Eu acho que a questão aí é que ele usou o termo de um modo depreciativo mesmo. Como em muitas ocasiões, não é o que se fala, mas o modo como se fala.
Em 3 de agosto de 2015 11:19, Felipe M Pait <[email protected]> escreveu: > Concordo que a comparação com a favela não é ofensiva. Nem o caráter do > indivíduo nem a qualidade do seu trabalho ficam prejudicadas por se tratar > de um morador de favela. > > Talvez a comparação seja mesmo adequada, pensando em publicações > essencialmente brasileiras. Por um lado algumas são editadas por empresas > internacionais, o que confere não entendo bem porque um certo prestígio, a > custo alto para o contribuinte. São os condomínios fechados. Outras ficam > abertas a todos e recebem menos apoio oficial, como uma favela nem polícia > nem arruamento. Nem por isso os artigos lá publicados são necessariamente > mais fracos, embora talvez a visita aos condomínios fechados da academia > seja mais protegida pelos órgãos oficiais. > > (Na minha experiência as publicações mais relevantes não são nem > completamente abertas, nem comerciais: são as publicações das organizações > científicas profissionais, que têm custos reduzidos e passam por crivos > mais criteriosos do que as demais. Na minha área o exemplo principal são as > revistas do IEEE.) > > Talvez o pensamento do autor tenha sido preconceituoso, revelando > desconsideração pela favela. Mas não é ofensivo para o cientista que > publica no que ele chama de favela das publicações. A não ser que a gente > aceite a hipótese de que o que vem da favela é pior, o que eu não aceito. > > > On 3 Aug 2015, at 08:50 , Heloisa Pait <[email protected]> wrote: > > Olá! > > Estou sem tempo para me inteirar melhor sobre o assunto, mas lendo a > resposta, digo que: > 1. visibilidade é fundamental. Como conseguir isso? A questão é legítima. > 2. se alguém quer comparar uma coisa qualquer com favela, compare, oras. > > Não vejo motivos pra nos sentirmos ofendidos. Ofender-se com isso seria na > verdade confessar que acreditamos estar "acima" das favelas. Ora, queremos > fazer isso? Eu não. Nossas cidades têm favelas, muitos de nossos > concidadãos moram em favelas, e muitas coisas na nossa sociedade tem, sim, > aspectos favelares, ou favelísticos, ou seja lá qual é o adjetivo de > favelas. São parte da sociedade brasileira, inspiram obras de arte, músicas > lindas, filmes, romances, novelas, por que não inspirariam também as > ciências? > > Ou as ciências brasileiras não tem a ver com a sociedade local, apenas com > Humboldt ou MIT? > > Se a afirmação dele for verdadeira, o caso é apenas de pensar em que > sentido essa favela pode ser aprimorada para que cumpra melhor sua função. > Se for falsa, é falsa e pronto. > > Pergunta ao grupo: Por que a comunidade se ofendeu tanto com a comparação? > Alguém tem alguma idéia? Sem ironia, eu realmente estou investigando isso, > a rejeição da universidade brasileira aos saber nacional, que é rico e > pulsante. > > Abraços, > Heloisa > > 2015-08-02 19:42 GMT-03:00 Miguel Said Vieira <[email protected]>: > >> Olá pessoal, >> >> o Beall aponta uma questão séria e relevante com seu trabalho; o acesso >> aberto dourado abre caminho pra problemas graves de mercantilização da >> publicação acadêmica, e um dos primeiros esforços mais sistemáticos em >> evidenciar esses problemas foi o da sua famosa e polêmica lista de >> "periódicos predatórios". Mas volta e meia, Beall sustenta posições muito >> questionáveis. >> >> Esse post em questão é exemplo disso. O argumento do texto não é nada >> científico: ele faz diversas afirmações retóricas (sobre a qualidade do >> trabalho de SciELO e Redalyc, sobre as intenções do governo ao cogitar >> contratar grandes editoras), sem nenhuma fonte ou evidência razoável. >> >> Além disso, achei a comparação com favelas / "bairros agradáveis" >> preconceituosa, e com uma conotação bem colonialista; se nossos periódicos >> são carentes de recursos (como "favelas"), não é por uma mera escolha, mas >> por um cenário complexo que envolve (entre outros fatores) a pobreza de >> nossos países e o caráter altamente concentrado do mercado de publicações >> científicas. A comparação também é reveladora da posição dele: ele omite >> que no "bairro agradável" o que temos são condomínios fechados -- >> publicações de acesso caríssimo, e que remuneram o oligopólio de grandes >> editoras a taxas de lucro exorbitantes. A "favela" de publicações pode ter >> seus problemas, mas em vários aspectos o condomínio fechado é pior para >> todos (tirando os donos das grandes editoras)... >> >> Minha impressão, aliás, é de que ele é *a priori* contrário a acesso >> aberto (seja predatório ou não). Este artigo dele, por exemplo, passa bem >> essa ideia: >> >> http://www.triple-c.at/index.php/tripleC/article/view/525 >> >> Abraços, >> Miguel >> >> >> >> On 08/02/2015 02:13 PM, Everton Zanella Alvarenga wrote: >> >> Caros, >> >> entraram em contato conosco sobre o seguinte episódio envolvendo a >> SciELO, descrito no blog da própria: >> >> >> http://blog.scielo.org/blog/2015/08/02/mocao-de-repudio-ao-ataque-classista-do-sr-jeffrey-beall-ao-scielo/#.Vb4w1nnEPS0.twitter >> >> Alguém aqui tem acompanhado o caso? Devemos nos manifestar? Não conheço >> esse sr., então gostariade saber se ele tem alguma relevância para nosso >> trabalho ampliar o acesso ao conhecimento científico ao ponto de dedicar >> algum esforço de nossa parte. >> >> Tom >> Open Knowledge Brasil >> >> >> >> _______________________________________________ >> okfn-br mailing list >> [email protected] >> https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br >> Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br >> >> > > > _______________________________________________ > okfn-br mailing list > [email protected] > https://lists.okfn.org/mailman/listinfo/okfn-br > Unsubscribe: https://lists.okfn.org/mailman/options/okfn-br > > -- Natália Mazotte (21) 95030699 [email protected] http://twitter.com/NataliaMazotte
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