|
Sutil feito uma pata de
elefante.
********
A fábula do Gato Barbudo
Um fazendeiro plantava milho e armazenava
o milho no
paiol. Com o milho, o fazendeiro
alimentava as
galinhas, os cavalos, as vacas, ovelhas e
todos os
outros bichos da fazenda. Os bichos da
fazenda, por
sua vez, garantiam ao fazendeiro o seu
sustento.
Os ratos insistiam em roubar o milho
armazenado no
paiol.
Quem cuidava do paiol era um cachorro. Um
cachorro
preto e grande. Quem cuidava do paiol
antes do
cachorro cuidar do paiol era o pai do
cachorro e,
antes do pai do cachorro assumir a sua
função, quem
cuidava do paiol era o avô do cachorro. E
sempre foi
assim, a família do cachorro cuidando do
paiol, e não
deixando que os ratos comessem todo o
milho.
Era um trabalho duro: os ratos não
acabavam nunca e,
chovesse ou fizesse sol, lá estavam para
roubar uma
espiga aqui, outra ali. O cachorro não
tinha folga e
para fazer frente à rapidez dos ratos,
mantinha os
músculos em forma e os reflexos
ligeiros.
Em compensação, o cachorro adorava o seu
trabalho.
Afinal, se não fosse por ele, os ratos já
teriam há
muito tempo comido todo o milho e acabado
com a comida
dos demais bichos. Em reconhecimento ao
seu trabalho,
a bicharada elegeu o cachorro o
presidente da fazenda.
E claro que o mando do presidente não era
perfeito,
discussões surgiam, a insatisfação
aparecia. Mas, de
uma coisa todos podiam ter certeza: quem
trabalhasse,
ganhava o seu quinhão.
Um dia, apareceu na fazenda um gato. Um
gato magro e
bigodudo. Tão bigodudo que, tivessem
barba os gatos,
esse poderia ser um gato barbudo. O
cachorro, como
todo cachorro que se preza, ciente da sua
função e do
valor do seu trabalho, latiu para o gato,
quis que o
gato fosse embora. O cachorro sentia que
aquele bicho
de ar debochado, malicioso, sem muito
gosto para o
trabalho, não poderia ser grande coisa. O
fazendeiro
não ouviu o que o cachorro quis dizer, e
o gato foi
ficando, foi ficando, foi
ficando...
O gato, que não trabalhava (que, aliás,
nunca tinha
trabalhado), tinha bastante tempo para
conversar com
os outros bichos da fazenda. E chegava de
mansinho
junto da bicharada, magrinho, fraquinho,
e começava a
miar. Os outros bichos, muito bonzinhos,
paravam para
escutar o que o gato tinha para
dizer:
- Miau, miau, ai, ai. O que vai ser de
mim. Não existe
lugar nesta fazenda para um bichinho como
eu, tão
injustiçado, tão fraquinho! Veja, não
posso trabalhar,
o sistema é tão injusto! Só por que não
nasci forte
como o senhor, Seu Cavalo, só por que não
posso dar
leite como Dona Vaca, não posso
trabalhar! O Seu
Cachorro, o dono do poder, não avalia
essas
contingências históricas e me mantém
mergulhado nessa
penúria...
- Mas, Seu Gato, e aquele trabalho que
lhe ofereceram
na casa, como guardião da
dispensa?
- Não aceitei, Seu Cavalo. Na verdade,
prefiro
continuar minha luta por condições mais
dignas!
No fim, depois de tanta ladainha, os
bichos começaram
a acreditar no gato. A sentir pena do
gato.
E o gato, que se dizia
injustiçado.
Que se fazia passar por
vítima.
Que era explorado pelo Sistema e,
principalmente, pelo
cachorro que lhe negava tais
milhos.
Conquistou a simpatia dos
bichos.
E fez com que os bichos acreditassem que
ele, tão
sofrido, tão maltratado, iria garantir a
todos
melhores condições de vida.
Tanto miou, tanto fez, que um dia os
bichos revoltados
com a situação de absoluta miserabilidade
do gato e
com a injustiça social reinante na
fazenda, resolveram
destituir o cachorro.
E de nada adiantou o cachorro insistir
que cuidar do
paiol não era para qualquer um. Que ele
havia treinado
muito para assumir essa função. Que os
ratos não eram
mole, e não dariam trégua assim tão
fácil.
Afastaram o cachorro e, por unanimidade,
colocaram no
seu lugar o gato.
Os bichos sabiam que o gato dantes nunca
havia
trabalhado. Que não tinha sequer se
preparado para
assumir a função mais importante na
fazenda.
Mas acreditaram que o gato, por ter
sofrido mais do
que ninguém com a política do cachorro,
traria ordem e
moralidade à administração do
paiol.
No começo, tudo foi festa: no lombo de
Seu Cavalo,
viajava o gato para outros sítios e
fazendas, falando
sobre a sua conquista. Contava aos outros
bichos que
agora a fazenda vivia uma nova realidade.
Tanta era a
festa, tanta era a euforia, tanta era a
esperança, que
os bichos não perceberam que mais e mais
gatos não
paravam de chegar.
Gatos de todos os jeitos. Gatos vindos de
todas as
partes.
Gatos, que em comum com o
gato-presidente, nunca
tinham trabalhado na vida.
E o gato-presidente, que curiosamente
chamava todos os
demais gatos de companheiros, precisava
arranjar uma
função para essa gataiada.
Então, um dia, quando Seu Cavalo apareceu
para puxar o
arado, percebeu que, no seu lugar, um
bando de gatos
ocupava os arreios. E Dona Vaca, que
produzia o melhor
leite da região, foi expulsa da
estrebaria pelos
companheiros do gato-presidente. E as
galinhas, no
galinheiro não moravam mais: nos
poleiros, gatos e
mais gatos fingiam estar botando
ovos.
E o gato-presidente remunerava
prodigamente todos os
seu companheiros. Afinal, um trabalho em
prol da
coletividade
desempenhavam...
Como era de se esperar, o gato-presidente
(que nunca
havia trabalhado na vida) não conseguia
cuidar do
paiol. Os ratos logo perceberam a
situação: atacavam,
como nunca haviam feito, o milho da
fazenda.
Tão complicada ficou a situação que o
gato-presidente
precisou conversar com o seu conselheiro.
Um gato de
óculos, que miava de um jeito esquisito,
puxando
demais os "erres":
- Miarr, presidente. A coisa tá feia. Em
nome da
governabilidade da fazenda, temos que nos
aliar aos
ratos!
- Companheiro, os fins justificam os
meios! Devemos
passar aos demais bichos uma imagem de
ordem e
tranqüilidade!
E os gatos fizeram um pacto com os ratos:
os ratos
fingiam que não roubavam o milho, os
gatos fingiam que
caçavam os ratos. Dessa forma, a
bicharada acreditava
que os ratos estavam sendo combatidos, e
os ratos, que
por baixo do pano recebiam suas
espiguinhas e mantinham
os gatos no poder.
Entretanto, o milho foi acabando. E os
bichos, que
haviam acreditado na conversa do
gato-presidente, com
fome, começaram a ficar
insatisfeitos.
E foram todos reclamar com o
gato-presidente.
Tarde demais. O paiol já estava infestado
de ratos,
ratos por toda parte, ratos em tudo.
Ratos e gatos,
gordos, barbudos, aproveitando
tranqüilamente o que
havia sobrado de milho no paiol enquanto
o resto da
bicharada, os bichos que sabiam
trabalhar, que davam
duro, ficaram sem comida.
* ** **
Obs: Qualquer semelhança dos gatos da
fábula com os
gatos de verdade é fantasiosa. Os gatos
são animais
simpáticos, que, como nós, ocupam seu
lugar na ordem
natural das coisas. Diferentemente de
muito petista
que existe por aí...
Aristides Athayde é advogado, professor
de Direito Internacional da Faculdade de Direito de
Curitiba. ********************************
FORÇA & LUZ Instaladora DATATEXTO Design & Info R. Urussanga, 57 - Bairro. Bom Jesus 89.500-00 - Caçador - Santa Catarina - Brasil Fone 49 9975-6263 - 3563-4029 site: www.datatexto.cjb.net E-mail: [EMAIL PROTECTED] MSN: [EMAIL PROTECTED] VOIP Skype: Almir Balvedi Medeiros venda - instalação - manutenção rede elétrica - telefonia - PABX - VOIP - informática - dados - Cabeamento estruturado - Bina e Anti-Grampo - Digitação e editoração eletrônica - criação - impressos - softwares - consultoria de sistemas hardwares - sites para internet - Backup em CD à domicilio - gravação de áudio e dados - AULA DE INFORMÁTICA A DOMICILIO ************************ "Essa mensagem é destinada exclusivamente ao seu destinatário e pode conter informações confidenciais, protegidas por sigilo profissional ou cuja divulgação seja proibida por lei. O uso não autorizado de tais informações é proibido e está sujeito às penalidades cabíveis." ***********************
|
_______________________________________________ Metarec mailing list [email protected] http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec
