Não entendi pra quê diferenciar níveis de reciclagens possíveis. Beleza, classe mérdia falando complicado e sendo tachado de playboy, coisa-ruim, etc. Coisa tão útil e normal quanto cara da periferia ser tachado de favelado porque fala de um jeito qualquer. Tem que tomar cuidado pra não tomar postura de "nós" e "eles", "nós" nos adaptando a "eles", que isso é coisa de colonizador arrependido. Cê quer intervir numa comunidade tem que segurar sua onda pra ser bem vindo ali. Mas sendo bem vindo tem que se afirmar também, a dinâmica não é de prestação de serviços, mas de diálogo e construção de coisa nova. Mais importante é conseguir que gente use net, imeio, essas coisa de playboy enquanto outros ficando torcendo o nariz. O potencial tá em quem larga mão de torcer nariz, e não o contrário. Colaboração é largar o osso.
E sei que vou discordar do ff nisso: tem que ter linguagem própria pra metarec. Inevitavelmente ela existe, já. É um classe mérdia belorizontino imitando ao memo tempo o tupi, o feju, o fff, o hdhd, o dalton, os aleatórios que, como esse classe mérdia, aparecem de quando em vez nessa lista... Tudo a ver com a convivência. Tô falando de mim mesmo, que já colo coisa docês faz tempo nas minhas conversas por aí. Plágio total (dane-se). Convivência recria linguagem, e se alguém quiser pesquisar vai ver um conversê delineando suas próprias expressões, ditados, gírias. A linguagem metarec é própria e acho que aí que entra a importância da iniciativa de fundação de uma igreja, que se não me engano o duende deslanxou aqui. Aquela papagaiada linda sobre mitos e tals. Não tô sacaneando não, viu? Gostei daquilo mesmo. E bato pé que essa história de nível pode virar pedagogia desnecessária. Pode ser bonito começar Metarec apresentando carrinho, cuador de café e robô montado a partir de floppy. Temos que experimentar diversas maneiras de trabalho, e sair colando no wiki resultados e pensamentos a respeito. Não que esteja faltando, mas sem dúvida pode-se escrever mais, relatar mais... E experimentar mais. E só repetindo o Hd, que achei importante o que ele falou: comunidades têm suas coisas ali, internas. Tradições, histórias, convivência de anos e anos. Qualquer processo mais sólido tem que permitir uma conversa entre essas coisas e as idéias dos "estrangeiros" que tão ali, querendo dar pitaco. Ou se conversa com as pessoas e procura brechas de encaixe entre dois mundos até então separados, ou o que sair será uma loteria pura. Tem um antropólogo que conta história dum inglês que foi parar nas ilhas do Havaí, quando ainda tinha pouco contato entre os nativos das ilhas e estrangeiros colonizadores. Esse figura chamava Cook, era navegador e saía explorando áreas novas. Por coincidência o mastro dele quebrou logo depois dele ter saído de uma das ilhas, depois de ter ficado um mês por lá conversando com a galera e pesquisando coisas e trocando mercadorias. Ele voltou pra ilha e foi assassinado, e demoraram muitos anos pra entender por quê. Tinha a ver com a maneira como os nativos viam aquele inglês: na época em que ele passou pela ilha, era o mês de rituais de um deus estrangeiro que, nas lendas deles, invadia a ilha e fazia uma guerra danada e matava o rei e dominava tudo. Nos rituais e festas ao longo do mês eles reviviam, de forma simbólica, essa lenda e no final do mês era hora do deus estrangeiro ir embora. O Cook participou dessas festas todas fantasiado, sem saber, de deus estrangeiro e participando dos rituais. Aí o cara foi e saiu da lenda, voltando depois de ter ido embora. O pessoal ficou achando que ele ia fazer guerra de novo, invadir tudo e etc., e mataram ele. Tudo por que um mastro se quebrou inesperadamente numa tempestade. São quase duas da manhã, então não me perguntem pra quê contei essa história. Não tenho a menor idéia. Inté. Cyrano. ps: metareciclagem é uma prática que se volta pra computadores meramente por acaso. rola de expandir isso pra outras coisas, como sanduíches em MetaCafes, por exemplo... ;) Em 31/10/05, Marcelo Braz<[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > sim,sim, somos. ou como diz o fff, classe mérdia > arrependida em muitos casos. mas, não era nem isso que > queria destacar, mas a percepção do menino, que sacou > rapidamente(insight) que vive em uma das camadas bem > diferenciadas da realidade, com suas linguagens > internas, viciadas e alienantes. e gostaríamos, fossem > conectadas e libertárias. > > blz, já saiu o novo livro do Toni Negri? li uma > reportagem dele no estadao e gostei muito da clareza > de pensamento. por sua culpa(rsrs) lerei o calhamaço. > > abs > m.braz > > --- Hernani Dimantas <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > > cara... é lógico que o cara é playboy. alias... > > somos todos playboys, > > classe mérdia e etc etc etc > > creio que a aprpriação só é possivel quando a > > tecnologia vem intervir > > nas comunidades > > > > escrevi isso lá na buzzine.info > > > > Submidiologia > > enviado por hdhd / Segunda, 2005-10-31 21:34 > > Linkania | MetaReciclagem > > > > Aprendi com a Mônica Narula, do Sarai, a entender a > > colaboração sob > > uma ótica mais espiritualista, os seja, uma visão do > > oriente. > > Colaboração tem a ver com o tempo, pois cloaboramos > > com as gerações > > passadas, dando continuidade, modificando, > > melhorando ou piorando os > > projetos civilizatórios (os sei lá... apenas uns > > projetinhos..heheh). > > Bem como, colaboramos também com as próximas > > gerações. Uma visão de um > > processo. Isso é instigante. > > > > Outro insight que tive lá no Submidiologia foi > > perceber que a > > apropriação da tecnologia se faz como uma > > intervenção, pois a > > tecnologia só é boa quando interfere na sociedade > > como um todo. > > > > Tags: linkania multitude > > > > btw estive nesse fim de semana falando com o Toni > > Negri... e consegui > > passar adiante os conceitos hackers que temos > > trabalhado. acho que foi > > apenas uma palhinha que pode ir longe... hehehe > > > > abs > > hdhd > > > > On 10/31/05, Marcelo Braz <[EMAIL PROTECTED]> > > wrote: > > > Se é para morder ...lá vai: > > > > > > este termo reapropriação já me deixou ensimesmado > > > também nesta questão da posse, propriedade, de > > toaml > > > algo para si. > > > > > > ok, podemos pensar como ocupação de um espaço, > > invasão > > > pirata, remix e etc. mas...mas... e a autonomia > > como > > > se coloca aih? quem ocupa pode carregar a cultura > > do > > > colonizador, ávido por reproduzir a sua lógica, > > não? > > > > > > O Romano no submidialogia disse algo que me marcou > > > bastante. Quando questionou um menino da favela > > porque > > > ele, Romano, era visto como playboy pelo garoto, > > > apesar de se vestir e usar materiais simples. E o > > > menino respondeu: pelo jeito que você fala! > > > > > > taih a questão: como ocupar sem impor uma lógica > > > pré-concebida? > > > > > > então proponho um outro termo não-excludente: > > > reassimilação, no sentido de transformar > > convertendo > > > em sua própria substância. Indicaria então > > > reincorporação, como criação de um corpo autônomo. > > > Mastigar(interpretar), deglutir(adaptar) e cuspir > > > (reinventar). > > > > > > ou não? > > > > > > no caso das tecnologias (que são muitas e não só > > > técnicas para se re-montar computadores) penso que > > a > > > função prática da coisa também pode estar ligada a > > > questão da auto-sustentabilidade. mas sem deixar > > de > > > lado a questão conceitual sobre o que são > > ferramentas, > > > instrumentos, técnicas e tecnologia, repensando > > > constantemente a prática. > > > > > > dizendo de outro modo, conceitos são pedras e o > > modo > > > artesão de modificá-los permite criar beleza a > > partir > > > da matéria bruta. como flores azuis nascendo do > > chão > > > árido, sem ninguém tê-las plantado. pura magia > > > xamanística. > > > > > > no real: nem tanto ao sonho, nem tanto à dura > > > concretude. > > > > > > agora, quanto ao cheiro no cangote... não vou nem > > > comentar (rsrsrsrs). > > > > > > m.braz > > > > > > --- Dalton Martins <[EMAIL PROTECTED]> > > escreveu: > > > > > > > > > > > palm, > > > > > > > > que email bacana, hein! > > > > gostei. valeu muito a provocação que te fiz > > antes > > > > da palestra... > > > > > > > > bom, aqui vão meus 2 cents.... > > > > > > > > penso, como eu estava falando na conferência, > > que > > > > apropriação > > > > tecnológica tem 3 níveis de possibilidade: > > > > 1. reinterpretação de uma dada tecnologia; > > > > 2. adaptação de uma dada tecnologia; > > > > 3. reinvenção de uma dada tecnologia. > > > > > > > > no metareciclagem, ao meu ver, fazemos as 3 > > coisas > > > > em níveis > > > > completamente caórdicos e interessantes do ponto > > de > > > > vista tecnológico, > > > > social e estético. vejamos exemplos mais > > práticos do > > > > que estou falando. > > > > > > > > nível 1: pegamos nosso amigo Glauco, que ao > > pintar > > > > computadores, > > > > reinterpreta a tecnologia dos computadores a > > partir > > > > de uma dimensão > > > > estética própria. essa reinterpretação ainda foi > > > > tacanha em relação ao > > > > que veio depois, com a criação de um VideoWall > > ou > > > > mesmo os Dom Quixote > > > > da mostra de artes do SEsc. Aquilo tudo foi > > > > reinterpretar a tecnologia > > > > de uma forma mais ampla, criando condições > > > > arquiteturais (sim, isso é > > > > uma provocação direta e reta) para repensar a > > > > disposição espacial de > > > > computadores, mas ainda realizando funções de > > > > computadores para aquilo > > > > que foram projetados (com algumas exceções que > > > > explicarei no nível 2). > > > > Buenas, a questão é que se pode ir além. Pq. o > > > > Glauco reinterpretou? Pq > > > > era um nível, num primeiro momento, de > > aproximação > > > > da tecnologia, > > > > evidenciando o conhecimento ainda parco de um > > > > artista plástico a > > > > respeito do universo de 0s e 1s. > > > > > > > > nível 2: num segundo momento, os técnicos > > percebem > > > > que podem ir além > > > > de seus limites conceituais, onde ficam apenas > > > > trocando peças e > > > > configurando softwares para funcionarem em > > acentos > > > > ABNT2. nesso ponto, > > > > acontece a mutação de um simples técnico para um > > > > metarecicleiro. é > > > > quando ele se percebe extrapolando os limites de > > sua > > > > tecnologia e > > > > quando vem em sua mente a primeira adaptação > > > > tecnológica para a > > > > resolução de um problema específico de seu > > > > interesse. Boom!!! Sim, > > > > estamos aqui invadindo a psiquê de um técnico na > > > > fronteira entre a > > > > economia de escala e o artesanato das redes. O > > > > técnico olha para o > > > > nível 1, percebe os limites do artista de > > > > manipulação de sua própria > > > > criação. Então, ele decide adaptar a tecnologia, > > ele > > > > decide que pode > > > > customizar aquele PC Pentium 200MHz, para rodar > > 4 > > > > placas de vídeo e > > > === message truncated === > > > > > > > > > > _______________________________________________________ > Promoção Yahoo! Acesso Grátis: a cada hora navegada você > acumula cupons e concorre a mais de 500 prêmios! Participe! > http://yahoo.fbiz.com.br/ > _______________________________________________ > Metarec mailing list > [email protected] > http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec > -- Cyrano _______________________ http://cyranodisse.blogspot.com _______________________________________________ Metarec mailing list [email protected] http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec
