>>>> >>>>>>>>> Depois esperar uma porção de semanas (muitas mesmo) o editor escreveu >>>>>>>>> assim: >>>>>>>>> >>>>>>>>> "Obrigado pela submissão.O assunto não nos interessa, e ademais o >>>>>>>>> artigo tem "several infelicities on the English language ". >>>>>>>>> >>>>>>>>> Como tínhamos gastado tempo e dinheiro com uma orientanda do Fitting, >>>>>>>>> que revisa os trabalhos dele, e de quem ele tinha dado as melhores >>>>>>>>> indicações, quisemos saber quais eram essas "infelicidades", se eram >>>>>>>>> erros, questões de estilo ou o quê. >>>>>>>>> >>>>>>>>> A resposta foi que "a MIND não comenta seus próprios comentários"!!! >>>>>>>>> >>>>>>>>> Quite democratic, I suppose... >>>>>>>>> >>>>>>>>> >>>>>>>>> >>>>>>>>> >>>>>>>>> >>>>>>>>> Em qui, 11 de jun de 2020 16:30, Marcelo Finger <[email protected]> >>>>>>>>> escreveu: >>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> Ah, isto tambem me marcou: a Oxford University Press ja me deu um >>>>>>>>>>> parecer negativo para um projeto de livro que tava editando, >>>>>>>>>>> afirmando que apesar do projeto ser muito promissor, havia poucos >>>>>>>>>>> autores falantes nativos de ingles nele. >>>>>>>>>> >>>>>>>>>> Marcos, tive a oportunidade de viver na Inglaterra na época da >>>>>>>>>> Guerra do Golfo, onde esse nacionalismo e auto-centrismo, em geral >>>>>>>>>> latente e camuflado, aflorou, vazou por todos os poros, e chegou a >>>>>>>>>> jorrar e a escorrer pela superfície de todas as conversas. >>>>>>>>>> >>>>>>>>>> []s >>>>>>>>>> >>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> Em qui., 11 de jun. de 2020 às 16:24, Marcos Silva >>>>>>>>>>> <[email protected]> escreveu: >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> Caro Walter, >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> obrigado por esta reflexão! >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> eu mantenho um grupo remoto de discussao com alguns alunos no >>>>>>>>>>> Recife para continuar orientacao e pesquisa mesmo durante a >>>>>>>>>>> pandemia. Neste ultimo mes, nos dedicamos aa apresentacao e >>>>>>>>>>> discussao de algumas entradas da SEP que teriam a ver com suas >>>>>>>>>>> pesquisas. >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> acho que nunca tinha realizado isto com tanta clareza como agora, >>>>>>>>>>> mas me impressionou como a gente tem que ter cuidado com vies >>>>>>>>>>> politico da SEP. E deixar os alunos atentos a isto. Funciona quase >>>>>>>>>>> como um braço de um imperialismo filosófico. >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> Varios pontos positivos: gratuita, sempre renovada, varios textos >>>>>>>>>>> muito bons, alguns excelentes autores. >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> Antes eu tinha minhas criticas em relacao aa heterogeneidade da >>>>>>>>>>> qualidade das contribuicoes. Mas agora, acho que porque li muitas >>>>>>>>>>> entradas em seguida, vi como convenientemente propaga o mito da >>>>>>>>>>> anglocentrismo na filosofia, educando uma geracao de jovens a ver >>>>>>>>>>> como filosofia "boa" a retratada pelas escolhas da SEP. Subjacente >>>>>>>>>>> aas entradas, pelas decisoes de temas, referencias e autores, >>>>>>>>>>> parece defender tacitamente que so ha um tipo de filosofia a ser >>>>>>>>>>> feita, a analitica, e alguns autores a serem lidos, os anglofonos, >>>>>>>>>>> especialmente estadounidenses. Mesmo temas e autores de outras >>>>>>>>>>> tradicoes sao retratos, quando retratados, dentro deste "straight >>>>>>>>>>> jacket". >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> Ah, isto tambem me marcou: a Oxford University Press ja me deu um >>>>>>>>>>> parecer negativo para um projeto de livro que tava editando, >>>>>>>>>>> afirmando que apesar do projeto ser muito promissor, havia poucos >>>>>>>>>>> autores falantes nativos de ingles nele. >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> Abracos do Recife! >>>>>>>>>>> Marcos >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> On Thu, Jun 11, 2020 at 10:03 AM Walter Carnielli >>>>>>>>>>>> <[email protected]> wrote: >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> Car@s colegas: >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> Infelizmente devido a um deadline não consegui participar da >>>>>>>>>>>> apresentação do João Marcos ontem sobre o Dia Da Lógica Inclusiva. >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> Dessa forma eu continuo sem entender exatamente o que significa >>>>>>>>>>>> ter um slot lá, mas de todo modo a sugestão do João Marcos é >>>>>>>>>>>> realmente muito boa. >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> Há tempos eu levanto a questão da ditadura anglofônica na pesquisa >>>>>>>>>>>> em lógica. >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> Já aconteceu comigo ter trabalho dos rejeitados sumariamente por >>>>>>>>>>>> pequenas questões linguísticas, ou porque o trabalho não vinha do >>>>>>>>>>>> Canadá ,Estados Unidos Inglaterra Austrália e Nova Zelândia. >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> E o preconceito é também dos leitores l, daqueles que citam: eles >>>>>>>>>>>> têm mais confiança em citar o Priest do que alguns de nós, por >>>>>>>>>>>> exemplo, quando se trata de paraconsistência. Nisso amigo que nos >>>>>>>>>>>> perdoe tomá-lo como exemplo mas é o mais obvio. >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> Isso se "explica" porque o Priest, publicou no New York Times >>>>>>>>>>>> --mas de novo o jornal vai preferir publicar as coisas dele do >>>>>>>>>>>> que de alguém de nós. >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> As coisas se repetem em cadeias muito longas. >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> Eu até queria falar sobre isso, mas parece que já acabou o espaço >>>>>>>>>>>> --ou vai haver outro? >>>>>>>>>>>> Aguém sabe disso, ou o João sabe nos dizer? >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> Abraços >>>>>>>>>>>> >>>>>>>>>>>> -- >>>>>>>>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo >>>>>>>>>>>> "LOGICA-L" dos Grupos do Google. >>>>>>>>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails >>>>>>>>>>>> dele, envie um e-mail para [email protected]. >>>>>>>>>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>>>>>>>>>> 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>>>>>>>>>> Departament of Computer Science, IME >>>>>>>>>> University of Sao Paulo >>>>>>>>>> http://www.ime.usp.br/~mfinger >>>>>>>>>> ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1391-1175 >>>>>>>>>> ResearcherID: A-4670-2009 >>>>>>>>> >>>>>>>>> >>>>>>>>> -- >>>>>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >>>>>>>>> dos Grupos do Google. >>>>>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>>>>>>> envie um e-mail para [email protected]. >>>>>>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse >>>>>>>>> https://groups.google.com/a/dimap.ufrn.br/d/msgid/logica-l/CA%2Bob58PrUNRcuRkQXTXJRZh%3DYgQY5Vize%2BZVZhxhp-QPyUoFfA%40mail.gmail.com. >>>>>>>> >>>>>>>> >>>>>>>> -- >>>>>>>> Você recebeu essa mensagem porque está inscrito no grupo "LOGICA-L" >>>>>>>> dos Grupos do Google. >>>>>>>> Para cancelar inscrição nesse grupo e parar de receber e-mails dele, >>>>>>>> envie um e-mail para [email protected]. >>>>>>>> Para ver essa discussão na Web, acesse 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Filosófica >> Marcos Silva Philosophy >> "amar e mudar as coisas me interessa mais" -- Você está recebendo esta mensagem porque se inscreveu no grupo "LOGICA-L" dos Grupos do Google. 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