Caro Cassio,
 
 
        Pelo que pude entender do relato do caso, o paciente agora apresenta além da retração atical, uma parte da membrana tensa atrófica, que você descreve como: ... valsalva positivo mas mt timpânica com aspecto de herniação e tendendo a colabar sem o valsalva...
        Li recentemente um artigo interessante sobre estas retrações de membrana tensa em crianças (1). Os autores propõem, para aqueles casos de grau II e III da classificação de Sadé (veja abaixo), a colocação de um tubo de ventilação na parte normal da membrana e a remoção da parte atrófica, que fica aberta, sem enxerto. Foram operados 39 ouvidos e em 34 destes houve fechamento completo da perfuração. Após a extrusão do tubo de ventilação, houve recorrência da retração em  13, dos quais em 5 do grau I, não necessitando cirurgia. Os 8 restantes foram submetidos novamente a excisão da atrofia e colocação de tubo de ventilação sendo que 4 cicatrizaram e permaneceram estáveis durante o acompanhamento de 18 meses e 4 ficaram com perfuração residual  (resposta satisfatória em 75% dos casos ao final dos 18 meses). Os pacientes em que não houve fechamento da perfuração estão sendo acompanhados para serem submetidos à timpanoplastia, assim que a função da tuba auditiva fique normal.
 
 Classificação de Sadé (retração da parte tensa da membrana):
Grau  I - retração simples
Grau II - retração sobre a articulação incudo-estapediana (com ou sem erosão desta)
Grau III - retração sobre o promontório, sem adesão
Grau IV - retração sobre o promontório, com adesão ao mesmo.  
 
(1) Blaney SPA, Tierney P, Bowdler DA - The surgical management of the pars tensa retraction pocket in the child - results following simple excision and ventilation tube insertion. Int. J. Pediatr. Otorhinolaryngol, 50:133-37,1999.
 
Fotos (reproduzidas da revista): Retração grau III, antes e imediatamente após o procedimento.
 

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