Acho que, de certa forma, é um pouco triste que uma pessoa acredite que
seja possível prever resultados de loteria...

Eu, se tivesse tempo, resgataria uma passagem do "Jogador", do Dostoievski,
onde o narrador se refere a ocasiões em que os resultados da roleta foram
surpreendentes... Acho que ele fala em vinte ocorrências consecutivas de
"vermelho" e tal...

É uma passagem forte, pois explica em parte o porquê de a psicologia dos
humanos ser tão vulnerável a jogos de azar...

Por mais que pareça absurdo a alguém com alguma formação matemática, este
problema é epidêmico. Não temos mais cassinos (legais) ou casas de bingo
(legais) mas temos as lotéricas e as bets...

Valeria a pena produzirmos um material de divulgação, vídeos no YouTube
falando sobre a matemática dos jogos de azar...

Eu mesmo achava estranho que uma "combinação" aparentemente "organizada"
como 1-2-3-4-5-6 fosse tão provável na Mega Sena quanto uma totalmente
"desorganizada". Tem muitas armadilhas psicológicas nessa intuição
(errada). Neste caso, a suposta organização está só na minha mente, não nas
bolas retiradas do globo... (acho que é isso, nem tenho muita certeza). Sei
que ao retirar uma bola de cada vez do globo, cada retirada é um evento
independente do anterior. Não há conexão causal entre eles. Mas a nossa
intuição nos engana...

Abraços,

M.

Em terça-feira, 30 de junho de 2026, 'Walter Carnielli' via LOGICA-L <
[email protected]> escreveu:

> Olá  Moderador da Lista ;-)
>
> Obrigado por confirmar nossa impressão.
>
>  Aproveite para alertar aos colegas mais jovens que tomem cuidado em
> envolver em respostas e debates com esse tipo de "troll"
>
> W
>  ========================
>  Walter Carnielli
> CLE and Department of Philosophy
> University of Campinas –UNICAMP, Brazil
>
>  AI2- Advanced Institute for Artificial Intelligence
> Blog https://waltercarnielli.com/
>
>
> Em ter., 30 de jun. de 2026 21:51, O Administrador da LOGICA-L <
> [email protected]> escreveu:
>
>> AVISO: Este perfil, que ora se identifica como "Gabreel Sadalin" e
>> aparentemente se identificava antes, durante vários anos, como "Paulo
>> Henrique Gomes Ferreira" está sendo colocado em moderação por falta de
>> ligação óbvia com os temas de interesse para discussão nesta lista.
>>
>> Atenciosamente,
>> O Administrador da LOGICA-L
>>
>> On Tue, Jun 30, 2026 at 9:31 PM Gabreel Sadalin <[email protected]>
>> wrote:
>> >
>> > Oi Márcio e amigos* da lista, me permita um comentário, a respeito
>> desta parte: "  desenvolvimentos recentes em lógica paraconsistente ".
>> > Desenvolvemos (a IA e eu*) um script em html usando lógica
>> paraconsistente para um pulador da Lotomania, estamos detalhando o paper e
>> em breve tanto o pulador quanto o Artigo Técnico Científico estarão
>> disponíveis pra quem se interessar.
>> > Claro que não tenho a pretensão de atrapalhar a lista, sei óbvio do
>> falecimento do professor Newton da Costa, e outros gigantes da lógica e da
>> filosofia de nossas academias que partiram mas deixaram um vasto legado
>> para a humanidade.
>> > Graças a vocês agora tenho novamente um orientador* .
>> > Ele começa +- assim:
>> > []
>> > Resumo
>> >
>> > Este artigo descreve a integração de três formalismos distintos —
>> codificação binária por posição, poda combinatória por limite superior de
>> orçamento (WAND, Weak AND) e Lógica Paraconsistente Anotada de dois valores
>> (LPA2v) — na construção de um gerador de fechamentos para a loteria
>> Lotomania, tratado aqui como problema de código de bloco binário com
>> distância de Hamming mínima garantida. Mostramos como a LPA2v,
>> originalmente formulada por Da Costa, Abe e Subrahmanian (1991) e
>> desenvolvida algoritmicamente por Da Silva Filho em sua tese de doutorado
>> (1999) e em trabalhos posteriores sobre Lógica ParaFuzzy (2009), pode ser
>> empregada não como mecanismo preditivo, mas como controlador explícito e
>> auditável da ordem de exploração de um espaço de busca combinatório,
>> preservando integralmente as garantias estruturais duras do problema
>> original. Documentamos dois defeitos de software genuínos descobertos
>> durante o desenvolvimento — ambos relacionados à contabilização incremental
>> do estado de busca sob uma ordem de exploração não determinística — e a
>> metodologia de validação cruzada (Python, Node.js e testes end-to-end de
>> navegador) que permitiu corrigi-los e comprová-los formalmente corretos.
>> Discutimos os limites epistêmicos da abordagem: por se tratar de um
>> processo de sorteio independente e identicamente distribuído (i.i.d.),
>> nenhuma reordenação de busca confere vantagem preditiva real, e isso é
>> declarado explicitamente como parte do desenho do sistema. Por fim,
>> propomos generalizações da arquitetura para domínios em que múltiplas
>> fontes de evidência conflitantes precisam orientar buscas restritas por
>> garantias estruturais duras, como alocação de recursos sob restrições de
>> diversidade, escalonamento com preferências contraditórias e sistemas de
>> recomendação combinatória.
>> >
>> > Palavras-chave: Lógica Paraconsistente Anotada; LPA2v; distância de
>> Hamming; poda WAND; backtracking; códigos de bloco binário; geração
>> combinatória.
>> >
>> > []
>> >
>> > Obrigado professor,
>> >
>> > Sds,
>> >
>> > Sphgf
>> >
>> >
>> >
>> >
>> > Em terça-feira, 30 de junho de 2026 às 14:23:25 UTC-3, marciopalmares
>> escreveu:
>> >
>> > Pessoal,
>> >
>> > Assisti alguns dias atrás o vídeo/entrevista promovido acredito pela
>> SBFA, com o Marcos Silva, Cassiano e Walter, em homenagem ao Walter, com
>> várias questões relacionadas a desenvolvimentos recentes em lógica
>> paraconsistente.
>> >
>> > Fiz até uma pergunta, online: perguntei em qual sentido a escola
>> brasileira, digamos assim, da paraconsistencia, se diferencia do Graham
>> Priest. Outra pessoa perguntou se a lógica paraconsistente desemboca em um
>> compromisso com a dialética.
>> >
>> > As respostas do Walter, se não me falha a memória, num tom bem humorado
>> e descontraído, foram mais ou menos assim:
>> >
>> > 1. Na lógica paraconsistente tal como a praticamos ou concebemos (na
>> linhagem direta do Newton da Costa) não há compromisso ontológico, isto é,
>> ninguém precisa se comprometer com a suposta existência de contradições no
>> mundo real, como faz o Graham Priest. Isso dá à corrente brasileira
>> (original) mais versatilidade: pode ser usada em mais contextos;
>> >
>> > 2. Não há compromisso direto da paraconsistência como sistema de lógica
>> com a dialética como corrente filosófica;
>> >
>> > 3. Graham Priest ajudou a popularizar a lógica paraconsistente.
>> >
>> >
>> > OK. Eu não mexeria em nenhuma dessas afirmações.
>> >
>> > Fiz a pergunta sobre o Priest pois gostaria de saber se ele é precursor
>> ou se ele é usuário. E claro que ele é um popstar, quem não acha bacana um
>> matemático que luta karatê e escreve sobre zen-budismo e publica livros de
>> amplo alcance sobre lógicas não classicas... Eu estava querendo saber se
>> ele está entre os desenvolvedores criadores ou mais entre os usuários... E
>> se haveria aqui algum uso talvez meio indevido da paraconsistencia sem
>> citar Newton da Costa (espero que não).
>> >
>> > Bem.
>> >
>> > Agora, outro problema: a motivação filosófica.
>> >
>> > Minha opinião: Newton da Costa estava fortemente imbuído de uma
>> concepção de dialética, era um dialético, embora motivação filosófica não
>> corresponda diretamente ao produto matemático final. Mas a motivação
>> filosófica ajuda a entendermos a gênese: como ou por quê um autor foi por
>> aquele caminho. E para a gênese, a precisão na história das ideias é
>> relevante.
>> >
>> > Vejam esse vídeo aqui:
>> >
>> > https://www.youtube.com/live/35WY6QO_YMc?is=_h0sXxA5cWFEDeJQ
>> >
>> > Tem 9 mil visualizações.
>> >
>> > O que este autor diz sobre Heráclito é meio escandaloso: parece que
>> Heráclito é Parmênides nessa interpretação (pois é em Parmênides que
>> encontramos a filosofia de uma unidade, um todo).
>> >
>> > Mas o pior é o que ele diz sobre Newton da Costa.
>> >
>> > Segue a minha crítica:
>> >
>> > (Obs.: não é porque um cara seja um popstar que fala em nome do
>> marxismo que ele esteja imune à crítica.)
>> >
>> > Um ecletismo nocivo por suas meias-verdades (que são também
>> meias-mentiras)
>> >
>> > Este autor, Gustavo Machado, é curioso por mais de um motivo...
>> >
>> > Primeiro, demonstra um ecletismo difícil de ser superado. Sozinho,
>> individualmente, do alto de sua tribuna privada e monetizada, ele trata de
>> todos os aspectos do conhecimento humano: economia, filosofia, história,
>> literatura, sociologia, computação, matemática, lógica...
>> >
>> > Não há nada errado em buscar universalidade. Mas quando esta busca é
>> individual, não mediada pelo confronto de ideias em uma comunidade
>> científica ou filosófica, há um risco sério de que a pretensão de
>> universalidade se transforme rapidamente em profusão de meias-verdades e
>> equívocos banais que, no contexto de uma busca coletiva pelo saber, seriam
>> facilmente corrigidos. Em outras palavras, se você não for um Leibniz, se
>> for um mortal comum, por mais que seja relativamente fácil ter uma tribuna
>> privada onde se possa discorrer sobre tudo, é conveniente buscar a mediação
>> coletiva.
>> >
>> > O segundo aspecto curioso deste autor é que ele acerta o alvo diversas
>> vezes e erra o alvo algumas vezes. Os acertos, em geral, correspondem a
>> saberes bastante conhecidos, a verdades banais, inofensivas. O problema são
>> os erros. Pois os erros, neste autor, são bastante nocivos.
>> >
>> > Vejamos um dos erros desta "live de terça".
>> >
>> > Tive a oportunidade de conhecer o Prof. Newton da Costa, conversar com
>> ele pessoalmente em duas ocasiões.
>> >
>> > A primeira, em 2007, na Casa do Professor Visitante da Unicamp.
>> Encontrei o Prof. Newton da Costa lá, que me recebeu com muita gentileza e
>> foi muito generoso. Meu plano era conduzir uma entrevista sobre lógica,
>> teoria do conhecimento e marxismo. Conversamos por cerca de uma hora e
>> meia, quase duas horas. Fiz cerca de 10 ou 15 perguntas. Tenho a gravação
>> da entrevista ainda hoje, mas ela nunca foi publicada. Deveria sair na
>> revista Marxismo Vivo, mas o resultado (pela debilidade do entrevistador, é
>> claro) não foi totalmente satisfatório: ficou complicada demais para um
>> leigo e superficial demais para um especialista.
>> >
>> > A segunda ocasião foi em um evento promovido pela UFPR em 2019 para
>> comemorar os 90 anos do Prof. Newton da Costa. Na época eu estava
>> trabalhando com o Prof. Adonai Sant'Anna (como matemático amador palpiteiro
>> associado, ex-aluno) num projeto de pesquisa sobre uma teoria fundacional
>> para a matemática. O Prof. Newton tinha dado uma olhada nos "manuscritos"
>> do Prof. Adonai e aceitou nos receber para fazer alguns comentários. O
>> encontramos em um café no Shopping Itália. Depois do bate-papo eu disse ao
>> Prof. Newton que não tinha conseguido publicar aquela entrevista de 2007...
>> Ele retrucou: "Publique agora, diga que eu autorizei".
>> >
>> > Newton da Costa sempre foi um pensador dialético e defensor da
>> dialética. Mais ainda: esteve muito próximo do marxismo.
>> >
>> > Uma forma de você esterilizar um adversário é cobri-lo de elogios,
>> envolvê-lo num véu místico, e depois guardá-lo no bolso (ou na estante,
>> neste caso).
>> >
>> > É precisamente o que Gustavo Machado faz neste vídeo.
>> >
>> > Não é possível que Gustavo Machado tenha lido o livro que tomou da
>> estante e mostrou diante da câmera.
>> >
>> > Também não é possível que ele tenha visto o documentário recente
>> lançado sobre Newton da Costa.
>> >
>> > Primeiro, neste livro, Newton da Costa diz algo como (citando de
>> memória, não tenho um exemplar não lido na estante, mas tenho um exemplar
>> lido na memória):
>> >
>> > "Entre os objetivos da lógica paraconsistente estão:
>> >
>> > 1. Desenvolver técnicas lógico-formais para dar conta do pensamento dos
>> partidários da dialética, como Heráclito, Hegel, Marx e Lenin."
>> >
>> > São também muito conhecidas diversas entrevistas e publicações de
>> Newton da Costa em que ele ataca a crítica de Popper à dialética.
>> >
>> > Popper evocava o princípio da explosão (de uma contradição formal,
>> pode-se deduzir qualquer coisa) e afirmava que a dialética, uma lógica da
>> contradição, necessariamente seria trivial.
>> >
>> > Newton da Costa diz, neste documentário que Gustavo Machado citou sem
>> assistir:
>> >
>> > "A importância filosófica da lógica paraconsistente, por exemplo para o
>> marxismo, é que ela refuta a crítica de Popper contra a dialética." Para
>> bom entendedor, meia palavra basta.
>> >
>> > Gustavo Machado diz neste vídeo, do alto do seu ecletismo:
>> >
>> > "A lógica paraconsistente não tem nada a ver com a dialética".
>> >
>> > Essa afirmação é falsa e corresponde a um movimento para esterilizar o
>> conteúdo filosófico da paraconsistência.
>> >
>> > Diga-se de passagem, marxistas mais perspicazes que Gustavo Machado,
>> como Graham Priest, apoiam-se nas lógicas paraconsistentes para construir
>> uma filosofia que explique ou justifique a existência de contradições no
>> mundo real, que Priest chama de "dialeteia".
>> >
>> > É verdade que da lógica de Newton da Costa não se deduz ou não há
>> comprometimento, como ocorre em Priest, com a suposta existência de
>> contradições no mundo real.
>> >
>> > Mas é falso que a lógica paraconsistente de Newton da Costa não tenha
>> nada a ver com a dialética.
>> >
>> > E este erro é muito mais nocivo do que as verdades banais encontradas
>> em Gustavo Machado (que ele parece atingir por acaso, já que o ecletismo
>> não é um caminho seguro).
>> >
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