Tom, a anedota eh tl;dr Facocracia tem suas limitacoes, mas funciona muito bem para questoes do dia-a-dia e como o pontape inicial das coisas. Nao facamos disso uma discussao sociologica, apenas um estimulo para a participacao da comunidade e um aviso de que as pessoas nao devem esperar ser convidadas a se envolver.
Quanto a estrutura burocratica, ela so eh necessaria em casos de crise. E realmente espero que a gente nunca precise apelar para essa estrutura para resolver alguma coisa. Devemos dar os passos como comunidade e se isso afetar alguma "negociacao", que se dane a negociacao. O problema (o maior deles na minha opiniao) eh que estamos tornando a estrutura burocratica o caminho padrao das decisoes, onde apenas 4 ou 5 pessoas sabem o que esta acontecendo, quando nao apenas 1 ou 2. Isso eh assustador, desestimulante, desrespeitoso com a comunidade e torna a façocracia sem sentido. Por isso tomei o 1o. email do Tom como uma sinalizacao de uma nova postura. Abs, Oda PS: desculpe o fazer-cracia, mas la pelas minhas bandas a gente traduziu de outro jeito e eu gostei mais ;) -- Oda ------------------------------------------------------ If you don't have time to do it right, where are you going to find the time to do it over? ------------------------------------------------------ 2014-08-16 12:07 GMT-03:00 Everton Zanella Alvarenga <[email protected]>: > > > Em 16 de agosto de 2014 10:53, Edgar Zanella Alvarenga <[email protected]> escreveu: > >> Isso é o tipo de idéia que pode ser muito bonita na teoria, mas na verdade >> se for analisar mais a fundo vai encontrar diversos problemas. Um exemplo de >> problema, você pode canalizar o poder de decisão em certos temas de uma >> organização apenas para um grupo pequeno de pessoas que possuam maior >> conhecimento de uma área específica, ou pior, por razões históricas e não de >> competência necessariamente. Outro problema está no trecho que escreveu >> "indivíduos escolhem regras e tarefas para eles mesmos e as executam", e se >> as regras e tarefas escolhidas pelo indíviduo não estão em sincronia com as >> idéias da maior parte do grupo? Por exemplo, lembro-me do Abdo enviando um >> email da lista fechada para a lista aberta, talvez por ele ver o papel dele >> em dar o exemplo de como uma organização mais horizontal e com maior >> participação da comunidade deve ser. > > > Claro que essa prática tem riscos. Você apontou apenas um. Podemos pensar em > outros, aqui uma lista (ver seção 'Danger'): > > http://www.communitywiki.org/cw/DoOcracy > >> >> >> E eu não entendo se você gosta tanto da fazer-cracia, por que continua a >> existir uma lista fechada para discussão de quais projetos serão realizados >> pela OKBR? Isso não vai contar o que você mesmo disse "Responsabilidades >> ficam atribuídas para pessoas que fazem o trabalho, em vez de representantes >> eleitos ou selecionados"? A responsabilidade de decisão dos projetos não >> está atribuída ao pequeno grupo do conselho que foi previamente selecionado >> por você? Ou teve uma eleição? > > > Foi selecionado por mim. Estávamos criando uma estrutura legal mínima, que > resultou no estatuto: > > http://br.okfn.org/estatuto > > Na minha opinião é preciso de alguma estrutura e definir processos, pois > pode acabar em casos em que surgem tiranias em grupos sem estrutura: > http://flag.blackened.net/revolt/hist_texts/structurelessness.html > > No caso atual, o objetivo era criar uma organização sem fins lucrativos que > apoiasse o grupo local sendo formado desde 2011 > <http://wiki.okfn.org/Chapter/Brazil/people>, quando a Open Knowledge me > convidou para ser 'community coordinator' (coordenador de comunidade). Foi > esse meu desejo com o apoio de algumas pessoas mais ativas nesse grupo > local, com algum apoio da Open Knowledge Central para criar uma organização > sustentável (o apoio seria de 6 a 12 meses, que acabou sendo na prática 5 > meses, 4 eu trabalhando pro-bono). > > Vou usar como exemplo a criação de um estatuto para mostrar como a > fazer-cracia pode funcionar. Após um grupo de pessoas apoiar e ver a > necessidade da criação de uma estrutura legal para as atividades que eles > vêm fazendo há anos, a Letícia envia e-mails para a lista do grupo local, > cria um pad, lista exemplos de estatutos, começa a redigir o texto de um > estatuto levando em consideração e comentários esparsos, mas ainda sem algum > corpo de estatuto. O estatuto vai sendo formado, a Letícia continua pedindo > contribuições (e-mail, telefonemas, conversas informais etc.) e o corpo do > texto vai sendo formado. Ela percebe que ainda falta muita coisa para ter um > texto esteja bom para a organização, então busca ajuda de uma organização > que dá esse apoio pro-bono e mais uma pessoa com experiência no assunto, que > recebeu uma contribuição financeira simbólica (da Letícia) para sua redação, > já que a Letícia não estava dando conta. > > Coisas que a Letícia queria para a estrutura da organização era que tivesse > um 'board' (ou diretores da organização [1], no caso da OKBr o conselho > deliberativo, pessoas mais próximas e que apoiam a construção da > organização, todas com dedicação voluntária, esses não recebem nada > financeiro) e um conselho consultivo (pessoas do grupo local que vinham > apoiando nos últimos anos através de ações concretas, opiniões e conselhos), > assim como um conselho fiscal e, claro, alguém responsável pela execução das > coisas, exigência para essa estrutura mínima. > > [1] Mais sobre algumas atribuições para os diretores, conselhos, executivo > etc. de uma organização de uma sociedade civil, sugiro o livro "Mais > dinheiro para sua causa", do Daniel Kelley > <http://www.amazon.com/Mais-Dinheiro-para-sua-Causa/dp/0988594242>. Livro > indicado por consultoras que dedicaram boas horas pro-bono para apoiar a > OBr. > > E por que a Letícia fez essa estrutura e escolheu essas pessoas? Porque ela > era a pessoa responsável (apoiada por várias outras) para a criação dessa > organização e fez escolhas de pessoas de sua confiança. > > E como as coisas começaram a funcionar, após algumas dezenas de pessoas > terem acordado um estatuto que regiria essa organização que daria suporte à > rede? Conforme o que está no estatuto. > > A Letícia percebia da importância de criar um regimento interno para definir > coisas como esse processo de decisão. Com o apoio de uma consultoria > pro-bono e alguns voluntários, ela organizou um encontro para fazer um > planejamento estratégico da organização/rede. Mandou e-mails, criou texto de > blog, convidou por telefone, explicou a importância do encontro, argumento > que metade de um dia não era suficiente (e não foi), entre outras coisas. > Depois Letícia tinha que continuar a organizar o documento do planejamento, > reportar para o grupo, criar um regimento (chamem o que quiser, sei que > pessoas rebeldes devem detestar o termo) entre milhares de outras coisas. > > Ela convidou as pessoas do seu grupo para ajudar com isso, mas o máximo que > obteve foi, novamente, críticas pontuais e esparsas sobre diversas coisas > que foram surgindo na medida em que as coisas começaram a ocorrer (captação > de recursos, execução de projetos, lidar com conflitos, assinaturas de > cartas, contratações, pagamento de contas, viagens, negociações etc. etc. > etc.). > > E agora, como será que essa história vai acabar? Como as coisas irão para > frente? A Letícia poderia sentar a cadeira na bunda e começar a escrever > esse processo. É claro que isso causariam várias críticas, ela ouviria de > várias pessoas que está tudo errado. E os motivos estão bem resumidos na > história da fazer-cracia que traduzi. > >> >> Mas não veja meus questionamentos como uma provocação, realmente estou >> tentando entender o que realmente quer dizer com seu conceito de >> fazer-cracia e até que ponto acredita que isso possa ser seguido na >> estrutura da OKBR. Na prática, o que isso implicaria na OKBR? > > > > A Letícia sabe que o modelo não é sustentável, que ela precisa de apoio, > tanto na execução quanto na concepção, como ocorreu em outros momentos. E é > para isso que ela está começando a pensar (e agir) em formas de melhorar a > estrutura criada, os processos criados ou em formação > >> >> >> Ah sim, você tem algum outro exemplo de fazer-cracia seguido para a >> estruturação de alguma organização fora o evento Burning Man? >> > > Não sei direito sobre o Burning Man, exceto o que o Abdo explicou sobre o > evento e as fotos que vi. Não sei muito sobre ele, apenas que não me agrada > a ideia, apesar de toda excentricidade dele. > > Podemos pensar na Open Knowledge Conference que vi em 2011. Foi lá que vi > coisas acontecerem mesmo com claras limitações de recursos humanos e > financeiros - cartazes feitos a mão, pessoas trabalhando juntas, workshops > sobre diversos assuntos interessantes, uma rede global em torno de um > assunto que gosto se reunindo. Minha sensação era a de ter encontrado uma > grande afinidade com um grupo que queria ver coisas acontecerem com um > propósito comum que estou envolvido faz tempo. > > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > _______________________________________________ okfn-br mailing list [email protected] https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br
