Olá Albert,
Devo dizer que discordo de você em alguns pontos. Sobre os papers que matemáticos publicam, é necessário e de certa forma até obrigatório que eles sejam curtos, resumidos; por vários motivos. Permita-me explicar. Se você prova um teorema, a sua demonstração inicial de 200 páginas provavelmente era muito feia. É provável que ela continha alguns erros e várias passagens desnecessárias que só ajudam a fazer com que o leitor perca o objetivo de vista, ou se canse de acompanhar tudo. Ora, não é natural que você primeiro crie um esboço, e vá aprimorando a sua obra até que ela fique boa o suficiente pra que você possa mostrá-la às outras pessoas? Há ainda uma questão prática de quantas páginas você pode ocupar num periódico. Ter um artigo de centenas de páginas publicado não parece muito viável, salvo em casos excepcionalmente raros, quem sabe. Sinceramente, não acredito que o objetivo dessa compactificação seja um orgasmo intelectual. Veja bem, é interessante e vantajoso que o matemático tenha citações do seu artigo. Se ele fizer algo muito obscuro e difícil de entender, muitas pessoas provavelmente não vão gostar, e ele só tem a perder com isso. É bom ter em mente que prolixidade não é sinônimo de clareza; na verdade, em muitas situações é exatamente o contrário. Falta de objetividade é sim um problema. Quanto ao seu exemplo do artigo de Einstein: do ponto de vista matemático, tudo que a teoria da relatividade restrita precisa é de álgebra linear, num nível bastante acessível (até formas bilineares, essencialmente). Tendo em vista que Einstein não queria escrever um livro explicando tudo desde o começo, e sim as idéias gerais da sua nova teoria, acho onze páginas uma quantidade bastante razoável. De fato, veja por exemplo o livro de Barrett O'Neill: Semi-Riemannian Geometry, With Applications To Relativity. Esta é uma consagrada referência de física-matemática, que tem um capítulo dedicado a Relatividade Restrita. O capítulo em questão tem meras 20 páginas! E isto que trata-se de um livro que procura fazer tudo do zero, definir várias coisas que na física não precisam de tanto rigor, tem figuras, etc.. Enfim, acho que você generalizou demais. Um Abraço, - Leandro.

