márcio,

 não veja apenas os aspectos políticos.
 veja a topologia do movimento. é disso que estou falando.
 se ele está sendo desenhado por um movimento fascista ou não, isso é
outra questão. é claro que há um tanto de desorientação nisso, mas
estou apenas olhando para o fluxo do processo como uma rede. é dentro
disso que vejo as semelhanças...

abs,
dalton

--- "Márcio Jr." <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

> dalton,
> acho arriscada esse tipo de análise. pois o que temos são duas
> práticas
> fascistas colocadas em marcha pela policia e pcc.
> o pcc introduziu uma nova forma de relacionamento nas costumeiras
> negociações econômicas entre prisão, administração e sociedade. ele
> se
> afirmou como defensor do território, dos prisioneiros e de seus
> familiares,
> com base num montante em dinheiro obtido por meio de roubos a bancos,
> preferencialmente estatais e estaduais, atividades produtivas ilegais
> e *contribuições
> *de presos para obtenção de privilégios e seguros de vida. além
> disso, busca
> vincular-se ao Estado por meio de estratégias diplomático-militares.
> 
> pretende ser um Estado dentro do Estado. constitui-se numa
> organização
> associada ao fundamentalismo no cumprimento da ordem, como mostra seu
> Estatuto, e ao narcotráfico, enquanto atuação. ancorado numa
> legitimidade
> obtida por meio da ameaça de morte e introjeção do medo,
> características
> primordiais do Estado, procura retraduzir os procedimentos
> diplomático-militares no interior do jogo político. ao aniquilar as
> demais
> facções no interior da prisão, anula qualquer luta por hegemonia,
> colocando-se como protagonista legítimo para dialogar com o Estado.
> 
> utiliza-se  externamente dos expedientes de relações internacionais.
> expõe
> com sua política fascista a confiança dos seus governados nas
> negociações
> com o Estado de Direito. Conhecendo ou não estes expedientes, ele se
> localiza numa posição semelhante a vivida pelo  Estado de Direito e o
> Fascismo, durante os anos 1930 e 1940, quando a grande ameaça era o
> comunismo.
> 
> de um lado o PCC nos mostra uma ponta fascista do *iceberg*. ele não
> quer
> melhoria das condições na prisão, muito menos acabar com a prisão:
> ele
> precisa dela para existir. de outro lado, setores que arvoram em
> defender a
> sociedade afirmam a necessidade de presídios de segurança máxima,
> política
> de  tolerância zero e controle eletrônico de vigilância. pouco
> importam as
> palavras, pois os chamados cidadãos livres já vivem esta situação
> aderindo
> aos dispositivos eletrônicos de controle e segurança de casas,
> escolas,
> escritórios, divertimentos, ruas e  polícia privada, vivendo nas suas
> inconfessáveis clausuras. a prisão ainda não atingiu este patamar.
> todavia a
> rebelião de 18 de fevereiro de 2001, e a que acontece agora,
> mostraram que
> estes dispositivos estarão a disposição dos prisioneiros para os seus
> usos e
> abusos. e desta vez foi o telefone celular. nada mais do que isso.
> 
> por isso acredito que catedral e bazar não se aplicam aqui. a não ser
> que
> você entenda o bazar como o duplo da catedral, tendo a consciência de
> que o
> duplo é o mesmo espelhado.
> 
> abraços.
> márcio.
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