Olá  Moderador da Lista ;-)

Obrigado por confirmar nossa impressão.

 Aproveite para alertar aos colegas mais jovens que tomem cuidado em
envolver em respostas e debates com esse tipo de "troll"

W
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 Walter Carnielli
CLE and Department of Philosophy
University of Campinas –UNICAMP, Brazil

 AI2- Advanced Institute for Artificial Intelligence
Blog https://waltercarnielli.com/


Em ter., 30 de jun. de 2026 21:51, O Administrador da LOGICA-L <
[email protected]> escreveu:

> AVISO: Este perfil, que ora se identifica como "Gabreel Sadalin" e
> aparentemente se identificava antes, durante vários anos, como "Paulo
> Henrique Gomes Ferreira" está sendo colocado em moderação por falta de
> ligação óbvia com os temas de interesse para discussão nesta lista.
>
> Atenciosamente,
> O Administrador da LOGICA-L
>
> On Tue, Jun 30, 2026 at 9:31 PM Gabreel Sadalin <[email protected]>
> wrote:
> >
> > Oi Márcio e amigos* da lista, me permita um comentário, a respeito desta
> parte: "  desenvolvimentos recentes em lógica paraconsistente ".
> > Desenvolvemos (a IA e eu*) um script em html usando lógica
> paraconsistente para um pulador da Lotomania, estamos detalhando o paper e
> em breve tanto o pulador quanto o Artigo Técnico Científico estarão
> disponíveis pra quem se interessar.
> > Claro que não tenho a pretensão de atrapalhar a lista, sei óbvio do
> falecimento do professor Newton da Costa, e outros gigantes da lógica e da
> filosofia de nossas academias que partiram mas deixaram um vasto legado
> para a humanidade.
> > Graças a vocês agora tenho novamente um orientador* .
> > Ele começa +- assim:
> > []
> > Resumo
> >
> > Este artigo descreve a integração de três formalismos distintos —
> codificação binária por posição, poda combinatória por limite superior de
> orçamento (WAND, Weak AND) e Lógica Paraconsistente Anotada de dois valores
> (LPA2v) — na construção de um gerador de fechamentos para a loteria
> Lotomania, tratado aqui como problema de código de bloco binário com
> distância de Hamming mínima garantida. Mostramos como a LPA2v,
> originalmente formulada por Da Costa, Abe e Subrahmanian (1991) e
> desenvolvida algoritmicamente por Da Silva Filho em sua tese de doutorado
> (1999) e em trabalhos posteriores sobre Lógica ParaFuzzy (2009), pode ser
> empregada não como mecanismo preditivo, mas como controlador explícito e
> auditável da ordem de exploração de um espaço de busca combinatório,
> preservando integralmente as garantias estruturais duras do problema
> original. Documentamos dois defeitos de software genuínos descobertos
> durante o desenvolvimento — ambos relacionados à contabilização incremental
> do estado de busca sob uma ordem de exploração não determinística — e a
> metodologia de validação cruzada (Python, Node.js e testes end-to-end de
> navegador) que permitiu corrigi-los e comprová-los formalmente corretos.
> Discutimos os limites epistêmicos da abordagem: por se tratar de um
> processo de sorteio independente e identicamente distribuído (i.i.d.),
> nenhuma reordenação de busca confere vantagem preditiva real, e isso é
> declarado explicitamente como parte do desenho do sistema. Por fim,
> propomos generalizações da arquitetura para domínios em que múltiplas
> fontes de evidência conflitantes precisam orientar buscas restritas por
> garantias estruturais duras, como alocação de recursos sob restrições de
> diversidade, escalonamento com preferências contraditórias e sistemas de
> recomendação combinatória.
> >
> > Palavras-chave: Lógica Paraconsistente Anotada; LPA2v; distância de
> Hamming; poda WAND; backtracking; códigos de bloco binário; geração
> combinatória.
> >
> > []
> >
> > Obrigado professor,
> >
> > Sds,
> >
> > Sphgf
> >
> >
> >
> >
> > Em terça-feira, 30 de junho de 2026 às 14:23:25 UTC-3, marciopalmares
> escreveu:
> >
> > Pessoal,
> >
> > Assisti alguns dias atrás o vídeo/entrevista promovido acredito pela
> SBFA, com o Marcos Silva, Cassiano e Walter, em homenagem ao Walter, com
> várias questões relacionadas a desenvolvimentos recentes em lógica
> paraconsistente.
> >
> > Fiz até uma pergunta, online: perguntei em qual sentido a escola
> brasileira, digamos assim, da paraconsistencia, se diferencia do Graham
> Priest. Outra pessoa perguntou se a lógica paraconsistente desemboca em um
> compromisso com a dialética.
> >
> > As respostas do Walter, se não me falha a memória, num tom bem humorado
> e descontraído, foram mais ou menos assim:
> >
> > 1. Na lógica paraconsistente tal como a praticamos ou concebemos (na
> linhagem direta do Newton da Costa) não há compromisso ontológico, isto é,
> ninguém precisa se comprometer com a suposta existência de contradições no
> mundo real, como faz o Graham Priest. Isso dá à corrente brasileira
> (original) mais versatilidade: pode ser usada em mais contextos;
> >
> > 2. Não há compromisso direto da paraconsistência como sistema de lógica
> com a dialética como corrente filosófica;
> >
> > 3. Graham Priest ajudou a popularizar a lógica paraconsistente.
> >
> >
> > OK. Eu não mexeria em nenhuma dessas afirmações.
> >
> > Fiz a pergunta sobre o Priest pois gostaria de saber se ele é precursor
> ou se ele é usuário. E claro que ele é um popstar, quem não acha bacana um
> matemático que luta karatê e escreve sobre zen-budismo e publica livros de
> amplo alcance sobre lógicas não classicas... Eu estava querendo saber se
> ele está entre os desenvolvedores criadores ou mais entre os usuários... E
> se haveria aqui algum uso talvez meio indevido da paraconsistencia sem
> citar Newton da Costa (espero que não).
> >
> > Bem.
> >
> > Agora, outro problema: a motivação filosófica.
> >
> > Minha opinião: Newton da Costa estava fortemente imbuído de uma
> concepção de dialética, era um dialético, embora motivação filosófica não
> corresponda diretamente ao produto matemático final. Mas a motivação
> filosófica ajuda a entendermos a gênese: como ou por quê um autor foi por
> aquele caminho. E para a gênese, a precisão na história das ideias é
> relevante.
> >
> > Vejam esse vídeo aqui:
> >
> > https://www.youtube.com/live/35WY6QO_YMc?is=_h0sXxA5cWFEDeJQ
> >
> > Tem 9 mil visualizações.
> >
> > O que este autor diz sobre Heráclito é meio escandaloso: parece que
> Heráclito é Parmênides nessa interpretação (pois é em Parmênides que
> encontramos a filosofia de uma unidade, um todo).
> >
> > Mas o pior é o que ele diz sobre Newton da Costa.
> >
> > Segue a minha crítica:
> >
> > (Obs.: não é porque um cara seja um popstar que fala em nome do marxismo
> que ele esteja imune à crítica.)
> >
> > Um ecletismo nocivo por suas meias-verdades (que são também
> meias-mentiras)
> >
> > Este autor, Gustavo Machado, é curioso por mais de um motivo...
> >
> > Primeiro, demonstra um ecletismo difícil de ser superado. Sozinho,
> individualmente, do alto de sua tribuna privada e monetizada, ele trata de
> todos os aspectos do conhecimento humano: economia, filosofia, história,
> literatura, sociologia, computação, matemática, lógica...
> >
> > Não há nada errado em buscar universalidade. Mas quando esta busca é
> individual, não mediada pelo confronto de ideias em uma comunidade
> científica ou filosófica, há um risco sério de que a pretensão de
> universalidade se transforme rapidamente em profusão de meias-verdades e
> equívocos banais que, no contexto de uma busca coletiva pelo saber, seriam
> facilmente corrigidos. Em outras palavras, se você não for um Leibniz, se
> for um mortal comum, por mais que seja relativamente fácil ter uma tribuna
> privada onde se possa discorrer sobre tudo, é conveniente buscar a mediação
> coletiva.
> >
> > O segundo aspecto curioso deste autor é que ele acerta o alvo diversas
> vezes e erra o alvo algumas vezes. Os acertos, em geral, correspondem a
> saberes bastante conhecidos, a verdades banais, inofensivas. O problema são
> os erros. Pois os erros, neste autor, são bastante nocivos.
> >
> > Vejamos um dos erros desta "live de terça".
> >
> > Tive a oportunidade de conhecer o Prof. Newton da Costa, conversar com
> ele pessoalmente em duas ocasiões.
> >
> > A primeira, em 2007, na Casa do Professor Visitante da Unicamp.
> Encontrei o Prof. Newton da Costa lá, que me recebeu com muita gentileza e
> foi muito generoso. Meu plano era conduzir uma entrevista sobre lógica,
> teoria do conhecimento e marxismo. Conversamos por cerca de uma hora e
> meia, quase duas horas. Fiz cerca de 10 ou 15 perguntas. Tenho a gravação
> da entrevista ainda hoje, mas ela nunca foi publicada. Deveria sair na
> revista Marxismo Vivo, mas o resultado (pela debilidade do entrevistador, é
> claro) não foi totalmente satisfatório: ficou complicada demais para um
> leigo e superficial demais para um especialista.
> >
> > A segunda ocasião foi em um evento promovido pela UFPR em 2019 para
> comemorar os 90 anos do Prof. Newton da Costa. Na época eu estava
> trabalhando com o Prof. Adonai Sant'Anna (como matemático amador palpiteiro
> associado, ex-aluno) num projeto de pesquisa sobre uma teoria fundacional
> para a matemática. O Prof. Newton tinha dado uma olhada nos "manuscritos"
> do Prof. Adonai e aceitou nos receber para fazer alguns comentários. O
> encontramos em um café no Shopping Itália. Depois do bate-papo eu disse ao
> Prof. Newton que não tinha conseguido publicar aquela entrevista de 2007...
> Ele retrucou: "Publique agora, diga que eu autorizei".
> >
> > Newton da Costa sempre foi um pensador dialético e defensor da
> dialética. Mais ainda: esteve muito próximo do marxismo.
> >
> > Uma forma de você esterilizar um adversário é cobri-lo de elogios,
> envolvê-lo num véu místico, e depois guardá-lo no bolso (ou na estante,
> neste caso).
> >
> > É precisamente o que Gustavo Machado faz neste vídeo.
> >
> > Não é possível que Gustavo Machado tenha lido o livro que tomou da
> estante e mostrou diante da câmera.
> >
> > Também não é possível que ele tenha visto o documentário recente lançado
> sobre Newton da Costa.
> >
> > Primeiro, neste livro, Newton da Costa diz algo como (citando de
> memória, não tenho um exemplar não lido na estante, mas tenho um exemplar
> lido na memória):
> >
> > "Entre os objetivos da lógica paraconsistente estão:
> >
> > 1. Desenvolver técnicas lógico-formais para dar conta do pensamento dos
> partidários da dialética, como Heráclito, Hegel, Marx e Lenin."
> >
> > São também muito conhecidas diversas entrevistas e publicações de Newton
> da Costa em que ele ataca a crítica de Popper à dialética.
> >
> > Popper evocava o princípio da explosão (de uma contradição formal,
> pode-se deduzir qualquer coisa) e afirmava que a dialética, uma lógica da
> contradição, necessariamente seria trivial.
> >
> > Newton da Costa diz, neste documentário que Gustavo Machado citou sem
> assistir:
> >
> > "A importância filosófica da lógica paraconsistente, por exemplo para o
> marxismo, é que ela refuta a crítica de Popper contra a dialética." Para
> bom entendedor, meia palavra basta.
> >
> > Gustavo Machado diz neste vídeo, do alto do seu ecletismo:
> >
> > "A lógica paraconsistente não tem nada a ver com a dialética".
> >
> > Essa afirmação é falsa e corresponde a um movimento para esterilizar o
> conteúdo filosófico da paraconsistência.
> >
> > Diga-se de passagem, marxistas mais perspicazes que Gustavo Machado,
> como Graham Priest, apoiam-se nas lógicas paraconsistentes para construir
> uma filosofia que explique ou justifique a existência de contradições no
> mundo real, que Priest chama de "dialeteia".
> >
> > É verdade que da lógica de Newton da Costa não se deduz ou não há
> comprometimento, como ocorre em Priest, com a suposta existência de
> contradições no mundo real.
> >
> > Mas é falso que a lógica paraconsistente de Newton da Costa não tenha
> nada a ver com a dialética.
> >
> > E este erro é muito mais nocivo do que as verdades banais encontradas em
> Gustavo Machado (que ele parece atingir por acaso, já que o ecletismo não é
> um caminho seguro).
> >
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