Concordo que a comparação com a favela não é ofensiva. Nem o caráter do indivíduo nem a qualidade do seu trabalho ficam prejudicadas por se tratar de um morador de favela.
Talvez a comparação seja mesmo adequada, pensando em publicações essencialmente brasileiras. Por um lado algumas são editadas por empresas internacionais, o que confere não entendo bem porque um certo prestígio, a custo alto para o contribuinte. São os condomínios fechados. Outras ficam abertas a todos e recebem menos apoio oficial, como uma favela nem polícia nem arruamento. Nem por isso os artigos lá publicados são necessariamente mais fracos, embora talvez a visita aos condomínios fechados da academia seja mais protegida pelos órgãos oficiais. (Na minha experiência as publicações mais relevantes não são nem completamente abertas, nem comerciais: são as publicações das organizações científicas profissionais, que têm custos reduzidos e passam por crivos mais criteriosos do que as demais. Na minha área o exemplo principal são as revistas do IEEE.) Talvez o pensamento do autor tenha sido preconceituoso, revelando desconsideração pela favela. Mas não é ofensivo para o cientista que publica no que ele chama de favela das publicações. A não ser que a gente aceite a hipótese de que o que vem da favela é pior, o que eu não aceito. > On 3 Aug 2015, at 08:50 , Heloisa Pait <[email protected]> wrote: > > Olá! > > Estou sem tempo para me inteirar melhor sobre o assunto, mas lendo a > resposta, digo que: > 1. visibilidade é fundamental. Como conseguir isso? A questão é legítima. > 2. se alguém quer comparar uma coisa qualquer com favela, compare, oras. > > Não vejo motivos pra nos sentirmos ofendidos. Ofender-se com isso seria na > verdade confessar que acreditamos estar "acima" das favelas. Ora, queremos > fazer isso? Eu não. Nossas cidades têm favelas, muitos de nossos concidadãos > moram em favelas, e muitas coisas na nossa sociedade tem, sim, aspectos > favelares, ou favelísticos, ou seja lá qual é o adjetivo de favelas. São > parte da sociedade brasileira, inspiram obras de arte, músicas lindas, > filmes, romances, novelas, por que não inspirariam também as ciências? > > Ou as ciências brasileiras não tem a ver com a sociedade local, apenas com > Humboldt ou MIT? > > Se a afirmação dele for verdadeira, o caso é apenas de pensar em que sentido > essa favela pode ser aprimorada para que cumpra melhor sua função. Se for > falsa, é falsa e pronto. > > Pergunta ao grupo: Por que a comunidade se ofendeu tanto com a comparação? > Alguém tem alguma idéia? Sem ironia, eu realmente estou investigando isso, a > rejeição da universidade brasileira aos saber nacional, que é rico e pulsante. > > Abraços, > Heloisa > > 2015-08-02 19:42 GMT-03:00 Miguel Said Vieira <[email protected] > <mailto:[email protected]>>: > Olá pessoal, > > o Beall aponta uma questão séria e relevante com seu trabalho; o acesso > aberto dourado abre caminho pra problemas graves de mercantilização da > publicação acadêmica, e um dos primeiros esforços mais sistemáticos em > evidenciar esses problemas foi o da sua famosa e polêmica lista de > "periódicos predatórios". Mas volta e meia, Beall sustenta posições muito > questionáveis. > > Esse post em questão é exemplo disso. O argumento do texto não é nada > científico: ele faz diversas afirmações retóricas (sobre a qualidade do > trabalho de SciELO e Redalyc, sobre as intenções do governo ao cogitar > contratar grandes editoras), sem nenhuma fonte ou evidência razoável. > > Além disso, achei a comparação com favelas / "bairros agradáveis" > preconceituosa, e com uma conotação bem colonialista; se nossos periódicos > são carentes de recursos (como "favelas"), não é por uma mera escolha, mas > por um cenário complexo que envolve (entre outros fatores) a pobreza de > nossos países e o caráter altamente concentrado do mercado de publicações > científicas. A comparação também é reveladora da posição dele: ele omite que > no "bairro agradável" o que temos são condomínios fechados -- publicações de > acesso caríssimo, e que remuneram o oligopólio de grandes editoras a taxas de > lucro exorbitantes. A "favela" de publicações pode ter seus problemas, mas em > vários aspectos o condomínio fechado é pior para todos (tirando os donos das > grandes editoras)... > > Minha impressão, aliás, é de que ele é a priori contrário a acesso aberto > (seja predatório ou não). Este artigo dele, por exemplo, passa bem essa ideia: > > http://www.triple-c.at/index.php/tripleC/article/view/525 > <http://www.triple-c.at/index.php/tripleC/article/view/525> > > Abraços, > Miguel > > > > On 08/02/2015 02:13 PM, Everton Zanella Alvarenga wrote: >> Caros, >> >> entraram em contato conosco sobre o seguinte episódio envolvendo a SciELO, >> descrito no blog da própria: >> >> http://blog.scielo.org/blog/2015/08/02/mocao-de-repudio-ao-ataque-classista-do-sr-jeffrey-beall-ao-scielo/#.Vb4w1nnEPS0.twitter >> >> <http://blog.scielo.org/blog/2015/08/02/mocao-de-repudio-ao-ataque-classista-do-sr-jeffrey-beall-ao-scielo/#.Vb4w1nnEPS0.twitter> >> >> Alguém aqui tem acompanhado o caso? Devemos nos manifestar? Não conheço esse >> sr., então gostariade saber se ele tem alguma relevância para nosso trabalho >> ampliar o acesso ao conhecimento científico ao ponto de dedicar algum >> esforço de nossa parte. >> >> Tom >> Open Knowledge Brasil > > > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] <mailto:[email protected]> > https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > <https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br> > Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > <https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br> > >
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