A eiabel tava falando da idéia de Utopia, né.

Bom, professor meu aí gastou salivas e horas-aula pra tentar convencer de que a interpretação fossilizada de utopia é uma farsa. Gerada em meios liberais, na época que o thomas more (morris?) inventou o troço.

Utopia é, mais ou menos, "não-lugar".

O subtítulo do livro continha algum paradoxo interno a respeito de um tratado que não é tratado, político, sobre esse lugar-nenhum.

O cara que viajou pra lá, que me esqueci o nome, tem como nome uma palavra grega que significaria algo como "contador de lorotas". Hitlodonte, sei lá, alguma coisa assim.

O livro é separado em duas partes.

Na primeira há uma longa conversa entre Thomas, um amigo que lhe apresentou o viajante, e o próprio viajante. Eles discutem a respeito de várias coisas e nunca sai um conclusão final, nem dá para saber qual ponto de vista o autor do livro estaria realmente defendendo. Uma dessas discussões é a respeito do papel do pensador na Política maiúscula, ou seja, como conselheiros de reis e essas porras todas.

O viajante xinga e desce o farrapo na tchurma, nego é teimoso, cego, tomado pelo próprio poder, essas coisas. E a galera em volta é só um bando de mesquinho interesseiro. Tô fora. Thomas defende que ele devia relativizar um pouco e convencer-se de que seu papel na corte como conselheiro era essencial, e que se apesar de ser claramente impossível convencer o nojento grupelho de suas sábias, racionais e bem-pesadas idéias, ao menos ele podia adotar uma "estratégia oblíqua". Tipo, aconselhar os caras de esguela. rere

A estratégia apresentada é essa. Você fala coisas que aparentemente são outras coisas e que vão, tortamente, pela beirada, por baixo, pela saída ao invés da entrada, enfim, de algum jeito imperceptível acabam entrando na cabeça da galera e fazendo algum efeito pra melhorar o que tava horrível. Se não dá pra ser perfeito, ao menos faça sua parte pra não se tornar catastrófico. Seria esse o papel do sábio diante dos governos.

Tem um exemplo no primeiro livro. Em algum texto Platão conta de sua visita a um imperador na casadocarái, ele fica morando lá uns tempos e aconselhando o cara, explicando as tiuría dele, quase é morto de tanto falar asneira, sai fora e depois fica sabendo que o tal imperador transformou suas idéias num livro e numa doutrina pro próprio império. Obviamente, distorcendo tudo até gritar. Os três conversantes do primeiro livro concordam no horror dessa possibilidade, ter suas idéias transformadas em doutrina por um tirano...

E aí estão as dicas para ler o segundo livro. :)
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