Oi Yaso,
preciso responder, sempre com todo o respeito e tentando explicitar o que se passa.
 
Não, não é um problema criar um Wordpress ou usar o Facebook.
 
http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/2014/06/1473409-mpl-tenta-mas-nao-consegue-evitar-vandalismo-em-ato-veja-imagens.shtml
 
Do protesto de ontem, escutamos:
"Quebrar tudo, só assim o governo ouve, irmão."
 
Não é só o governo, contudo. É a mídia, e também passei por uma situação em que manifestante não me escutava. Há exatamente um ano estava surgindo um fórum chamado ManifestoBrasil.org
 
Disse a um cara que conhecia a anos e ele não quis me escutar de que lá seria o melhor lugar para organizarmos as manifestações. Então o que se seguiu foram várias e várias manifestações violentas, em vão. Todas organizadas e dependentes da plataforma Facebook, mas esse cara não queria que os manifestantes saíssem do FB, ele simplesmente me disse no pátio da universidade que "No Facebook é melhor porque é mais fácil pegar mulher", a sós, e influenciou toda a Assembleia Popular que continuasse sendo dependente do Facebook por conta desse interesse pessoal. Consegui reverter expondo-o, seguindo os padrões de métodos apresentados no início do filme Wikirebels de que "se alguém tivesse um comportamento imoral, esta pessoa sofreria as consequências", e fiz ele me pedir desculpas porque eu demonstrei a ele que existe uma rede pública que não é divulgada pelo governo.
 
Aquela rede funciona efetivamente para resolver os problemas do povo? Não, a dependência daquilo parece apenas tornar tudo mais tenso e sem expectativa de resolução dos problemas. Os ânimos começam a inflar por causa da ineficiência daquilo de buscar por formas de resolver o problema, pela diplomática verdadeira democracia.
 
Mesmo a rede pública existindo, não é o governo que está menos escutando os reclames do povo, mas sim os meios de comunicação que deveriam funcionar para as próprias pessoas, o povo. Mídia para quem? Para o quê? Para a mídia, existem somente as redes privadas/privatizadas/proprietárias.
 
Forma pessoas extremamente desinformadas e descontextualizadas do mundo atual para ir no Facebook dizer para as outras pessoas compartilharem que vai ter Ato contra a tarifa! E acha que tá arrasando dizendo pros outros "compartilha aí! ajuda a gente a divulgar!". Mas será que essa pessoa está desinformada ou descrente do governo? Ou os dois!?
 
O problema não está em fazer participação social no Facebook, o problema é influenciar as decisões da Assembleia por causa da ignorância, dos interesses pessoais e ao desimportar com que os outros participantes da Assembleia tinham a dizer. O problema é mantê-los desinformados e dependentes de uma ferramenta social de tecnologia da informação que não foi feita para mudar o governo, o mundo, não foi feita para melhorar a vida deles.
 
A dificuldade do verdadeiro contexto histórico chegar às pessoas é o maior inimigo. A história dos últimos 30 anos deveria ser recontada e revista, desde o início do Projeto GNU. Só assim para superar a pobreza de visão do mundo que as pessoas confinadas em Facebook estão.
 
Thiago Zoroastro
 http://blogoosfero.cc/profile/thiagozoroastro




De: [email protected]
Enviada: Quinta-feira, 19 de Junho de 2014 15:41
Para: [email protected]
Assunto: [okfn-br] A OK Brasil tem alguma coisa a ver com Participação Social?

+1 pro túlio
+1 pro tom

E uma questão para se pensar: participação social via internet só vale se for em rede de governo? Porque no facebook nao é participação social? Porque uma tuitada não vale? E se eu for de um conselho e subir um WordPress, a "presidência" vai considerar a opinião do conselho? Como se imagina que vao se coletar as demandas fora do participatorio? Não serão coletadas? Quem determina o que eh coletavel e o que nao eh?

Em 19/06/2014 14:56, "Marco Túlio Pires" <[email protected]> escreveu:
Deivi, a constituição já prevê mecanismos de participação social. 
 
Um exemplo é o Capítulo II, artigo 10: 
É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação.
 
O Capítulo VII é mais direto: 
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública.
 
Há outros exemplos. 
 
Isso quer dizer que o legislador constituinte determinou que a lei disciplinará formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta. E se é a lei que disciplina formas de participação, isso não pode ser disciplinado pelo executivo por meio de decreto. São os deputados e senadores que devem deliberar sobre isso. Eles são os legítimos legisladores.
 
Eu concordo que quanto mais participação popular melhor. Mas isso não significa que os fins justificam os meios. O problema é que nós temos mecanismos de tomada de decisão que não podem ser atropelados. Não cabe ao governo executivo determinar formas de participação popular, mesmo isso sendo uma coisa boa. Cabe, sim, ao governo federal propor ao congresso que ele discuta a proposta para daí, sim, ela tomar a forma de lei, assim como prevê a Constituição. 
 
Não é à toa que os poderes são divididos em legislativo, executivo e judiciário. Temos de ficar alertas e soar o alarme quando um dos poderes tenta entrar na seara do outro. O mesmo vale para o STF quando ele resolve "legislar" por meio de súmulas vinculantes levianas, ou quando o Congresso tenta passar leis absurdas. 
 
Essa é a interpretação que faço da situação até o momento. Ainda não me convenci de que o governo federal precisa fazer isso, principalmente num ano de eleição. Me parece desonesto. Uma saída melhor, na minha opinião, teria sido o governo fazer uma ampla campanha para sensibilizar o Congresso à disciplinar as formas de participação social, assim como prevê a Constituição.


2014-06-17 10:21 GMT-03:00 Deivi Kuhn <[email protected]>:
Não encontrei no decreto nenhuma parte de fere as atribuições do legislativo.
O executivo, dentro das suas atribuições, pode decidir como toma as suas decisões e foi muito positivo a intenção de promover a participação social.
Como a Yaso disse, acho que esse assunto está mais carregado de questões eleitorais do que técnicas. Participação social é bom, no executivo, no legislativo ou onde seja.

Deivi


Em 12 de junho de 2014 10:49, Marco Túlio Pires <[email protected]> escreveu:

Eu penso nessa linha também. Acho que vale reflexão sobre o que de fato esse decreto traz de novo em relação aos mecanismos já existentes de participação popular no governo. E me soa estranho novos mecanismos de representação para a tomada de decisões no governo executivo serem decretados pelo próprio executivo. Não me parece estar no escopo do governo executivo fazer esse tipo de asserção e, sim, do legislativo. Se formos seguir algo que está no papel, nosso sistema de democracia representativa já prevê uma série de canais de participação via audiências públicas, consultas populares, reuniões com legisladores, grupos de lideranças comunitárias, eleições diretas e eleições baseadas em listas abertas. Se estes e outros mecanismos já existentes não estão sendo usados "suficientemente" pela população cabe a reflexão se devemos mudar uma ponta (como o cidadão lida com o nosso sistema democrático) ou a outra (as leis que configuram os mecanismos de participação popular na tomada de decisões do governo na nossa democracia).

On Jun 11, 2014 10:54 PM, "Yasodara Cordova" <[email protected]> wrote:
>
> Oi Gisele
>
> Eu acho que o debate sobre o aumento das vias para participação social na "democracia" é sempre válido. o Decreto cita dados abertos e acessibilidade, e eu acho que por causa disso o que poderia ser feito é uma análise de cada ponto (não tem nada de novo no decreto), sem lançar mão do recurso "apoio ou reprovo", pra não entrar no fla-flu eleitoral. 
>
> Pessoalmente, pareceu contraditório que seja um decreto sobre participação social. Deveria ter sido um projeto de lei, seguir o caminho comum e tal... Mas é claro, vai servir pro debate, ou já está servindo. 
>
> yaso
>
>
>
>
>
>
> ∞ yaso.com.br
> ∞ yaso.eu
> ∞ w3c.br
> ∞ ingraxa.eu
>
> ** just reset and dive again**
>
>
> 2014-06-11 20:04 GMT-03:00 Gisele S. Craveiro <[email protected]>:
>
>>
>> Oi gente,
>>
>> Ainda esses dias enviei o email abaixo e agora reforço a pergunta:
>> a Open KNowledge Brasil, que está começando a se colocar no
>> debate público de temas como democracia, participação política,
>> livre expressão entre outros, vai se posicionar em relação
>> ao decreto que institui a Política Nacional de Participação Social ?
>>
>> Existem várias manifestações de apoio e em breve queremos
>> divulgar uma carta aberta. A Ok Brasil assina?
>>  
>> Na minha humilde opinião seria uma contradição ficar calado
>> nesse momento.
>>
>> Abs,
>>
>> Gisele
>>
>> Em 9 de junho de 2014 17:54, Gisele S. Craveiro <[email protected]> escreveu:
>>>
>>> Olá Tom e demais,
>>>
>>>
>>> Como você e algumas pessoas aqui foram recentemente para Brasília
>>> na ocasião da assinatura do decreto sobre participação social
>>> no Brasil,gostaria que compartilhassem suas reflexões
>>> e ligassem  à discussão da democracia que propõe.
>>>
>>> Sei que o decreto tem limitações e provocou uma grande reação contrária
>>> do legislativo e alguns veículos de comunicação mais conservadores.
>>> Alguns tem falado que inclusive que poderia existir um
>>> retrocesso, talvez eliminando os conselhos de políticas públicas.
>>>
>>> Em outras listas se discute a possibilidade de avanços em relação
>>> à política de participação social com a proposição de um PL sobre
>>> isso. Não sei o quanto a OK Brasil e o projeto Vai Mudar poderiam
>>> colaborar em relação a isso.
>>>
>>> Na verdade gostaria muito de saber que a comunidade da Ok Brasil pensa
>>> a respeito do quanto a organização deveria atuar em relação
>>> a temas de governo aberto, reforma política e participação
>>> social.
>>>
>>>
>>> Abraços,
>>>
>>> Gisele
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>
>>> 2014-06-08 19:13 GMT-03:00 Everton Zanella Alvarenga <[email protected]>:
>>>>
>>>> Ainda estou no começo, mas parece interessante.
>>>>
>>>> http://rebootdemocracy.org/
>>>>
>>>> Our democracies are failing us. And that might well be the ultimate cause of many of the economic, social and environmental problems that plague us.
>>>>
>>>> An out-of-control financial sector whose greed throws entire countries into poverty? Irresponsible, spendthrift politicians who rack up public debt? Reckless inaction over climate change? No matter what your specific grievances (and political persuasion) might be, it is evident that politicians no longer represent our interests.
>>>>
>>>> It is a good thing that there are many groups in civil society fighting these (and many other) concrete, pressing problems. Yet, perhaps we should also start addressing the source from which they all stem.
>>>>
>>>> That source is the profound brokenness of our democracies—and, unlike what many believe, there are reasonable ways to fix them.
>>>>
>>>>
>>>> --
>>>> Everton Zanella Alvarenga (also Tom)
>>>> Open Knowledge Brasil - Rede pelo Conhecimento Livre
>>>> http://br.okfn.org
>>>>
>>>> _______________________________________________
>>>> okfn-br mailing list
>>>> [email protected]
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