dalton,
acho arriscada esse tipo de análise. pois o que temos são duas
práticas
fascistas colocadas em marcha pela policia e pcc.
o pcc introduziu uma nova forma de relacionamento nas costumeiras
negociações econômicas entre prisão, administração e sociedade. ele
se
afirmou como defensor do território, dos prisioneiros e de seus
familiares,
com base num montante em dinheiro obtido por meio de roubos a bancos,
preferencialmente estatais e estaduais, atividades produtivas ilegais
e *contribuições
*de presos para obtenção de privilégios e seguros de vida. além
disso, busca
vincular-se ao Estado por meio de estratégias diplomático-militares.
pretende ser um Estado dentro do Estado. constitui-se numa
organização
associada ao fundamentalismo no cumprimento da ordem, como mostra seu
Estatuto, e ao narcotráfico, enquanto atuação. ancorado numa
legitimidade
obtida por meio da ameaça de morte e introjeção do medo,
características
primordiais do Estado, procura retraduzir os procedimentos
diplomático-militares no interior do jogo político. ao aniquilar as
demais
facções no interior da prisão, anula qualquer luta por hegemonia,
colocando-se como protagonista legítimo para dialogar com o Estado.
utiliza-se externamente dos expedientes de relações internacionais.
expõe
com sua política fascista a confiança dos seus governados nas
negociações
com o Estado de Direito. Conhecendo ou não estes expedientes, ele se
localiza numa posição semelhante a vivida pelo Estado de Direito e o
Fascismo, durante os anos 1930 e 1940, quando a grande ameaça era o
comunismo.
de um lado o PCC nos mostra uma ponta fascista do *iceberg*. ele não
quer
melhoria das condições na prisão, muito menos acabar com a prisão:
ele
precisa dela para existir. de outro lado, setores que arvoram em
defender a
sociedade afirmam a necessidade de presídios de segurança máxima,
política
de tolerância zero e controle eletrônico de vigilância. pouco
importam as
palavras, pois os chamados cidadãos livres já vivem esta situação
aderindo
aos dispositivos eletrônicos de controle e segurança de casas,
escolas,
escritórios, divertimentos, ruas e polícia privada, vivendo nas suas
inconfessáveis clausuras. a prisão ainda não atingiu este patamar.
todavia a
rebelião de 18 de fevereiro de 2001, e a que acontece agora,
mostraram que
estes dispositivos estarão a disposição dos prisioneiros para os seus
usos e
abusos. e desta vez foi o telefone celular. nada mais do que isso.
por isso acredito que catedral e bazar não se aplicam aqui. a não ser
que
você entenda o bazar como o duplo da catedral, tendo a consciência de
que o
duplo é o mesmo espelhado.
abraços.
márcio.
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