Achismo não, experiência. Já viu como pesquisa é feita? Entrevistam 50-100 pessoas e extrapolam os resultados pra milhões ;)

Eu como descendente de negros lhe afirmo, sofri muito mais discriminação por não ter frequentado colégio X ou Y, por não usar tenis de marca, por não ter carro, etc.. Ou seja, discriminação de classe social.

Mas reconheço que a maior parte da classe social C-D-E é negra, o problema original é que qdo assinaram a lei áurea não deram terra pra ninguém e neguinho (literalmente falando), teve que continuar trabalhando em troca de comida e tem gente trabalhando em troca de comida até hoje (literalmente).

Meus 2 cents, a discriminação é social, e a maioria que está na camada de baixo é negra, porém não vamos esquecer que tem brancos lá tb e colorizar a elite ou a pobreza só aumenta o racismo.

[]´s

Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/
msn: [EMAIL PROTECTED] | icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype: interney

----- Original Message ----- From: "Cyrano ." <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Lista do projeto MetaReciclagem" <[email protected]>
Sent: Friday, May 26, 2006 12:06 AM
Subject: [MetaReciclagem] Re: burguesia branquinha e sujinha


Moçada, ficar no acho-que-acho a respeito disso vai ficar difícil sair
do lugar, né? Se é pra falar de "racismo" assim, em termos gerais,
então temos que pensar em dados mais gerais. Estatísticas, por
exemplo.

Tipo, andei lendo um livro que reúne uns artigos sobre cotas. Negro é,
em geral, o mais pobre entre os pobres. Tudo que é cruzamento de dados
que se faz, negro sai na pior. Salário em empresa, cargo importante,
vagas nas universidades, etc. Pobreza no Brasil tem cor e isso tem a
ver com racismo mesmo, rola discriminação. Óbvio que não é só negro
que é discriminado, nem quem mais leva ferro no país todo. Nosso país
são muitos, né. Mas tem regiões onde isso rola muito forte, e os
movimentos que lutam contra isso têm discutido a importância dessa
luta não só pelos negros, mas por qualquer minoria. De qualquer forma,
se tem gente aqui que nunca sentiu, ou não se lembra de ter sido
discriminado por causa de cor, que bom, por que minha experiência é
diferente.

Sou branco de classe média e lembro muito bem das pouquíssimas pessoas
negras que sempre houve nos restaurantes, escolas e bairros que eu
frequentei em bh. Quando eu era pentelho lembro muito bem de ter visto
um carro chique e ter comentado com minha mãe a respeito do negro no
volante, "deve ser motorista, mãe?", "que isso filho!" "uai, mãe, eu
só vejo rico branco...". Devia ter uns 10 anos de idade. Num tava
discriminando, tava percebendo o óbvio, coisas que deduzi da
televisão, da minha escola, dos carros na rua... Mas já percebia que
falar aquilo cruamente incomodava. Denunciar o racismo era
politicamente incorreto, e ainda há muita resistência em relação a
isso.

A mãe da minha namorada trabalhou em grandes empresas, saiu de todas
pq era discriminada. Ou descobria que todo mundo dava apelido pra ela
nas costas, ou percebia tratamento diferente na cara mesmo, ou ficava
cansada de esperar promoção enquanto os colegas iam subindo de cargo.

E mais? Lembro que saiu na imprensa a fala dum sujeito da IstoÉ, acho
que era um novo editor, dizendo que num queria "nem preto nem pobre"
na revista, desse jeito, prum cara que escrevia pra revista. Aí o cara
saiu contando. Tem também a do Falcão, do Rappa, que a galera de um
Itaú chamou puliça e veio nego de helicóptero achando que ele tava
tramando assalto ao banco.

Bom, não importa se a classe média é branca ou não. A questão é que a
maioria é, digamos, o
homem-branco-de30anos-empregado-bemsucedido-heterosexual-etcetcetc...
Mesmo que numericamente não seja. Minha namorada fazia chapinha no
cabelo, que era o jeito dela virar branca pros colegas pararem de
encher o saco. Obviamente, ela nunca virou branca por causa disso e
portanto os colegas nunca pararam, completamente, de encher o saco.
Negro só aparece em tv e revista de chapinha, e num vou nem falar de
novela. Ou então é uma versão do branco, um negro bonitão estilo big
brother de roupa modernete de estudante de comunicação. E nos anúncios
quem veste essa roupa é branco. Propaganda de chópim aqui em BH tem
uma concentração de brancos proporcional ao status econômico do
público-alvo.

Então, pra concluir alguma coisa, a classe média é branquinha porque
sua referência é sempre o branco, e o branco da tv e da coluna social
particularmente. Então há aí racismo, mesmo que não seja visto como
ridículo ou cõmico que um não-branco adote essa referência, afinal de
contas, isso é justamente *estimulado*. Todos podemos ser brancos, a
máquina de consumismo repete isso o tempo todo.

Tem a revista raça também, que é bacana demais. Matéria de capa: 10
dicas para sua chapinha ficar impecável! Já temos uma
maioria-referência de identidade branca, então a igualdade será quando
houver também uma maioria-referência da identidade negra... Negro é
ouvir isso ou aquilo, usar cabelo assim ou assado, roupas de tal ou
tal estilo, e por aí vai. Acho mesmo que isso rola demais em muito
projeto e ong por aí. Baita vacilo.

Sair disso é pensar em sair mesmo dos mecanismos do racismo e do
preconceito, e não ficar, sem querer, pondo outras coisas no lugar.

Então, também fica errado dizer literalmente classe média branquinha,
porque aí qualquer branco é visto como uma marionete do sistema de
discriminação, um racista por excelência. Vira um racismo "às
avessas", mas que de avesso num tem nada. É justamente o mesmo
racismo, o mesmo mecanismo se repetindo... E aí lembro de uma galera
de gente na faculdade, geralmente brancos, e de classe média, que
ficam xingando os branquinhos da classe média... eu, em. :/

A discriminação é a repressão contra tudo que foge da maioria: isso
inclui seu cabelo, seu nariz, a forma da sua cabeça, do seu corpo, a
cor da sua pele, suas roupas, seu jeito de falar, de andar, e por aí
vai. Discriminação não é por categoria, é uma máquina de avaliação
instantânea bem funcional e eficiente. Eu por exemplo acho ótimo isso,
porque entro em loja e roubo coisa sem ninguém desconfiar. Também,
"com essa cara"... ;)

Bom saber que tem gente aqui que nunca sentiu/sofreu discriminação por
cor, talvez isso signifique alguma coisa de bom, uma mudança boa
surgindo aí né. :)

Rapaz, fazia tempo que eu num verborrajia tanto nessa lista... :D

bejo.
cyrano.

Em 25/05/06, Edney Souza<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Pô to quietinho aqui, mas não consegui me conter: Todo ser humano tem
direito de achar a Angelina Jolie gostosa, independente de raça, cor, sexo e
religão :)

Eu vivia na periferia, da lista ai além da Angelina só coincidiu o lance de RPGista e eu era o único da região, acabei de achar um grupo de estereótipos
pra provar que eu não era classe média até começar minha própria vida
profissional :)

Sempre vivi algo parecido com o liquid no quando se fala de cor, na familia
da minha mãe sou o mais moreninho, na do meu pai estou no grupo dos mais
branquinhos (a família do meu pai é uma das coisas mais miscigenadas da
história do Brasil) :) E também insisto na discriminação $ocial/cultural,
pois discriminação por cor nunca sofri.

[]´s

Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/
msn: [EMAIL PROTECTED] | icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype:
interney

----- Original Message -----
From: "Charles Pilger" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Lista do projeto MetaReciclagem" <[email protected]>
Sent: Thursday, May 25, 2006 10:00 PM
Subject: Re: [MetaReciclagem] burguesia branquinha e sujinha


On 5/25/06, liquid slave <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> mas até onde eu me lembro nunca fui discriminado pela minha cor, mas
> sempre tive muitos problemas com a minha falta de cultura classe média
> saca ?
> Eu não vou no shopping toda semana, não frequento cinemark, não fumo
> maconha 20 horas por dia, não tiro racha no fim de semana, não jogo
> magic, não sou RPGista, nunca fui à disney, nunca fiz curso de inglês na
> australia, não quero uma ferrari, não quero ir pra NY, nunca prestei > ITA, > não acho a angelina jolie gostosa não tenho e não quero ter um > pitbull...

Gozado. Tirando a parte da Angelina Jolie me vi direto aí :-) E isso
que eu sou branquelo filho de funcionário aposentado do Banco do
Brasil. Ou seja: mais classe média impossível.

[]'s
Charles - [EMAIL PROTECTED]
http://www.charles.pilger.com.br
ICQ 306563363 MSN [EMAIL PROTECTED]
"Antes, eu era meio quieto, calado, o conhecimento era meu,
eu era um software proprietário. Agora, quero espalhar o que
sei e mostrar que, da forma como eu evoluí, muitos outros
podem crescer." - Cleber de Jesus Santos
_______________________________________________
Metarec mailing list
[email protected]
http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec

_______________________________________________
Metarec mailing list
[email protected]
http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec



--
Cyrano.
http://cyranodisse.blogspot.com
_______________________________________________
Metarec mailing list
[email protected]
http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec

_______________________________________________
Metarec mailing list
[email protected]
http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec

Responder a