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Prezado Adriano Fonseca e demais colegas de
grupo:
Esta quest�o da Quimioterapia em ORL � uma boa
oportunidade para conversarmos sobre as rela��es entre ORL e cabe�a e pesco�o, e
j� que fomos indagados, vamos nos referir ao papel desempenhado
pela SBORL nesta quest�o, esperando ampliar o debate sobre esse
relevante assunto.
1. Na Europa, pela qual fomos colonizados, o ORL
recebe forma��o adequada para diagnosticar, tratar e operar ouvidos, nariz,
garganta e pesco�o, sejam doen�as malignas ou benignas;
2. Nas Am�ricas isso tamb�m ocorre de forma semelhante,
exceto nos EUA (que vem nos colonizando mais recentemente), em que uma
minoria dos m�dicos atuantes na �rea oncol�gica de cabe�a e pesco�o
originou-se da cirurgia geral, dando grande impulso �s t�cnicas mais
alargadas;
3. Criou-se os chamados "Hospitais de C�ncer", partindo do
pressuposto de que especializar uma institui��o seria bom em termos t�cnicos e
de marketing (c�ncer deve ser tratado num Hospital de C�ncer), e
nessa montagem, em alguns desses centros de refer�ncia, tanto nos EUA quanto
no Brasil, privilegiou-se a contrata��o de cirurgi�es gerais;
4. Paralelamente a isso, os ORLs no Brasil (talvez apenas
no Brasil) tenderam a preferir procedimentos menores, com menor potencial de
complica��o, e talvez tenham achado at� "c�modo" ter para onde ou para quem
encaminhar os casos mais graves de tumores (algo semelhante se fez em rela��o ao
trauma de face e � endoscopia per-oral/broncoesofagologia); 5. Com isso formou-se uma situa��o totalmente
an�mala, na qual quem tem mais condi��es de diagn�stico e conhece melhor as
enfermidades em geral (o ORL) "abre m�o" de diagnosticar e tratar as
enfermidades malignas; e os chamados hospitais de C�ncer empregam recursos
gigantescos para tratar de doen�as que poderiam e deveriam ser prevenidas e
diagnosticadas precocemente a um custo fantasticamente menor, no caso, pelo ORL
bem treinado. Lembremos que nas demais �reas cir�rgicas essa estranha
deforma��o n�o ocorre: Uro, Gineco, Abdomen, Neuro, etc, em que o mesmo
profissional assume os traumas, as patologias benignas e as malignas de sua �rea
anat�mica;
6. Para agravar isso tudo, considerando que o mercado para
o cirurgi�o de cabe�a e pesco�o que s� trate de c�ncer � muito restrito, eles
tenderam e tendem a se estender para �reas da ORL, sem ter forma��o para tal,
como nas doen�as benignas da laringe, por ex., com a ativa ou passiva
concord�ncia de alguns ORLs que n�o se interessavam por
laringe;
7. Sentindo esta press�o por espa�o, principalmente na
�rea privada, as �ltimas diretorias da Sociedade Brasileira de Cirurgia de
Cabe�a e Pesco�o se empenharam em impedir o acesso de ORLs � Resid�ncia
M�dica (RM) em Cirurgia de Cabe�a e Pesco�o, deixando de aceitar a RM em ORL
como pr�-requisito. Assim ficamos, ap�s a modifica��o que estes colegas
(ansiosos por reserva de mercado) implantaram: qualquer m�dico pode
candidatar-se � RM em ORL, mas somente os que j� tenham RM
em Cirurgia Geral podem inscrever-se para Cirurgia de Cabe�a e Pesco�o, e
nas grandes institui��es de C�ncer (ao menos do Rio e SP) n�o h� nenhum
colega de origem ORL contratado, sem falar nas articuladas entrevistas
que excluem os ORLs. Vale citar que estas funda��es, apesar de disporem
largamente de dinheiro p�blico, selecionam pessoal sem concurso
p�blico, saibam todos. Em contraste, todos os cargos p�blicos de ORL s�o
submetidos a concurso p�blico, que pode at� sofrer algumas influ�ncias e
manipula��es, reconhecemos, mas s�o abertos e p�blicos, frise-se, at� aos
cirurgi�es de cabe�a e pesco�o que, em v�rios casos atuam em servi�os de ORL e,
cientes da import�ncia de ampliar seu leque de atua��o �s enfermidades benignas,
ensaiam auto-entitularem-se otorrinolaringologistas;
8. Em resposta e clara rea��o a todo esse
absurdo (conveniente para alguns poucos) a SBORL, entendendo que a
Otorrinolaringologia e a Cirurgia de Cabe�a e Pesco�o, por atuarem em uma �rea
anat�mica comum, tratarem dos mesmos �rg�os e utilizarem as mesmas t�cnicas de
diagn�stico e tratamento, comp�em idealmente uma �nica e indissoci�vel
especialidade m�dica, e que as suas diversas �reas de atua��o, interesse ou
prefer�ncia devem ser prestigiadas, associadas e
interligadas, criou o Departamento de Cabe�a e Pesco�o, com o objetivo
de resolver os conflitos atuais, resgatar e garantir a forma��o
mais adequada e completa poss�vel ao profissional m�dico de nossa
�rea.
9. Mais um ponto para pensarmos nas contradi��es pr�ticas
que vivemos: alguns colegas ORLs evitam encaminhar os casos de tumores para
cirurgi�es de cabe�a e pesco�o com forma��o em ORL (chegam a enviar o
paciente para outra cidade), s� para n�o prestigiar aquele que compete tamb�m na
ORL. Assim, o "mais restrito" limita o crescimento do "mais abrangente", e a
especializa��o passa a significar apenas uma abjeta cerca divis�ria de mercados
(cartelzinho), percebem?;
10. Colegas, como v�m, existe uma hist�ria, aqui
resumida, e uma luta �rdua vem sendo levada para que o �bvio seja
atendido: a CCP � uma �rea de atua��o comum ao ORL e ao Cirurgi�o Geral,
e ambos (e at� qualquer outro m�dico) devem e podem contribuir para
que as enfermidades malignas da cabe�a e do pesco�o sejam mais e melhor
prevenidas e tratadas. E, mais �bvio ainda, o m�dico ideal na �rea ORL-CCP deve
abranger as enfermidades mais comuns e as mais graves, sejam benignas ou
malignas, em benef�cio dos pacientes como um todo: ou seja, trata-se de uma
s� especialidade, artificialmente fragmentada em nosso Pa�s, pela a��o
de uma ex�tica mistura de particularidades hist�ricas e conveni�ncias
pessoais de ambas as partes.
Lembramos finalmente que o 2� F�rum de �tica e Defesa
Profissional em ORL, marcado para o dia 16 de outubro,
em Natal, reserva um bom espa�o para essa importante discuss�o, e
que n�s tr�s, coincidentemente, somos otorrinolaringologistas e
cirurgi�es de cabe�a e pesco�o, extremamente interessados nisso tudo. O que
(nos) perguntamos � se o corpo e os membros da SBORL tamb�m
tem sensibilidade para que tal relevante quest�o, que depende tamb�m,
e muito, de todos n�s para ser mais priorizada e
resolvida, coletivamente, atrav�s de nossa entidade representativa
nacional, a SBORL.
Abra�os a todos
Marcos Sarvat [EMAIL PROTECTED]
Diretor de Defesa Profissional da SBORL
Marcos Nemetz [EMAIL PROTECTED]
Vice-diretor de Defesa Profissional da
SBORL
Agricio Crespo [EMAIL PROTECTED]
Diretor do Departamento de Cabe�a e
Pesco�o da SBORL
Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia: contacte via
[EMAIL PROTECTED]
----- Original Message -----
From: AdrianoSF <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Saturday, August 12, 2000 8:55
PM
Subject: RES: [otorri.] Quimioterapia em
ORL Inicialmente obrigado pelo artigo. Sei que toda atitude � uma atitude pol�tica, mesmo as involunt�rias, mas em nosso triste pa�s de doentes � dif�cil n�o ter �mpetos de ca�ar com gatos diante do sofrimento de nossos pacientes. Os truques profissionais ao mesmo tempo em que resolvem o problema daquele paciente acaba postergando a resolu��o definitiva... mas... n�o podemos nos alijar diante do sofrimento individual em pr� do coletivo... devemos tentar atuar nas duas correntes. Espero que os CABE�AS de nossa Sociedade de ORL que este ano passa a ter definitivamente o C�ncer de Cabe�a e Pesco�o como �rea de atua��o estejam ao menos lendo esta nossa conversa na rede. O brasileir�o vai ser uma boa oportunidade de discutirmos mais sobre estes assuntos... Espero que voc� possa vir para trazer sua experi�ncia pessoal para nosso enriquecimento. Comente mais sobre as diferen�as que voc� notou ao chegar a�... Abra�o Adriano Fonseca |
