explode suavemente perante nossos olhos as incertezas do pertencimento, as
raízes que se quebram ao mesmo tempo que ensaiam renascer. Enxergamos nossa
frágil condição de Ser e Estar com a perplexidade comum aos que se perdem no
redemoinho das gerações.  E o som de nossa tragédia a perscrutar o coração
inquieto...

acho importante destacar que metareciclagem é de domínio público, respeitada
sua autoria...

Uma sociedade autônoma - vale dizer: não alienada de si mesma- é aquela onde
suas regras estão permanentemente em questão; onde, em outras palavras, a
ordem está em questão. Sempre que garantirmos esta possibilidade, mesmo
diante dos mecanismos conhecidos de apropriação privada e excludente do
poder e das riquezas, saberemos que estes mesmos mecanismos estarão sob uma
oposição de direito.

Derrida, por exemplo, não pretende dizer que o direito é ilegítimo ou
ilegal. Ele problematiza a identificação entre o jurídico e a justiça ao
questionar os fundamentos da autoridade e as ficções através das quais o
direito se auto-legitima.

Desconstruir é aprender que lei e justiça não são sinônimos, que esta tem
sempre o caráter de promessa aberta. Não se realizará nunca, mas se você
perdê-la de vista enquanto horizonte, perdeu-se tudo, não há lei que
resolva. A desconstrução é a tentativa mais radical de pensar essas noções
tão complexas: perdão, hospitalidade, justiça.

Daí as várias fórmulas paradoxais de Derrida: só se perdoa o imperdoável; só
se decide o indecidível. Se uma decisão for absolutamente lógica, racional e
dedutível de regras pré-estabelecidas, bem, não houve decisão nenhuma, só
uma aplicação de princípios já dados, não é mesmo? A decisão verdadeira só
ocorre quando você se enfrenta com o inteiramente cabeludo, com o
indecidível.

A isso Oswald de Andrade chamou a contribuição milionária de todos os erros.

besos

tem festança aqui em poa dia 29/08... meu cumplice se tornou desembargador
do tribunal do trabalho... a classe operária irá ao paraíso.

lelex

2008/8/6 Çtalker <[EMAIL PROTECTED]>

> Compartilho completamente o diagnóstico do FF sobre a inocuidade de
> estruturas sem dynamos (como se diz na semiótica) ou sem desejo (para a
> psicanálise). O que se disse para o MetaRec, vale para a Indymedia, o EL, o
> Estilingue, talvez o rizoma das rádios e tvs livres, boa parte das
> rádioslivres (caso que conheço: a RadiolaUFMG).
>
> Eu acho que namoro longo, ou casa, ou termina. Mas se não casa na hora que
> há amor profundo (a parte as paixões), depois não adianta, vira mais um
> compromisso ex-voluntário.
>
> Na primeira vez que tentamos casar (institucionalizar) nossas iniciativas
> primeiro, foi cedo demais. Apaixonados, mas muito adolescentemente apegados
> a uma independencia que, como vimos logo depois (quando fomos empregados e
> cooptados e, alguns, corrompidos) nunca havia existido. Agora, quem começou
> com menos de duas dezenas de anos, agora está chegando as três (ou quatro,
> como eu, que estou há 18 anos nesse boogie-woogie), tem contas a pagar,
> filhos a criar, casamentos a preservar (ou a abandonar). Temos que respeitar
> nossas novas realidades pessoais, ou seja, nosso amor pelas ações
> autonomistas e inovadoras tem que ser sustentável em longo prazo.
>
> Será que ao virarmos pessoas jurídicas, seremos obrigatoriamente iguais às
> ONGs formadas nos anos 80 e 90, que a gente tanto malhava (com boas razões
> mas nem tão bons afetos)? Elas próprias (as ONGs) absorveram inúmeras
> inovações que o nosso ciberativismo inventou, assim como muitas as pessoas
> nelas se empregam hoje.
>
> Esgotamos o combustível das paixões de começo e o que era volátil, já se
> sublimou. Temos amor bastante para continuar? Toleraremos abandonar nossos
> projetos nos dizendo que "foi curto o verão"?
>
>
> Felipe Fonseca escreveu:
>
>  Ei metarex
>>
>> Pois tô aqui, chegando ao Brasil mais lentamente que imaginava.
>> Tô passando por uma fase de readaptação orgânica ao clima, e
>> isso tem me mantido um pouco afastado da internet. Mas tenho
>> pensado bastante no sentido disso aqui. Digo, essa lista, esse
>> nome coletivo, uma certa herança confusa de seis anos chamando
>> diferentes coisas de MetaReciclagem. Essa identidade compartilhada
>> carrega um monte de valores implícitos e explícitos, e sob essa
>> identidade compartilhada um monte de coisas interessantes foram
>> realizadas. Pra quem não tá habituado a essas histórias, tô tentando
>> documentar no Mutirão: http://mutirao.metareciclagem.org/
>>
>> Mas eu tenho me perguntado de maneira mais aprofundada sobre
>> a existência disso tudo. Acho que eu tenho uma certa nostalgia
>> por um tempo em que a MetaReciclagem reunia uma dúzia de
>> pessoas dispostas a fazer coisas juntas. Hoje a lista metarec tem
>> 368 pessoas, e pouco ou nada se articula por aqui. Acho que as
>> listas em geral são uma coisa um pouco defasada, e até cheguei
>> a começar a reorganizar o site da MetaReciclagem pensando que
>> ele pode virar um ambiente de articulação, mobilização, agenciamento.
>> Mas no processo tenho me perguntado cada vez mais se faz sentido.
>> Se ainda tem alguém interessado em usar um sistema como esse.
>> Em chamar as coisas que faz de MetaReciclagem, e com isso
>> contar com o apoio de outras pessoas. Ou se ainda tem gente
>> interessada em apoiar os projetos de outrxs.
>>
>> Acho que tem um ponto de limite, de agitação coletiva, que determina
>> a participação das pessoas: a partir dali, mais gente entra. Daí que
>> só faz sentido desenvolver uma estrutura que facilite essas coisas
>> se as pessoas forem usar.
>>
>> A MetaReciclagem começou em sampa, com um grupo de pessoas
>> que queriam pegar doações de computadores pra fazer coisas em
>> projetos 'sociais'. De lá pra cá, cresceu e se transformou um monte.
>> Não vou repetir essa história mais uma vez. Mas sempre havia algum
>> ponto de sinergia, algum elemento que mantinha as pessoas próximas,
>> as idéias fluindo, as ações pipocando. Hoje eu sinto isso vazio. Os
>> únicos que tão fazendo alguma coisa e contando pra todo mundo
>> por aqui são o Régis, o Rafa, o Paulo e a Silvana. Eu gostaria que
>> esse tipo de coisa, que acontece também em outros lugares, fosse
>> compartilhada mais vezes. Mas isso não depende só de estrutura.
>>
>> E aí pergunto: faz sentido eu pensar nisso? Faz sentido a gente
>> ter uma estrutura pra agenciar ações coletivas entre pelo menos
>> essas 368 pessoas que tão na lista e tantas outras que entram
>> a cada dia no site pelo google ou coisa parecida? Faz sentido
>> a gente pensar em uma estratégia de logística distribuída pra
>> aproveitar a exposição que a gente teve, e que até hoje continua
>> gerando contatos de pessoas e empresas que querem doar
>> seus equipamentos mas não sabem pra quem? Faz sentido
>> buscar um nexo, tentar encontrar pontos em comum e
>> possibilidades de ação conjunta? Será que ainda é possível
>> articular a idéia de 'comunidade' distribuída ou isso é coisa
>> de 2001?
>>
>> Enfim,
>>
>> saudades
>>
>> efe
>>
>>
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